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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Hölderlin: A Despedida (Terceira Versão)

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[traduzido por Nelson Ascher]

Não parecia certo e bom nos separarmos?
   Então por que, mais do que um crime, isto assombrou-nos?
      Deconhecemo-nos, pois dentro
         de nós um deus reina supremo.

Como trair a quem primeiro nos deu vida
   e atribuiu sentido a nós, deus tutelar
      que suscitou o nosso amor?
         Traí-lo é algo que eu não posso.

O mundo tem, contudo, em mente um outro equívoco,
   exerce outro afazer de bronze, as suas leis
      são outras e o costume, dia
         a dia, nos subtrai a alma.

Que seja: eu o sabia. Desde quando o medo,
   que se arraigou disforme, após mortais e deuses,
      devem morrer, para aplacá-lo
         com sangue, os corações dos que amam.

Hölderlin

Der Abschied (Dritte Fassung)

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
   Da wirs taaten, warum schrökte, wie Mord, die Tat?
      Ach! wir kennen uns wenig,
         Denn es waltet ein Gott in uns.

Den verraten? ach ihn, welcher uns alles erst
   Sinn und Leben erschuf, ihn” den beseelenden
      Schutzgott unserer Liebe,
         Dies, dies Eine vermag ich nicht.

Aber anderen Fehl denket der Weltsinn sich
   Andern ebernen Dienst übt er und anders Recht
      Und es listet die Seele
         Tag für Tag der Gebrauch uns ab.

Wohl ich wusst’ es zuvor, seit die gewurzelte
   Ungestalte die Furcht Götter und Menschen trennt,
      Muss, mit Blut sie zu sühnen,
         Muss der Liebenden Herz vergehn.
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Poesia Alheia: 124 poemas traduzidos, edição bilíngue [poetas diversos], Coleção Lazuli, Tradução, Prefácio e Notas biográficas por Nelson Ascher, e Apresentação [orelhas do livro] por Arthur Nestrovski, 1998, Imago Editora, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Hölderlin: Some, belo sol


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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Some, ó belo sol, se em ti
   Mal repararam, nem, bendito, ah, te souberam:
      Sem descanso e manso, em cima de varões
         Atarefados, na corola esperdiçaste.

Ó luz, que amável desces para mim e de mim sobes,
   Bem te conhece o olho meu, ó senhorial!
      A venerar-te em calma e divo afã bem aprendi,
         Quando os sentidos me sanou Diotima.

Ó tu, núncia do céu, como eu  Amor!  te olhava,
   Ó Diotima! E como do teu ser já se inspirava
      O meu olhar com vista aos áureos dias,
         Fulgurante em torno, e agradecido. Ciciavam com mais vida.

Então as fontes, da terra negra trescalavam
   Seu amor por mim as flores.
      E sorrindo, sobre os cirros prateados,
         Tombava, com suas bênçãos, sobre nós, o Etéreo.

Hölderlin

Geh unter, schöne Sonne...

Geh unter, schöne Sonne, sie achteten
   Nur wenig dein, sie kannten dich, Heilge, nicht,
      Denn mühelos und stille bist du
         Über den Mühsamen aufgegangen.

Mir gehst du freundlich unter und auf, o Licht!
   Und wohl erkennt mein Auge dich, Herrliches!
      Denn göttlich stille ehren lernt ich,
         Da Diotima den Sinn mir heilte.

O du des Himmels Botin! wie lauscht ich dir!
   Dir, Diotima! Liebe! wie sah von dir
      Zum goldnen Tage dieses Auge
         Glänzend und dankend empor. Da rauschten

Lebendiger die Quellen, es atmeten
   Der dunkeln Erde Blüten mich liebend an,
      Und lächelnd über Silberwolken
         Neigte sich segnend herab der Äther.
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Hölderlin: De Manhã


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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Reluz no orvalho a relva, e mais ligeira
   Corre, esperta, a fonte; e a faia inclina
      A nuca esguia, e na ramagem
         Se retruca, e treme a luz, e por grisalhas.

Nuvens se estriando vão vermelhas labaredas,
   Como as núncias mudas se avolumam;
      Muito ondulam, qual maré na praia,
         Mais e mais na altura as vagamundas.

Vem-me, então, oh, vem, e não me corras tão depressa
   Pelos cimos do céu além, ó dia dourado!
      Pois despertado, e em ti confiante, já se voa,
         Ó ledo, o meu olhar, enquanto

Em formosura juvenil com teu mirar despontas,
   E nem tanto senhoril, tampouco ufano me pareces.
      Pois que sempre assim corresses, e eu contigo,
         Ó divo errante, me envolvesse: tu gargalhas, entretanto,

Deste gaio presunçoso, e de que alguém se atreva assim
   A se medir contigo; então ao menos me abençoa
      Em meu mortal desejo vão, e mansa e leda faz, uma vez mais,
         Ó Dadivoso!  em teu andar  minha vereda.

