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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Luiz Edmundo*: Olhos Tristes


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Olhos tristes, que são como dois sóis num poente,
Cansados de luzir, cansados de girar,
Olhos de quem andou na vida, alegremente,
Para depois sofrer, para depois chorar.

Andam neles agora a vagar, lentamente,
Como as velas das naus sobre as águas do mar,
Todas as ilusões do vosso sonho ardente.
Olhos tristes, vós sois dois monges a rezar.

Ouço ao ver-vos, assim, tão cheios de humildade,
Marinheiros cantando a canção da saudade
Num coro de tristeza e de infinitos ais...

Olhos tristes, eu sei vossa história sombria
E sei quanto chorais cheios de nostalgia
O sonho que passou e que não torna mais!

(Poesias, 1896-1907)
Poesias. 4ª ed. Rio de Janeiro: Companhia Civilização, 1944, pp.13-14.

* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que a organizadora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz de Mello Pereira da Costa; este aprendiz acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.

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Luiz Edmundo — Série Essencial 41, Academia Brasileira de Letras, Organização e Notas de Maria Inez Turazzi, 2011, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Luiz ‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador, memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos (1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI (peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo — 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941), Recordações do Rio antigo (1950), ...; pertenceu à ABL  Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Luiz Edmundo*: O Beijo e o Vinho


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Tu te lembras, estouvada,
Quando, sem modos, sem pejo,
Enchendo a boca de vinho,
Passaste-o, devagarinho,
À minha boca, num beijo?
Achei a idéia engraçada
E original o manejo...
A tua boca encarnada,
A beijar-me, de mansinho,
Sorria pelo meu beijo,
Toda manchada de vinho.
Desde esse dia não vejo,
Para minha alma embriagada,
Outra boca em meu caminho.
A causa, entanto, estouvada,
Dessa embriaguez de desejo,
Mais doce que o teu carinho,
Não pude ter decifrada...
Não sei se foi o teu beijo...
Não sei se foi o teu vinho...

Poesias. 4ª ed. Rio de Janeiro: Companhia Civilização, 1944, pp.77-78.

* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que a organizadora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz de Mello Pereira da Costa; este aprendiz acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.

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Luiz Edmundo — Série Essencial 41, Academia Brasileira de Letras, Organização e Notas de Maria Inez Turazzi, 2011, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Luiz ‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador, memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos (1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI (peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo — 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941), Recordações do Rio antigo (1950), ...

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Luís Edmundo da Costa: Quando o sol da ventura empalidece . . . [soneto]


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Quando o sol da ventura empalidece
E a gente sofre, e chora, e se amargura,
Sentindo a alma ferida que estremece
A debater-se numa noite escura.

Diz o homem, sempre ansioso de ventura:
É uma nuvem que passa!” E a dor esquece
E o sol de novo espera e a luz procura
E ela chega e depois desaparece.

E esta é a vida imperfeita. E viva o mundo,
Mergulhado ao sonho mais profundo,
Sempre a espera da nuvem que o ameaça...

E sempre atrás de um bem que não existe,
A repetir à alma cansada e triste:
É uma nuvem ligeira!... A nuvem passa!


* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que, em Luiz Edmundo — Série Essecial 41, Academia Brasileira de Letras, a organizadora/autora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz de Mello Pereira da Costa; este aprendiz ainda acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Luiz ‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador, memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos (1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI (peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo — 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941), Recordações do Rio antigo (1950), ...; pertenceu à ABL Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Luiz Edmundo*: Olhos Alegres


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Há uma lágrima, sempre, atenta em nossos olhos,
Uma lágrima branca, uma lágrima pura,
E assim como no mar os traiçoeiros escolhos,
Ela, escondida, a flor das pálpebras procura.

Aí fica parada; os íntimos refolhos
Da nossa alma reflete, e, quando uma ventura
Em riso nos entreabre os lábios, com doçura,
Ela, a lágrima fica a nos tremer nos olhos.

Tu, que és moça e que ris e não sabes da mágoa
Do mundo, tem cuidado, olha essa gota d’água,
Se não queres da vida achar-te entre os abrolhos;

Ri, mas ri devagar, que a lágrima traiçoeira,
Talvez, vendo-te rir assim dessa maneira,
Trema e caia afinal um dia dos teus olhos!

[Poesias, 1907.]
Poesias. 4ª ed. Rio de Janeiro: Companhia Civilização, 1944, pp.15-16.


* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que a organizadora/autora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz de Mello Pereira da Costa; este aprendiz ainda acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.
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Luiz Edmundo — Série Essencial 41, Academia Brasileira de Letras, Organização e Notas de Maria Inez Turazzi, 2011, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Luiz ‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador, memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos (1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI (peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941), Recordações do Rio antigo (1950), ...; pertenceu à ABL Academia Brasileira de Letras.