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domingo, 18 de abril de 2010

Itagyba Kuhlmann: Entretanto Danço

À Wilma

Vivo enquanto passo
Enquanto passo posso
Posso enquanto encanto passo
Passo enquanto posso ser.

Canto enquanto posso
Enquanto posso passos
Passos enquanto em canto passo
Passo encanto passos sei.

No entanto canto tanto
Encanto passo tanto
Encanto posso em canto
Tanto quanto posso ser.

E no entanto, entre tantos,
No meu canto em pranto.
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Inverno 1997 - Itagyba Kuhlmann (1945 - 2009) vive, na memória, pelo que fez. Foi poeta, cronista, livreiro, professor, web designer, padeiro, cantor, compositor, marceneiro, criador de coelhos, pai, avô, marido e amante, companheiro...

Itagyba Kuhlmann: Apresentação (1975)

Eu sou gente:
Animal racional,
Mamífero da ordem dos primatas,
Da espécie Homo-sapiens.

E necessito de outros
Animais racionais,
Mamíferos
Da ordem dos primatas,
Da espécie Homo-sapiens,
Para com eles repartir minha vida.

Como animais de outras espécies
Que se alimentam de tudo,
Sou onívoro
E me alimento até
De esperança.

Eu sou gente:
Sexo masculino,
E necessito,
Urgente,
De um outro ser humano,
Do sexo oposto,

Disposto a deixar de ser oposto
Para ser complementar.

No meu peito existe
Um músculo
Parassimpático
Chamado coração
Que distribui
Sangue pelo meu corpo.

E amor...

O ritmo do coração
É desespero,
O ritmo da minha poesia.
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Itagyba Kuhlmann (1945 - 2009) vive, na memória, pelo que fez. Foi poeta, cronista, livreiro, professor, web designer, padeiro, cantor, compositor, marceneiro, criador de coelhos, pai, avô, marido e amante, companheiro....

sábado, 19 de dezembro de 2009

Jorge Nagao: Memórias póstumas da Folha - Itagyba Kuhlmann

A seção de falecimentos dos jornais causa um certo desconforto no leitor que instintivamente muda rapidamente de página. A Folha de São Paulo inovou e reservou um canto daquela seção para homenagear não só os mortos ilustres como também as pessoas comuns ou não tão famosas. Lá o leitor toma conhecimento da partida e de detalhes relevantes da vida de alguém contada de uma forma singela e humana. Quem não se deteve naquele canto e não ficou imaginando a trajetória de alguém que sequer conheceu, mas que, pelo relato, gostaria de ter conhecido? Quando a pessoa homenageada é alguém que conhecemos, aí cala fundo o coração da gente.

No começo de abril, citei o Itagyba no texto "O e-mail que caiu do Céu". O Barão de Itararé se referindo a nós que o homenageamos num site, dizia no final da mensagem: - Até qualquer dia porque quem é vivo sempre desaparece. E não é que naquele mesmo dia, o Itagyba partia para se encontrar com o Barão?! Na semana seguinte, aquela seção da Folha o homenageou. Estevão Bertoni chamou-o de O "Braço de Pedra" de Embu das Artes, tradução de seu nome em tupi-guarani. O filho de Moysés Kuhlmann, um dos botânicos fundadores do Jardim Botânico de SP, era poeta, humorista e webdesigner, além de cantor. Faltou dizer que durante o velório houve um delicado sarau apresentado pela própria família. Foi muito bonito, disse o amigo Genésio, frequentador dos saraus dos Kuhlmann. "A minha maior obra é a minha família", costumava dizer Itagyba, revelou Wilma sua companheira por 38 anos e que lhe deu seis filhos: Ubiratan(Bira), Uirá, Yurê, Itagyba, Mayra e Iberê. Wilma Abondanza é regente de corais e foi uma das vocalistas do Pessoal de Santana do histórico disco "Estudando o Samba", de Tom Zé, em 1975. Maurício, o famoso MZK dos quadrinhos, é filho do primeiro casamento de Itagyba.

Que os outros jornais imitem a Folha e registrem não só o nome, idade, se deixa filhos e a última morada, mas que registrem também sobre a vida de alguém "que não passou pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu". A morte é de morte. Carregou nossos avós, ronda nossos pais e ainda paquera despudoradamente a nossa geração, distribuindo cartões amarelos e até vermelhos. Nosotros que já estamos no segundo tempo deste jogo, tenhamos cuidado com as faltas (excessos) porque esta juíza implacável pode decidir a nossa "partida". Enquanto isso, dá um tempo, Meritíssima, e deixe a vida me levar "até um dia, até talvez, até quem sabe?"
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CARONA - Trabalhei com Itagyba Kuhlmann no jornal Expresso Zona Norte", em 1995, uma aventura do inquieto Antonio Gomide. Itagyba que também foi colunista dos jornais Fato Expresso e Cidade da Serra, em Embu, criava pseudônimos de acordo com o assunto que abordava. Eis alguns: Tio Marcos da Portela Aquele Abraço, partidário do apartidarismo; Bonifrate Mário Neto, um repórter que não se vende separadamente; Madame Quiromana, astróloga evidente; Joermil Percenting, analista econômico em palavras; Saene Cordeiro, seu nome não é Enéas nem de trás pra frente; Jeca Kfuro, comentarista sem esportiva, entre outros.
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Jorge Nagao é cronista, frasista, humorista, colunista, moitista e ativista da palavra.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Itagyba Kuhlmann: Poema concreto

Poema de pedra britada
Misturado com areia grossa
Poema de cimento misturado...
Misturado com lágrima.
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Primavera 1997 - Itagyba Kuhlmann (1945 - 2009) vive, na memória, pelo que fez. Foi poeta, cronista, livreiro, professor, web designer, padeiro, cantor, compositor, marceneiro, criador de coelhos, pai, avô, marido e amante, companheiro...