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[traduzido por Cecília Meireles]
Toda vestida de branco,
muito engomadinha e quieta,
à porta de sua casa
estava a menina preta.
Grande laçarote branco
lhe ornamentava a cabeça;
e, pelo pescoço, muitas
voltas de contas vermelhas.
As outras crianças do bairro
brincavam com as companheiras.
As outras crianças do bairro
nunca brincavam com ela.
Toda vestida de branco,
muito engomadinha e quieta,
no seu silêncio sem lágrimas
chorava a menina preta.
Toda vestida de branco,
muito engomadinha e quieta,
dentro de um caixão de pinho
descansa a menina preta.
Um anjo branco à presença
de Deus a menina leva.
Não sabe a menina preta
se há de estar triste ou alegre.
Deus afaga-lhe a cabeça,
contemplando-a docemente,
e um lindo par de asas brancas
às suas espáduas prende.
Com seus dentes de canjica
sorri a menina preta.
Deus chama todos os anjos
e diz: “vão brincar com ela!”
Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Luis Cóndor Malmierca Cané (1897 — 1957), argentino de Mercedes, província de Buenos Aires, foi notário, escritor, jornalista e poeta; estreou na literatura com Mal estudiante (poesias, 1925); sua poesia foi influenciada por poetas da Idade de Ouro da Espanha, Quevedo, Gôngora e Lope de Veja; bibliografia: em poesia, Mal estudiante (1925), Tiempo de vivir (1927), Romancero del Rio de la Plata (1936), Cancionero de Buenos Aires (1937), Nuevos romances y cantares de la colonia (1938), Tu amor y veinte centavos (1945), em prosa, Marido para mi hermanita, El amor de las muchachas, Romance de la niña negra, para teatro, Vanidad, La mujer que yo he soñado, Um agujero para mirar el cielo.
[traduzido por Cecília Meireles]
Toda vestida de branco,
muito engomadinha e quieta,
à porta de sua casa
estava a menina preta.
Grande laçarote branco
lhe ornamentava a cabeça;
e, pelo pescoço, muitas
voltas de contas vermelhas.
As outras crianças do bairro
brincavam com as companheiras.
As outras crianças do bairro
nunca brincavam com ela.
Toda vestida de branco,
muito engomadinha e quieta,
no seu silêncio sem lágrimas
chorava a menina preta.
Toda vestida de branco,
muito engomadinha e quieta,
dentro de um caixão de pinho
descansa a menina preta.
Um anjo branco à presença
de Deus a menina leva.
Não sabe a menina preta
se há de estar triste ou alegre.
Deus afaga-lhe a cabeça,
contemplando-a docemente,
e um lindo par de asas brancas
às suas espáduas prende.
Com seus dentes de canjica
sorri a menina preta.
Deus chama todos os anjos
e diz: “vão brincar com ela!”
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| Luis Cané |
El
romance de la niña negra
Toda vestida de blanco,
almidonada y compuesta,
en la puerta de su casa
estaba la niña negra.
Un erguido moño blanco
decoraba su cabeza;
collares de cuentas rojas
al cuello le daban vueltas.
Las otras niñas del barrio
juegan en la vereda;
las otras niñas del barrio
no quieren jugar con ella.
Toda vestida de blanco,
almidonada y compuesta,
en un silencio sin lágrimas,
lloraba la niña negra...
Toda vestida de blanco,
almidonada y compuesta,
en un féretro de pino
reposa la niña negra.
A la presencia de Dios
un ángel blanco la lleva;
la niña negra no sabe
si ha de estar triste o contenta.
Dios la mira dulcemente,
le acaricia la cabeza
y hermosas alas blancas
a sus espaldas sujeta.
Los dientes de mazmorra
brillan en la niña negra.
Dios llama a los ángeles
y dice: ¡Jugad con ella!
____________________Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Luis Cóndor Malmierca Cané (1897 — 1957), argentino de Mercedes, província de Buenos Aires, foi notário, escritor, jornalista e poeta; estreou na literatura com Mal estudiante (poesias, 1925); sua poesia foi influenciada por poetas da Idade de Ouro da Espanha, Quevedo, Gôngora e Lope de Veja; bibliografia: em poesia, Mal estudiante (1925), Tiempo de vivir (1927), Romancero del Rio de la Plata (1936), Cancionero de Buenos Aires (1937), Nuevos romances y cantares de la colonia (1938), Tu amor y veinte centavos (1945), em prosa, Marido para mi hermanita, El amor de las muchachas, Romance de la niña negra, para teatro, Vanidad, La mujer que yo he soñado, Um agujero para mirar el cielo.
