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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Carlos Drummond de Andrade: Atanásio 100%

      A crônica drummondiana reproduzida alguns parágrafos abaixo fez lembrar ao Sessentão de Bacaetava a existência de um outro "Atanásio", um supervisor do BB do final da década de setenta do século e milênio passados.
     Mas o que aprontava o tal "Atanásio" bebeano de antanho?
     O Sessentão recorda-se de dois "causos" que envolveram o "homônimo" do personagem de Carlos Drummond de Andrade:
  • "causo" nº 1  o banco, num rasgo de demonstração de modernidade democrática, resolvera alterar as normas de uso do vestuário masculino e feminino. Às mulheres, que antes eram obrigadas a trabalhar de saias e blusas e/ou vestidos, foi permitido o uso de calças compridas. Já aos homens, obrigados a usar camisas com mangas longas e gravatas, foi permitido o uso de camisas com mangas curtas e sem gravata àqueles que não trabalhassem diretamente no atendimento do público externo. O Sessentão, à época Trintão!, que não tinha camisa de mangas curtas mas se encaixava no caso, tomou ciência dos novos normativos e aderiu ao figurino. No dia seguinte compareceu ao serviço sem gravata e com camisa de mangas longas. Foi devidamente chamado às falas pelo supervisor, que o advertiu estar "ferindo as normas do padrão" e o "convidou" a arrumar uma gravata, já que portava camisa com mangas longas. O "Atanásio" em questão não quis conversa: "   Ordens são ordens, aqui no meu setor você só pode trabalhar sem gravata se estiver portando camisa com mangas curtas!"
  • "causo" nº 2  um colega nissei, transferido havia pouco tempo de agência do interior paulista, questionou um método de contabilização transitória que habitualmente era feito na seção de responsabilidade do "Atanásio". Sem rodeios, o nosso "homônimo drummondiano" mandou que o "japa" relesse melhor as instruções. Mas o teimoso oriental insistiu, afirmou que, nas agências por onde passara, a contabilização era feita de forma diferente e explicou com detalhes como deveria ser o procedimento. Claro que "Atanásio" soltou fogo pelas ventas e, brandindo os normativos, não deu o braço a torcer. O japonês recém chegado à seção comprou a briga e o impasse estava dado. "Atanásio", iluminando-se, ou quase que trucando!, pegou o telefone, discou para o Departamento de Contabilidade em Brasília, conversou com alguém e, passando o fone para o japa atrevido, disse secamente: "  Repita pra "Deus" o que você interpretou do normativo!" O colegasan não se fez de rogado e repetiu seu ponto de vista ao pai de tudo. Argumentos trocados, "Deus" dá razão ao "discípulo" que acabara de chegar da agência interiorana. O telefone volta para as mãos de "Atanásio" que, ouvido "Deus", repõe o aparelho no gancho e, incisivo, ordena: "  Ordens, são ordens! Faça o que "Deus" mandou!" 
     É, "Atanásio" não dava o braço a torcer.
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Agora, à crônica do mineiro Drummond:

