Mostrando postagens com marcador Dylan Thomas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dylan Thomas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Dylan Thomas: No casamento de uma virgem


____________________
[traduzido por Caio Túlio Costa]

Despertando sozinha entre uma profusão de amores, quando a luz da
manhã
Surpreendia no abrir de seus olhos longos como a noite
O dourado ontem dele, adormecido sobre sua íris
E o sol desse dia saltou das suas coxas para o céu
A milagrosa virgindade era velha como pães e peixes,
Embora o momento do milagre seja um relampejar sem fim
E no rastro da Galiléia os estaleiros escondam uma frota de pombas.

Nunca mais as vibrações do sol desejarão
Sua almofada profunda como mar onde uma vez sozinha ela se casou,
Seu coração todo olhos e ouvidos, lábios agarrando a avalanche
Do espírito dourado que enroscou com sua corrente seu osso
mercurial,
Que sob o parapeito de sua janela içou a bagagem dourada,
Pois dorme um homem onde caiu o fogo e ela conhece entre seus
braços
Aquele outro sol, o ciumento fluir do sangue sem rival.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 26.02.84

Dylan Thomas

On the marriage of a virgin

Waking alone in a multitude of loves when morning’s light
Surprised in the opening of her nightlong eyes
His golden yesterday asleep upon the iris
And this day’s sun leapt up the sky out of her thighs
Was miraculous virginity old as loaves and fishes,
Though the moment of a miracle is unending lightining
And the shipyards of Galilee’s footprints hide a navy of doves.

No longer will the vibrations of the sun desire on
Her deepsea pillow where once she married alone,
Her heart all ears and eyes, lips catching the avalanche
Of the golden ghost who ringed vith his streams her mercury bone,
Who under the lids of her windows hoisted his golden luggage,
For a man sleeps where fire leapt down and she learns through his
arm
That other sun, the jealous coursing of the unrivalled blood.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
____________________
Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 1953), nascido em Swansea País de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; obras: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Dylan Thomas: Canção de Mr. Waldo

 
____________________
[traduzido por Ivo Barroso]

Quando era moço, em Pembroke City,
De Castle Keep morava ao pé.
Por seis vinténs eu ajudava
O limpador de chaminé.
Magros vinténs que ele me dava,
Nem mais nem menos um tostão;
Com aquele cobre eu só comprava
Gim de cenoura e um agrião.
Não carecia faca ou garfo
Nem guardanapo no pescoço
Para comer meu agrião
E beber meu gim no almoço.
Você conhece algum rapaz
Que andasse assim tão mal de vida,
Sem carne ou osso na comida
E um gim de se chorar até?
Quem quer o limpa-chaminé,
Velava eu pela cidade,
Pobre e descalço em plena neve
Que uma mulher teve piedade.
Pobre do limpa-chaminé,
Mais sujo e negro do que o breu.
Ninguém me limpa a chaminé
Des’ que o marido me morreu.
Venha limpar a chaminé,
Venha limpar a chaminé,
Disse corada de emoção,
Venha limpar-me a chaminé
E traga lá seu escovão.

Dylan Thomas

Mr. Waldo’s Song

In Pembroke City when I was young
I lived by the Castle Keep
Sixpence a week was my wages
For working for the chimbley-sweep.
Six cold pennies he
gave me Not a farthing more or less
And all the fare I could afford
Was parsnip gin and watercress.
I did not need a knife and fork
Or a bib up to my chin
To dine on a dish of watercress
And a jug of parsnip gin.
Did you ever hear a growing boy
To live so cruel cheap
On grub that has no flesh and bones
And liquor that makes you weep?
Sweep sweep chimbley sweep,
I wept through Pembroke City
Poor and barefoot in the snow
Till a kind young woman took pity.
Poor little chimbley sweep she said
Black as the ace of spades
O nobody's swept my chimbley
Since my husband went his ways
Come and sweep my chimbley
Come and sweep my chimbley
She sighed to me with a blush
Come and sweep my chimbley
Come and sweep my chimbley
Bring along your chimbley brush!
____________________
O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal, Tradução, Organização e Notas de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss, edição bilíngue, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Dylan Marlais Thomas (1914 1953), nascido em Swansea País de Gales, freqüentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; obras: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Dylan Thomas: No Meu Ofício ou Arte Amarga

 
____________________
[traduzido por Ivo Barroso]

No meu ofício ou arte amarga
Que à noite tarda é exercido
Quando alucina só a lua
E dormem lassos os amantes
Com as dores todas entre os braços,
É que trabalho à luz cantante
Não pela glória ou pelo pão,
Desfile ou feira de fascínios
Por sobre palcos de marfim,
Mas pela paga mais afim
De seus secretos corações!
Não para alguém altivo à parte
Da lua irada é que eu escrevo
Os respingados destas páginas
Nem pelos mortos presumidos
Cheios de salmo e rouxinóis.
Mas para amantes cujos braços
Têm os cansaços das idades
Que não me dão louvor nem paga
Nem prezam meu ofício ou arte.

