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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Araújo Figueredo: Recordando

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(Para a alma de Cruz e Sousa)

Recordas? Esta praia é a mesma onde viveste
Longos anos comigo. É a mesma na brancura,
A mesma na alegria, a mesma na frescura;
E se espelha no mar o mesmo azul celeste.

Os versos virginais que sempre lhe fizeste,
E os que eu também lhe fiz, rimados de doçura,
Correm por esse mar, pela imensa planura:
São perfumes sutis de um roseiral agreste.

Recordas? Esta praia é sempre a mesma praia,
E quando morre o sol, e quando a luz desmaia,
Continua a embalar, entre os ventos dispersos,

Esse anseio de amor, que sonhamos outrora,
E que palpita e vibra, e que renasce e chora,
E vive a soluçar nos meus e nos teus versos.

(“Praias da minha terra”, in Poesias, pág. 15.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Juvêncio de Araújo Figueredo (1865 1927), catarinense de Desterro, hoje cidade de Florianópolis, foi tipógrafo, jornalista, promotor público, professor e poeta; colaborou em vários jornais, tanto de sua terra como de vários pontos do país; além de promotor, exerceu outras funções públicas; foi fundador de um colégio na cidade de Laguna SC, onde também lecionou durante dois anos; em alguns dos periódicos por onde transitou também atuou como tipógrafo; bibliografia: Madrigais (1888), que ele mesmo compôs, como tipógrafo profissional, Ascetérios (1904), e deixou inéditos outros dois volumes de poemas, um deles, Praias de minha terra (1927) e também a autobiografia, incompleta, No Caminho do Destino; em 1966, foi editado Poesias — Edição comemorativa do Centenário.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Araújo Figueiredo: As nossas ânsias

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Para as estrelas vão as nossas ânsias;
Todas as ânsias que na Dor sentimos...
São aves que se perdem nas distâncias;
E, nas asas dos sonhos, as seguiram.

E lá, mais delicadas que fragrâncias
Dos liriais que no caminho vimos,
Todas elas, vestidas de flamâncias,
São as árias da luz, que no ar ouvimos.

Mas as ânsias que vão, serenamente,
Para as estrelas, e por lá, na albente
Doçura casta das estrelas ficam.

São, com certeza, aquelas que, no mundo,
Neste sinistro báratro profundo,
Nos cadinhos do amor se purificam.

Versos Antigos, Poesias (1966)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo, Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora, São Paulo — SP; Juvêncio de Araújo Figueiredo (1865 — 1927), catarinense de Desterro, hoje cidade de Florianópolis, foi tipógrafo, jornalista, promotor público, professor e poeta; colaborou em vários jornais, tanto de sua terra como de vários pontos do país; escreveu e publicou Madrigais (1888), que ele mesmo compôs, como tipógrafo, Ascetérios (1904), e deixou inéditos outros dois volumes de poemas, e também a autobiografia, incompleta, No Caminho do Destino; além de promotor, exerceu outras funções públicas.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Araújo Figueiredo: A caminho do nada

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Ah! que tumultuar misterioso de ideias!
Mas, a ideia que eu tinha era a de ver-me andando
Por um caminho atroz, de báratros e teias,
À penumbra de um sol no Ocaso agonizando.

Um frio tumular corria-me nas veias;
E eu não sei se andava ou se ia cambaleando,
Pois dos meus rudes pés fugiam-me as areias
Desse caminho atroz que a Dor ia cavando.

Reparei-me, e afinal achei-me amortalhado:
Mãos em cruz sobre o peito, atramente gelado,
E à minha boca um goivo, e o Fel abrindo espumas!

Hora do pálio roxo e triste da Ansiedade,
Em que eu via morrer a minha mocidade
Na agonia feral de um luar entre brumas!

(Os anais, 5 de janeiro de 1905,
 pág. 3, Rio de Janeiro.)
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Juvêncio de Araújo Figueiredo (1865  1927), catarinense de Desterro, hoje cidade de Florianópolis, foi tipógrafo, jornalista, promotor público, professor e poeta simbolista; colaborou em vários jornais de sua terra e de vários pontos do país; escreveu e publicou Madrigais (1888), que ele mesmo compôs, como tipógrafo, Ascetérios (1904), deixando inéditos outros dois volumes de poemas e também a autobiografia, incompleta, No Caminho do Destino; além de ter sido promotor, exerceu outras funções públicas; alguns biógrafos o dão como nascido em 1864.