              Cara cem por cento é o Atanásio, do Departamento Sindical, setor de assembléias. Tão cem por cento que, quando o ex-presidente Jânio Quadros, lançou o uniforme indo-mato-grossense para o serviço público, ele deu o prazo de 15 dias para que todos os funcionários sob sua chefia adotassem a indumentária oficial. Houve protestos, não cedeu. Duas semanas depois, a turma toda aparecia uniformizada, e Atanásio, antes de dar início aos trabalhos, passava-a em revista.
               O senhor aí. Está com o botão superior do dólmã desabotoado. Retire-se.
               Por que não passou a ferro o seu uniforme? Todo amassado, horrível. Suspenso por três dias.
               Mas...
               Quer que eu o suspenda por sete?
              O enxoval de serviço não chegou a ser oficializado, ficou em conversa brasileira, sabe como é? Atanásio teve de curvar-se à inexistência de lei impositiva. Relaxou a vigilância, com dor d'alma. E quando Jânio se mandou, teve esta explicação para a queda:
               Caiu porque não sustentou o uniforme. Quem não cria a forma, não é capaz de criar a substância.
              Eu podia citar outros exemplos da inamobilidade de Atanásio, mas fico nesse do dólmã burocrático, porque o Ministro Passarinho e o Governador Negrão acabam de promover uma abertura em matéria de vestuário. Os servidores poderão comparecer à repartição mais à vontade, trocando paletó e gravata por um blusão leve, que não ofenda o decoro. Com esse calor danado, quem não apreciaria?
              Chefe Atanásio não apreciou nem desapreciou: resolveu cumprir a ordem à sua maneira integral. O primeiro funcionário que lhe apareceu de casaco e gravata levou advertência:
               Não leu a portaria?
               Que portaria?
               A portaria que regula a nova roupa de serviço.
               Perdão, trata-se de algo facultativo, Seu Atan.
               Facultativo é ponto, portaria é portaria. E no meu setor, as portarias sempre foram cumpridas.
              Atanásio regulamentou o blusão, verdade seja que com a colaboração espontânea da  maioria de seus subordinados, só não admitindo sugestões com referência a determinadas cores, e proibindo desenhos figurativos. O grupinho do contra, porém, não apenas se absteve de participar dos estudos, como insiste em usar a trapizonga antiquada. E Atanásio, que não é de sentir calor nem frio fora dos regulamentos, acha isso falta grave.
              Ele próprio aboliu o paletó e jogou fora as gravatas, isto é, guardou-as, com os paletós, até segunda ordem, pois nada obsta a que, em chegando o inverno, o assunto volte a ser cogitado em escalão superior. Teve de abrir um crediário imenso num magazine da cidade: nada menos de 12 blusões de nylon, para atender a portaria e à lavadeira. Por isso mesmo, não aceita a rebelião dos engravatados.
               Ainda não puni o senhor porque me faltam elementos. Aguardo o parecer do consultor jurídico. Mas, por minha fé, sei que ele me dará respaldo legal.
               Mas, chefe...
               Este paletó é um escárnio, esta gravata é um achincalhe, eu sei, mas o senhor não perde por esperar. Além do mais, reincidente: em 1961, deu uma de tratamento de saúde, só pra não envergar o uniforme!
              No momento, Atanásio, enquanto espera o pronunciamento do consultor, cogita de representar a seu superior hierárquico, propondo uma portaria que torne obrigatoriamente mais leves as vestimentas das funcionárias, para rimar com os blusões masculinos.
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    O Poder ultrajovem e mais 79 textos em verso e prosa de Carlos Drummond de Andrade (1902  1987), Livraria José Olympio Editora, Coleção Sagarana, volume n° 96, 1974, Rio de Janeiro  RJ; poeta, contista e cronista, Drummond viveu intensamente o seu tempo e nos oferece como legado incontáveis obras em verso e prosa: Alguma Poesia; Brejo das Almas; Sentimento do Mundo; José; A Rosa do Povo; Novos Poemas; Claro Enigma; Fazendeiro do Ar; A vida Passada a Limpo; Lição de Coisas; A Falta que Ama; As Impurezas do Branco; Boitempo; Menino Antigo (Boitempo II); Versiprosa; Viola de Bolso; Discurso de Primavera, e algumas sombras; Contos de Aprendiz; Confissões de Minas; Passeios na Ilha; Fala, Amendoeira; A Bolsa e a Vida; Cadeira de Balanço; Caminhos de João Brandão; O Poder Ultrajovem; De Noticias & Não Notícias faz-se a Crônica; O Sessentão de Bacaetava é contador de "causos" que ouviu e/ou por ele foram vivenciados durante os seus mais de trinta anos de vida bancária.

    terça-feira, 24 de abril de 2012

    O Sessentão de Bacaetava: O Andarilho


    Minas e Manos,

    Fim-de-semana passada encontrei o Sessentão de Bacaetava caminhando no Parque da Aclimação aqui em Sampa. Inicialmente eu o observei acompanhando-o um tanto à distância. Depois me aproximei. Só o fiz após ele e eu já termos completado alguns "8" nas duas pistas locais: a asfaltada, que rodeia o lago, e a de terra e saibro, inclinada, que serpenteia por debaixo das árvores no interior do bosque.

