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[traduzido
por Cruz Filho]
Cheio de
astros é o céu, e grande a lua;
A terra
toda é só palor estremo
E o espírito
do mundo no ar flutua.
— Sonho
com a estrela de esplendor supremo,
A que em
nosso horizonte ainda não erra,
Mas cuja
luz percorre a imensidade
E há de
um dia, afinal, chegar à terra,
Para
encantar os olhos de outra idade.
Quando
luzir, num século remoto,
Essa
estrela longínqua e soberana,
Dizei-lhe
que ela em mim teve um devoto,
Ó últimas
mortais da raça humana!
(Do livro
a publicar, Toda a Musa.)
[Toda Musa
— poesia completa,
Cruz Filho, publicado em
1965]
L’Idéal
À Paul Sédille
La lune est grande, le ciel
clair
Et plein d’astres, la terre est
blême,
Et l’âme du monde est dans l’air.
Je rêve à l’étoile suprême,
À celle qu’on n’aperçoit pas,
Mais dont la lumière voyage
Et doit venir jusqu’ici-bas
Enchanter les yeux d’un autre âge.
Quand luira cette étoile, un jour,
La plus belle et la plus lointaine,
Dites-lui qu’elle eut mon amour,
Ô derniers de la race humaine!
[Stances et Poèmes — 1865]
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully Prudhomme [+ ‘Poemas de
Sully Prudhomme em Traduções Brasileiras’], Apresentação ‘Prefácio’ de Anders
Österling, Tradução e Notas de Mello Nóbrega, Estudo Introdutivo de Gabriel
D’Aubarède, Ilustrações de André Hambourg e Pequena História da atribuição do
Prêmio Nobel a Sully Prudhomme, por Gunnar Ahlström — Biblioteca dos Prêmios
Nobel de Literatura, 1973, Editora Ópera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme
ou René Armand François Prudhomme (1839 — 1907), francês e parisiense,
ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser engenheiro, desistiu, trabalhou como
escriturário em fábrica, estudou Direito, foi pensador, ensaísta e poeta; pertenceu
ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis pela publicação de Parnasse
Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro autor
literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura (1901); obras poéticas:
Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869),
Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines
tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur
(1888)..., em prosa, escreveu Réflexions sur l’art des vers (prosa, 1892) e outros
escritos (diário e pensamentos); Sully Prudhomme deixou publicado ensaios
filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de philosophie contemporaine e nos
periódicos Revue de deux Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de Métaphysique
et de Morale e Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua biografia,
consta que o poeta, “de saúde precária” desde a infância, a partir de 1870,
sofreu mais complicações, teve paralisia em “toda parte inferior do corpo” e
após a qual “nunca mais recobraria integralmente sua capacidade [motora]; teve
poemas musicados, recebeu honrarias e premiações por sua obra, entre as quais o
já citado 1º Prêmio Nobel de Literatura (1901).