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Já me disseram que
esta poesia nada vale,
que vive na
morte!
Talvez...
Talvez que eu
não consiga
ser aquilo que
canto,
pela íntima
pobreza do meu ser.
Talvez que toda
a minha miséria
de velhos
farrapos sujos
nela se cubra de
vestes ricas e limpas
para iludir.
A minha única
resposta é apenas esta:
muitos dos medos
que me oprimiam
se desfizeram;
muitos apegos
que me estrangulavam
já se
desenroscaram
de minha outrora
garganta ansiada!
Começo — sinto — a respirar um novo ar,
e vejo que meus
passos me conduzem
para uma terra
que conheço!
Campo Grande,
28.1.46
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Fonte Na Serra, poemas — Carta-prefácio
de Jaime Bruna, 1959, Editora Brasiliense Ltda., São Paulo — SP; Manoel
Cerqueira Leite (1916 — 1975), paulista de Sarapuí, formado pela
USP — Universidade de São Paulo foi poeta, crítico literário, professor de
literatura brasileira (USP e UNESP) e colaborou com jornais da capital e do
interior paulista (O Democrata — Itapetininga, Jornal de São Paulo, Folha da Manhã — São Paulo); escreveu e publicou: Terra Verde, poemas (1946), Água na Cuia, sonetilhos (1948), Fonte na Serra, poemas (1959), Rumo (textos da década de 50 e 60, estudos literários, 1976), A Crítica Funcional I, II, III e IV (crítica literária), Introdução à Literatura Brasileira, etc.