    Aproximação feita, saudações de praxe, e ele me contou estar ultimando preparativos para uma caminhada de onze dias a iniciar-se em Santana do Parnaíba e a ser concluída 243 quilômetros além, em Águas de São Pedro. É o tal do Caminho do Sol.

    No começo duvidei da prosa e da proeza. Achei que ele estivesse brincando. No fim, acreditei. Que disposição!

    Comecei especulando pra sentir até onde ia sua firmeza de propósito. Argumentei:  Será que suas pernas aguentariam!? É muito tempo andando; estradas e caminhos são irregulares, com pirambeiras e subidas, barrancos e trancos, trilhas tortuosas... Tudo isso tenderia a atrapalhar seus planos.

    Sem pestanejar ele informou que já vinha se preparando há mais de seis meses, desde outubro último, quando decidiu ir. De lá pra cá percorrera muito mais que os 240 quilômetros da caminhada, isso aqui na Aclimação e no Parque Ibirapuera além de por ruas e avenidas. Afinal, nem carro tinha. Garantiu-me que já rodara a pé mais de 600 km nestes percursos todos. Como exemplo, citou que só nos "8" aqui do Parque tinha andado mais de 100 km nas últimas cinco semanas.

    Ouvi e continuei com meus poréns  e contudos:  E se chover, a probabilidade disso ocorrer não é pequena?! E se pegar uma gripe?! E se o pé sofrer um corte e inchar?! E se surgirem bolhas?! E se...?! Sem socorro ou conforto rápidos, longe da civilização da urbanicéia?!

    Ele retrucou:  Nada que uma capucha não resolva. O que poderá ocorrer é que a marcha fique mais lenta, só isso. Se porventura gripar, não faltará um chazinho caseiro à base de plantas que na certa encontrará e saberá recolher nos caminhos por onde for. Pra curar uma bolha ou um possível corte no pé, rubim, manjericão ou alecrim darão um jeito. Homem da roça que foi, entende que tais plantinhas, bem amassadas, reduzem a chance de inflamação e facilitam a cicatrização, tudo conforme o caso.

    Insisti:   E o coração, aguenta? Ele respondeu citando Pascal: — "O coração tem razões que a própria razão desconhece".  É, ele me pareceu bem decidido e com respostas na ponta da língua.

    Mas o que deu no velhote que resolveu fazer isso agora? Promessa? Prescrição médica? Simples aventura? — Não é bem assim, emendou o Sessentão.

    Se bem entendi do que ouvi, o fato é que desde criança ele andava muito por trilhos e trilhas: ora levando almoço pro pai no serviço; ora catando lenha no mato; ora dirigindo-se à cidade, rumo à missa, à escola e aos passeios. Todos esses trajetos eram feitos a pé.

    E prosseguiu: ainda adolescente, enquanto a gurizada jogava bola e brilhava no futebol de campo e de salão, ele, que só se arriscava num futebol de botão, se entretia correndo seguidas vezes em torno do campo ou da quadra. 

    Já adulto e cidadão urbano, quando em férias, muito caminhou pelas praias. Certa vez, em viagem de cinco dias à Chapada Diamantina no interior baiano, percorreu mais de 70 km por trilhas, escalou rochas, varou rios e cachoeiras, subiu e desceu morros, inclusive andou centenas de metros por cavernas e grutas.

    Eu acreditei e lhe desejei boa sorte na caminhada. O Sessentão, que não se considera um andarilho de alta performance, agradeceu com um sorriso e arrematou:  Na volta nos encontraremos, e já fica combinado um relato da proeza. 

    Só me resta aguardar o prometido. 

