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(Para a alma de Cruz e Sousa)
Recordas? Esta praia é a mesma onde viveste
Longos anos comigo. É a mesma na brancura,
A mesma na alegria, a mesma na frescura;
E se espelha no mar o mesmo azul celeste.
Os versos virginais que sempre lhe fizeste,
E os que eu também lhe fiz, rimados de doçura,
Correm por esse mar, pela imensa planura:
São perfumes sutis de um roseiral agreste.
Recordas? Esta praia é sempre a mesma praia,
E quando morre o sol, e quando a luz desmaia,
Continua a embalar, entre os ventos dispersos,
Esse anseio de amor, que sonhamos outrora,
E que palpita e vibra, e que renasce e chora,
E vive a soluçar nos meus e nos teus versos.
(“Praias da minha terra”, in Poesias, pág. 15.)
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro
— Volume 1, (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução,
Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura
— Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Juvêncio de Araújo Figueredo (1865
— 1927), catarinense de Desterro, hoje cidade de Florianópolis, foi tipógrafo, jornalista,
promotor público, professor e poeta; colaborou em vários jornais, tanto de sua terra
como de vários pontos do país; além de promotor, exerceu outras funções
públicas; foi fundador de um colégio na cidade de Laguna — SC, onde também lecionou
durante dois anos; em alguns dos periódicos por onde transitou também atuou
como tipógrafo; bibliografia: Madrigais (1888), que ele mesmo compôs, como tipógrafo
profissional, Ascetérios (1904), e deixou inéditos outros dois volumes de poemas,
um deles, Praias de minha terra (1927) e também a autobiografia, incompleta, No
Caminho do Destino; em 1966, foi editado Poesias — Edição comemorativa do Centenário.