Dylan Thomas

In My Craft or Sullen Art*

In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labour by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart!
Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.

* Nota de Ivo Barroso: One Hundred Modern Poems, Selden Rodman, The New American Library, 1951, pág. 153.
____________________
O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal, Tradução, Organização e Notas de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss, edição bilíngue, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Dylan Marlais Thomas (1914 1953), nascido em Swansea País de Gales, freqüentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; suas obras: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

dylan thomas: não vás tão docilmente

Poesia da Recusa
____________________
[traduzido por Augusto de Campos]

Não vás tão docilmente nessa noite linda;
Que a velhice arda e brade ao término do dia;
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Embora o sábio entenda que a treva é bem-vinda
Quando a palavra já perdeu toda a magia,
Não vai tão docilmente nessa noite linda.

O justo, à última onda, ao entrever, ainda,
Seus débeis dons dançando ao verde da baía,
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

O louco que, a sorrir, sofreia o sol e brinda,
Sem saber que o feriu com a sua ousadia,
Não vai tão docilmente nessa noite linda.

O grave, quase cego, ao vislumbrar o fim da
Aurora astral que o seu olhar incendiaria,
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Assim, meu pai, do alto que nos deslinda
Me abençoa ou maldiz. Rogo-te todavia:
Não vás tão docilmente nessa noite linda.
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

A poesia de Dylan Thomas e Bob Dylan entre nós! | Cidadão Cultura
dylan thomas

do not go gentle into that good night

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn , too late, they grieved it on its way
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, em now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
____________________
poesia da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo volume 42, 2006, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 1952), nascido em Swansea País de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly publica seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; bibliografia: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

dylan thomas: a força que do pavio verde inflama a flor

Poesia da Recusa
____________________
[traduzido por Augusto de Campos]

A força que do pavio verde inflama a flor
Inflama a minha idade verde; que rói as raízes das árvores
É a que me destrói.
E mudo eu sou para dizer à rosa curva
Que à minha juventude encurva a mesma febre de inverno.

A força que através das rochas move a água
Move o meu sangue rubro; que seca os rios vociferantes
Torna em cera os meus rios.
E mudo eu sou para gritar às minhas veias
Que é a mesma boca a sorver a fonte da montanha.

A mão que faz girar a água no charco
Acorda a areia movediça; que amarra o sopro do vento,
Me arma a vela e a mortalha.
E mudo eu sou para dizer ao enforcado
Que a minha argila e a do carrasco são a mesma argila.

O tempo com seus lábios suga as minhas fontes;
O amor goteja e coalha mas o sangue caído
Calmará suas chagas.
E mudo eu sou para dizer ao vento como o tempo
Pulsou um céu em torno das estrelas.

E mudo eu sou para dizer ao túmulo da amante
Que, curvo, em meus lençóis, se arrasta o mesmo verme.

Blog do Castorp: Dylan Thomas - E a morte não terá nenhum domínio
Dylan Thomas

the force that through the green fuse drives the flower

The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.

The force that drives the water through the rocks
Drives my red blood; that dries the mouthing streams
Turns mine to wax.
And I am dumb to mouth unto my veins
How at the mountain spring the same mouth sucks.

The hand that whirls the water in the pool
Stirs the quicksand; that ropes the blowing wind
Hauls my shroud sail.
And I am dumb to tell the hanging man
How of my clay is made the hangman's lime.

The lips of time leech to the fountain head;
Love drips and gathers, but the fallen blood
Shall calm her sores.
And I am dumb to tell a weather's wind
How time has ticked a heaven round the stars.