    P. da Silva,
    aprendiz de andarilho.

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    P. da Silva, O Sessentão de Bacaetava, Genésio dos Santos, etecétera, etecétera, etecétera, aprendiz de andarilho e de blogueiro, são uma só pessoa.

    domingo, 1 de abril de 2012

    O Sessentão de Bacaetava: O Dia da Mentira

    O dia Primeiro de Abril é conhecido como o Dia da Mentira. E os outros dias, são os da Verdade? Ou estão querendo me enganar?
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    Reproduzido de www.novomilenio.inf.br:
    VEJA só: boi + tomate = boimate

    Os avanços da Ciência são tão surpreendentes que a revista semanal paulista Veja não teve dúvidas em reproduzir esta história, divulgada originalmente pela revista inglesa News Science na edição de 1º de abril de 1983. A publicação brasileira repercutiu a história do boimate na edição 764, de 27 de abril de 1983, página 84:
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    Reproduzido de www.humornaciencia.com.br:
    O caso Boimate

      Os jornais e revistas ingleses gostam de "descobrir" fatos científicos no dia 1º de abril. A maior revista brasileira "comeu barriga" e entrou na deles. Conheça a história do "boimate", "uma nova fronteira científica"
      O "fruto da carne", derivado da fusão da carne do boi e do tomate, batizado com o sugestivo nome de boimate, constituiu-se, sem dúvida, no mais sensacional "fato científico" de 1.983, pelo menos para a revista Veja, em sua edição de 27 de abril. Na verdade, trata-se da maior " barriga" (notícia inverídica) da divulgação científica brasileira.
      Tudo começou com uma brincadeira – já tradicional – da revista inglesa New Science que, a propósito do dia 1º de abril, dia da mentira, inventou e fez circular esta matéria.
      A fusão de células vegetais e animais entusiasmou o responsável pela editoria de ciência da Veja que não titubeou em destacar o fato. E fez mais: ilustrou-o com um diagrama e entrevistou um biólogo da UPS, para dar a devida repercussão da descoberta.
      Para a revista, "a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica".
      O ridículo foi maior porque a revista inglesa deu inúmeras pistas: os biólogos Barry McDonald e William Wimpey tinham esses nomes para lembrar as cadeias internacionais de alimentação McDonald´s e Wimpy´s. A Universidade de Hamburgo, palco do "grande fato", foi citada para que pudesse ser cotejada com "hamburguer" e assim por diante. Mas nada adiantou.
      A descoberta do engano foi feita pelo jornal O Estado de S. Paulo que, após esperar inutilmente pelo desmentido, resolveu "botar a boca no mundo" no dia 26 de junho.
      O espírito gozador e, mais surpreendente às vezes até irado do brasileiro, no entanto, não deixou por menos. Durante o intervalo entre a matéria da Veja e o desmentido do Estadão, cartas e mais cartas chegaram às redações.
      Um delas que, maliciosamente, assinou "X-Burguer, Phd, Capital", lembrava que no Brasil já haviam sido feitas descobertas semelhantes: o jeribá, cruzamento de jabá com jerimum, ou o goiabeijo, cruzamento de gens de goiaba, cana-de-açúcar e queijo, e adiantava que seus estudos prosseguiam para criação do Porcojão ou Feijoporco, cruzamento de porcos com feijões que ele esperava dar como contribuição à tradicional feijoada paulista.
      Domingos Archangelo escreveu ao Jornal da Tarde uma carta colérica contra a "a violação das leis naturais". Segundo ele, "do alto dos meus 76 anos, não posso ficar calado ante tal afronta às leis divinas. Boi nasceu para pastar, para puxar os saudosos carros do interior e para nos oferecer sua saborosa carne. E tomate, além das notórias qualidades que se lhe imputam na cozinha, serve também para ser arremessado à cabeça de quem perpetra tal monstruosidade e, também, dos dão guarida e incentivam tais descobertas".
      Francisco Luís Ribeiro, outro leitor da Capital, relata outros cruzamentos, além do boimate, que deram certo e cita experiências para "cruzar pombo-correio com papagaio, para o envio de mensagens faladas".
      Finalmente, com o objetivo de pôr fim ao caso que já divertia as redações, a revista publicou, na edição de 6 de julho, ou seja, depois de dois meses, o desmentido: "tratou-se de lastimável equívoco". E justificou-se, explicando que é costume da imprensa inglesa fazer isso no dia 1º de abril e que, desta vez, havia cabido à revista entrar no jogo, exatamente no "seu lado mais desconfortável".
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    O Sessentão de Bacaetava já foi O Cinquentão, O Quarentão... e pretende ser O Setentão, O Oitentão, O Noventão e, quem sabe! O Centenário de Bacaetava.