Hölderlin

Des Morgens

Vom Taue glänzt der Rasen; beweglicher
   Eilt schon die wache Quelle; die Buche neigt
      Ihr schwankes Haupt und im Geblätter
         Rauscht es und schimmert; und um die grauen

Gewölke streifen rötliche Flammen dort,
   Verkündende, sie wallen geräuschlos auf;
      Wie Fluten am Gestade wogen
         Höher und höher die Wandelbaren.

Komm nun, o komm, und eile mir nicht zu schnell,
   Du goldner Tag, zum Gipfel des Himmels fort!
      Denn offner fliegt, vertrauter dir mein
         Auge, du Freudiger! zu, solang du

In deiner Schöne jugendlich blickst und noch
   Zu herrlich nicht, zu stolz mir geworden bist;
      Du möchtest immer eilen, könnt ich,
         Göttlicher Wandrer, mit dir! doch lächelst

Des frohen Übermütigen du, daß er
   Dir gleichen möchte; segne mir lieber dann
      Mein sterblich Tun und heitre wieder
         Gütiger! heute den stillen Pfad mir.
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Hölderlin: Mnemosyne

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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Terceira versão

    Ao fogo mergulhados, já maduros e cozidos
E provados na terra estão os frutos, e uma legenda existe:
Tudo, como serpentes, deve bem no fundo penetrar,
Profeticamente sonhar
Com colunas do céu. E muita coisa,
Como um feixe de lenha, no ombro carregada,
Se haverá de bem guardar. Os caminhos, entretanto,
São perversos. Destrambelhados,
Como potros, vão-se além aprisionados
Elementos
E vetustas leis da terra. E sempre
Ao indiviso uma ansiedade vai: no entanto, muita coisa
Só haverá de bem guardar. Pois que a fidúcia é preciosa.
Nossos olhos não ponhamos nem na frente
Nem atrás. E no acalanto balancemos
Como a barca sobre o mar.

(Fragmento)

Hölderlin

Mnemosyne

[Dritte Fassung]

    Reif sind, in Feuer getaucht, gekochet
Die Frücht und auf der Erde geprüfet und ein Gesetz ist,
Daß alles hineingeht, Schlangen gleich,
Prophetisch, träumend auf
Den Hügeln des Himmels. Und vieles
Wie auf den Schultern eine
Last von Scheitern ist
Zu behalten. Aber bös sind
Die Pfade. Nämlich unrecht,
Wie Rosse, gehn die gefangenen
Element und alten
Gesetze der Erd. Und immer
Ins Ungebundene gehet eine Sehnsucht. Vieles aber ist
Zu behalten. Und not die Treue.
Vorwärts aber und rückwärts wollen wir
Nicht sehn. Uns wiegen lassen, wie
Auf schwankem Kahne der See.

[ . . . ]
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Hölderlin: Os mortos

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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Um dia evanescente então vivi, e junto aos meus cresci,
   Os que, um por um, agora em sono vão, e ao longe somem.
E, embora adormecidos, despertais no peito meu, pois n’alma
   Emparentada a paz me vem de vós na imagem viageira.
Pois com mais vida aí viveis, onde o avivar
   Do espírito divino a todos que envelhecem,
E a todos os que morrem torna à infância.

Hölderlin

Die Entschlafenen

Einen vergänglichen Tag lebt ich und wuchs mit den Meinen,
   Eins ums andere schon schläft mir und fliehet dahin.
Doch ihr Schlafenden wacht am Herzen mir, in verwandter
   Seele ruhet von euch mir das entfliehende Bild.
Und lebendiger lebt ihr dort, wo des göttlichen Geistes
   Freude die Alternden all, alle die Toten verjüngt.
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

sábado, 7 de dezembro de 2024

Hölderlin: Os deuses


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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Sempre, ó manso éter, bela tu conservas
  Na agonia esta minha alma, e se enobrece
    Em teus fulgores, Hélios,
      Com galhardia o meu revolto coração.

Vós, bondosos deuses! Pobre é quem vos não conhece,
  Não lhe amaina o rude peito de uma intriga nunca,
    E o mundo em noite se lhe torna, nem o aviva
      Algum contentamento e nenhum canto.

Só vós, com vossa eterna juventude, alimentais
  Nos corações que amor vos têm o senso juvenil,
    E nunca em erro ou no temor deixais
      Que um gênio possa consumir-se em tristes ais.

Hölderlin

Die Götter

Du stiller Äther! immer bewahrst du schön
  Die Seele mir im Schmerz, und es adelt sich
    Zur Tapferkeit vor deinen Strahlen,
      Helios! oft die empörte Brust mir.