And I am dumb to tell the lover's tomb
How at my sheet goes the same crooked worm.
____________________
poesia da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo volume 42, 2006, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 1952), nascido em Swansea País de Gales, freqüentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly publica seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; bibliografia: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

dylan thomas: neste meu ofício ou arte

Poesia da recusa - Livros na Amazon Brasil- 9788527307666
____________________
[traduzido por Augusto de Campos]

Neste meu ofício ou arte
Soturna e exercida à noite
Quando só a lua ulula
E os amantes se deitaram
Com suas dores em seus braços,
Eu trabalho à luz que canta
Não por glória ou pão, a pompa
Ou o comércio de encantos
Sobre os palcos de marfim
Mas pelo mero salário
Do seu coração mais raro.

Não para o orgulhoso à parte
Da lua ululante escrevo
Nestas páginas de espuma
Nem aos mortos como torres
Com seus rouxinóis e salmos
Mas para os amantes, braços
Cingindo as dores do tempo,
Que não pagam, louvam, nem
Sabem do meu ofício ou arte.

Britain's last romantic poet Dylan Thomas
Dylan Thomas

In my craft or sullen art

In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labour by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.
____________________
poesia da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo volume 42, 2006, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 1952), nascido em Swansea — País de Gales, freqüentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly publica seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; bibliografia: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

dylan thomas: e a morte não terá domínio

Poesia da Recusa
____________________
[traduzido por Augusto de Campos]

E a morte não terá domínio.
Nus, os mortos hão de ser um.
Com o homem ao léu e a lua em declínio.
Quando os ossos são só ossos que se vão,
Estrelas nos cotovelos e nos pés;
Mesmo se loucos, hão de ser sãos,
Do fundo do mar ressuscitarão
Amantes podem ir, o amor não.
E a morte não terá domínio.

E a morte não terá domínio.
Sob os turvos torvelinhos do mar
Os que jazem já não morrerão ao vento,
Torcendo-se nos ganchos, nervos a desfiar,
Presos a uma roda, não se quebrarão,
A fé em suas mãos dobrará de alento,
E os males do unicórnio perderão o fascínio,
Esquartejados não se racharão.
E a morte não terá domínio.

E a morte não terá domínio.
Os gritos das gaivotas não mais se ouvirão
Nem as ondas altas quebrarão nas praias.
Onde uma flor brotou não poderá outra flor
Levantar a cabeça às lufadas da chuva;
Embora sejam loucas e mortas como pregos,
Testas tenazes martelarão entre margaridas:
Irromperão ao sol até que o sol se rompa,
E a morte não terá domínio.

Dylan Thomas

and death shall have no dominion

And death shall have no dominion.
Dead man naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan’t crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.
____________________
poesia da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo volume 42, 2006, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 1952), nascido em Swansea País de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly publica seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; bibliografia: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.

terça-feira, 14 de abril de 2020

dylan thomas: a mão que assina o ato assassina a cidade . . .

____________________
[traduzido por Augusto de Campos]

A mão que assina o ato assassina a cidade.
Cinco dedos reais taxam o ar  é a lei.
Cevam o morticínio e ceifam um país;
Os cinco reis que dão cabo de um rei.

A mão que manda mana de um ombro em declínio,
Cãibras deduram nós nos dedos que a cal cala.
Penas de ganso firmam o assassínio
Que pôs fim a uma fala.

A mão que assina o pacto traz a peste,
Praga e devastação, o gafanhoto e a fome;
Grande é a mão que pesa sobre o homem
Ao rabisco de um nome.

Os cinco reis contam os mortos mas não curam
A crosta da ferida e o rosto já sem cor.
A mão rege a clemência como a outra os céus.
Mãos não têm lágrimas a expor.

NPG P1683; Dylan Thomas - Portrait - National Portrait Gallery
Dylan Thomas

the hand that signed the paper felled a city

The hand that signed the paper felled a city;
Five sovereign fingers taxed the breath,
Doubled the globe of dead and halved a country;
These five kings did a king to death.

The mighty hand leads to a sloping shoulder,
The finger joints are cramped with chalk;
A goose’s quill has put an end to murder
That put an end to talk.

The hand that signed the treaty bred a fever,
And famine grew, and locusts came;
Great is the hand the holds dominion over
Man by a scribbled name.

The five kings count the dead but do not soften
The crusted wound nor pat the brow;
A hand rules pity as a hand rules heaven;
Hands have no tears to flow.
____________________
poesia da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo volume 42, 2006, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914  1952), nascido em Swansea  País de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos, logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933  publica no New English Weekly publica seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; bibliografia: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.