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[traduzido por Nelson Ascher]
Não parecia certo e bom nos
separarmos?
Então por que, mais do que um
crime, isto assombrou-nos?
Deconhecemo-nos, pois dentro
de nós um deus reina supremo.
Como trair a quem primeiro nos
deu vida
e atribuiu sentido a nós, deus
tutelar
que suscitou o nosso amor?
Traí-lo é algo que eu não
posso.
O mundo tem, contudo, em mente
um outro equívoco,
exerce outro afazer de bronze,
as suas leis
são outras e o costume, dia
a dia, nos subtrai a alma.
Que seja: eu o sabia. Desde
quando o medo,
que se arraigou disforme, após
mortais e deuses,
devem morrer, para aplacá-lo
com sangue, os corações dos
que amam.
Der
Abschied (Dritte Fassung)
Trennen wollten wir uns? wähnten
es gut und klug?
Da wirs taaten, warum
schrökte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in
uns.
Den verraten? ach ihn, welcher
uns alles erst
Sinn und Leben erschuf, ihn”
den beseelenden
Schutzgott unserer Liebe,
Dies, dies Eine vermag ich
nicht.
Aber anderen Fehl denket der Weltsinn
sich
Andern ebernen Dienst übt er
und anders Recht
Und es listet die Seele
Tag für Tag der Gebrauch uns
ab.
Wohl ich wusst’ es zuvor, seit
die gewurzelte
Ungestalte die Furcht Götter
und Menschen trennt,
Muss, mit Blut sie zu sühnen,
Muss der Liebenden Herz
vergehn.
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Poesia Alheia: 124 poemas
traduzidos, edição bilíngue [poetas diversos], Coleção Lazuli, Tradução,
Prefácio e Notas biográficas por Nelson Ascher, e Apresentação [orelhas do
livro] por Arthur Nestrovski, 1998, Imago Editora, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christian Friedrich Hölderlin
(1770 — 1843), alemão
de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e
filósofo; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação
humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na
formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão;
frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também
conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve
quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para
o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras
publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für
das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os
fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama,
1797—1800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (1797—1799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas
de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826),
Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach
1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a
partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre,
sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico
de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data,
continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.