Ihr guten Götter! arm ist, wer euch nicht kennt,
  Im rohen Busen ruhet der Zwist ihm nie,
    Und Nacht ist ihm die Welt und keine
      Freude gedeihet und kein Gesang ihm

Nur ihr, mit eurer ewigen Jugend, nährt
  In Herzen, die euch lieben, den Kindersinn,
    Und laßt in Sorgen und in Irren
      Nimmer den Genius sich vertrauern.
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

sábado, 5 de outubro de 2024

Hölderlin: Curso da vida


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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Ansiavas tu também por mais alturas: dobra Amor, porém,
   A todos nós, e torce a dor ainda mais,
      Nem volta inutilmente
         A nossa curva abaixo, acima ao ponto

De onde sai! Pois não governa, enfim, da santa noite,
   Onde remói a tácita natura os dias vindouros,
      Não vigora acaso no Orco esquivo
         Um certo grau e uma justiça?

Eu, sim, que o diga! Pois, jamais, como os mestres mortais,
   Ó celestiais, ó detentores do todo,
      Vós tendes, que eu relembre, com cuidado
         Em plaina senda conduzido o passo meu.

Dos imortais é lei que tudo passe o ser mortal,
   E que, cevado em força, a todos seres agradeça,
      E a liberdade, enfim, entenda,
         De enveredar por onde lhe pareça.

Hölderlin

Lebenslauf

Größers wolltest auch du, aber die Liebe zwingt
   All uns nieder, das Leid beuget gewaltiger,
      Doch es kehret umsonst nicht
         Unser Bogen, woher er kommt.

Aufwärts oder hinab! herrschet in heilger Nacht,
   Wo die stumme Natur werdende Tage sinnt,
      Herrscht im schiefesten Orkus
         Nicht ein Grades, ein Recht noch auch?

Dies erfuhr ich. Denn nie, sterblichen Meistern gleich,
   Habt ihr Himmlischen, ihr Alleserhaltenden,
      Daß ich wüßte, mit Vorsicht
         Mich des ebenen Pfads geführt.

Alles prüfe der Mensch, sagen die Himmlischen,
   Daß er, kräftig genährt, danken für Alles lern’,
      Und verstehe die Freiheit,
         Aufzubrechen, wohin er will.

[1800]
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Hölderlin: Ao Deus do Sol


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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Onde estás? Ébria se me ensombra a alma
   Com todas as tuas delícias, pois pouco faz
      Que hei contemplado como, lasso da viagem,
         O esplendente e divo infante.

Os tenros cabelos n’áureas nuvens mergulhava;
   E ainda brilha por si mesmo para ele o meu olhar;
      Ele há, contudo, longe, aos pios povos
         Que o veneram já partido.

Amo-te, ó terra, pois que sofres a meu lado!
   E ambula nosso luto como a dor do infante
      Em sonolência, e assim como estremecem ventos
         Os bordões da lira, a murmurá-los,

Até que os dígitos do mestre um tom mais belo
   Enfim descubram, tal brincam conosco sonho e névoa,
      Até que torne uma vez mais a Amada,
         E em nós o espírito se acenda e a vida.


Dem Sonnengott

Wo bist du? trunken dämmert die Seele mir
   Von aller deiner Wonne; denn eben ists,
      Daß ich gesehn, wie, müde seiner
         Fahrt der entzückende Götterjüngling

Die jungen Locken badet' im Goldgewölk’;
   Und jetzt noch blickt mein Auge von selbst nach ihm;
      Doch fern ist er zu frommen Völkern,
         Die ihn noch ehren, hirtweggegangen.

Dich lieb ich, Erde! trauerst du doch mit mir!
   Und unsre Trauer wandelt, wie Kinderschmerz,
      In Schlummer sich, und wie die Winde
         Flattern und flüstern im Saitenspiele,

Bis ihm des Meisters Finger den schönen Ton
   Entlockt, so spielen Nebel und Träum’ um uns,
      Bis der Geliebte wiederkömmt, und
         Leben und Geist sich in uns entzündet.
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Canto do Destino e outros cantos Hölderlin, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorado e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Hölderlin: Que é deus?


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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Que é deus? Desde o céu
Remoto é o rosto dele, e pleno
De feições. Pois os trovões
De fato a fúria são de um deus, que, quanto menos avistamos,
É o raio, e mais: o ideal da vida eterna,
A propriedade, tudo, enfim, de meu e teu
Não vêm senão de um deus.

Hölderlin

Was ist Gott? . . .

Was ist Gott? unbekannt, dennoch
Voll Eigenschaften ist das Angesicht
Des Himmels von ihm. Die Blitze nämlich
Der Zorn sind eines Gottes. Je mehr ist eins
Unsichtbar, schicket es sich in Fremdes. Aber der Donner
Der Ruhm ist Gottes. Die Liebe zur Unsterblichkeit
Das Eigentum auch, wie das unsere,
Ist eines Gottes.
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.