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[Versão de Edmundo Moniz]
1
Nunca se deixem seduzir
Não há caminho de regresso
Penetra o dia pelas portas
Durante a noite o vento sopra
Mas a manhã não volta mais.
2
Nunca se deixem convencer
De que esta vida vale pouco
Bebam a vida em grandes goles
Então verão que ainda foi
pouco
Quando tiverem de a deixar.
3
Não vivam nunca de esperar
O tempo é muito limitado
Deixem mofar os incapazes
O grande bem é a própria vida
Vive-se apenas uma vez.
4
Nunca se deixem enganar
No mundo há fome e servidão
Qual o motivo de ter medo?
Como animais os homens morrem
E após a morte não há nada.
Gegen Verführung
1
Laßt euch nicht verführen!
Es gibt keine Wiederkehr.
Der Tag steht in den Türen,
Ihr könnt schon Nachtwind
spüren:
Es kommt kein Morgen mehr.
2
Laßt euch nicht betrügen!
Das Leben wenig ist.
Schlürft es in schnellen
Zügen!
Es wird euch nicht genügen,
Wenn ihr es lassen müßt!
3
Laßt euch nicht vertrösten!
Ihr habt nicht zu viel Zeit!
Laßt Moder den Erlösten!
Das Leben ist am größten:
Es steht nicht mehr bereit.
4
Laßt euch nicht verführen
Zu Fron und Ausgezehr!
Was kann euch Angst noch
rühren?
Ihr sterbt mit allen Tieren
Und es kommt nichts nachher.
[1918]
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Bertolt Brecht: Antologia Poética
[+ O Processo de Lucullus, peça teatral], Versão e Prefácio de Edmundo Moniz, 1983,
Elo Editora e Distribuidora, Rio de Janeiro — RJ; Eugen Bertholt Friedrich Brecht
(1898 — 1956), alemão de Augsburg — Baviera, foi dramaturgo, encenador e poeta;
em 1917 iniciou o curso de Medicina em Munique, mas tendo sido convocado pelo exército
na Primeira Guerra interrompeu o estudo e trabalhou como enfermeiro em hospital
militar; com a ascensão de Hitler em 1933, deixou a Alemanha e exilou-se primeiro
na Dinamarca e depois nos Estados Unidos e Suiça; de volta à Alemanha em 1948, fundou
a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia e na arte dramática,
deixou-nos extensa produção artística, Baal (texto de 1918/produção em 1926), Trommein
in der Nacht (Tambores na Noite, 1918/1920), Mann is Mann (Um Homem é um Homem,
1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit
(O Casamento do Pequeno Burguês, 1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção
e a Regra, 1930/1938) e tantos outros textos escritos e produzidos para o teatro;
sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo em seus poemas o mesmo sentido
épico e didático de suas peças teatrais.