    terça-feira, 3 de janeiro de 2012

    Mais um sessentão na praça

                                  Manos e minas,
                                  
                                  Hoje faz duas décadas que o Quarentão de Bacaetava entrou nos entaEle não acha esta fase da vida nem boa nem ruim. Acha-a inevitável e se ela é inevitável segue a pregação da sexóloga  seus momentos são um relaxo só e anda gozando muito.
                                  Porém entre os quasesempre momentos de relaxo e gozo é claro que também há momentos tais que para ele seria melhor não existirem. Pensa ser da vida que existam não só nesta presente etapa mas também que tenham existido em todas outras etapas por ele já vividas. Assim, reflete com seus botões, é preciso embalar-se pelo refrão que ouviu faz tempo em uma noite ilustrada: "Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!"
                                  Diz isto e se cala parecendo reflexivo. Nada mais diz às novas gerações sobre esta fase da idade... Intui que tudo o que elas ouvirem entrará por um ouvido e sairá por outro como diz o adágio. Pensa que as novas gerações vivem os seus momentos. Estão ocupadas com outras coisas mais úteis a elas. Elas pensam assim e no que fazem muito bem.
                                  Resmunga que os ainda jovens quando completarem suas décadas nos enta com certeza poderão compreender o que ora está sentindo e que decerto também encontrarão dificuldades em transmitir o que sentem aos que na escala da vida deixaram de vestir fraldas há muito menos tempo que eles. É assim que sucessivamente ocorre neste jogo de gerações.
                                  Proclama estar feliz ao completar seus sessenta anos nesta oca denominada genericamente Terra. Aos entários que já ingressaram nesta etapa por ele ora acessada também deseja muita sorte e muitas felicidades.
                                  Ah, e cobra dos governos, quaisquer governos, políticas públicas que levem em consideração as multidões que estão nos enta há décadas. Os governantes, reflete, não deveriam se dedicar a olhar quase que só para as coisas voltadas ao trabalho que é produzido para o capital. Há muitas mazelas neste sistema. Não quer mais este tipo de trabalho.
                                  E cobra mais ainda! Os governantes, quando exercitam outros olhares, também não podem priorizar quase que exclusivamente em cuidar da promoção das coisas necessárias às gerações futuras, às crianças e aos bebês com suas fraldas. É preciso perceber que há um presente envelhecente. E se governos existem resta-nos cobrar a sua eficiência! Sem essa de salve-se quem puder!.
                                  E conclui: "Alguns de nós que já ingressamos nos enta, sessentões, setentões, oitentões e noventões, além de uns poucos centenários, também precisamos de fraldas e de otras cositas mas, mucho mas." Descobriu isso agorinha mesmo.
                                  Contudo e apesar de tudo segue rumo aos setenta. Diz que mais tarde pensará nos oitenta, nos noventa... Hoje ele está com muita preguiça.
                                  Abraços sexagenários.

                                  P. da Silva

    Se nascer é um parto e viver não é preciso, morrer é o fim do mundo. (O Quarentão de Bacaetava)
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    Genésio dos Santos, nascido em Itapetininga  SP no século e milênio passados em 03 de janeiro de 1952, viveu sua infância e adolescência, até os seus dezenove anos, à beira da linha do trem nas localidades de Buri (Turma 29, Eng. Bacelar), Itapeva (Turma 34) e Iperó (Turma 1), todas interligadas pela antiga EFS — Estrada de Ferro Sorocabana (posteriormente FEPASA); é poeta e cronista e, além de se ver como um bicho urbano adaptado, também se sente integralmente em plena velhice; publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), e, como militante na categoria dos bancários, escreveu crônicas para jornais sindicais de responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; além disso, como vêem, é aprendiz de blogueiro.