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Eu sou aquele que, às mãos vazias,
Lírico, louco, encontraram pelas
Ruas do mundo, pobre de alegrias,
Tecendo sonhos, semeando
estrelas...
Eu sou aquele que, nas noites
frias,
Sonhou amadas e, pensando tê-las,
Compôs as mais pungentes elegias
Na antevisão tristonha de perdê-las.
Eu sou aquele que, vagando a esmo,
Busca encontrar na alma de si mesmo
O elementar princípio do Não Ser...
Eu sou, fim, o doido visionário
Que traz em si o sonho milenário
De ser feliz à sombra do sofrer.
De ser feliz à sombra do sofrer.
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232 Poetas
Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968,
Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Nidoval Tomé Reis (1922 — 1985), paulista do distrito de Laranjeiras, Barretos (atual município de
Colômbia), cursou apenas o primário e largou os estudos; exerceu o ofício de tipógrafo
a partir dos 14 anos e cujo emprego deixou aos 17, por ter contraído
tuberculose; entre as muitas internações para tratamento da doença, cantou em rádio
e também trabalhou como pintor e tintureiro, tendo também trabalhado nos sanatórios
por onde passou; já livre das internações, foi redator, repórter, diretor de rádio
e correspondente em várias cidades (Americana, Rio de Janeiro, São Paulo,
Amparo, Barretos, Belo Horizonte); em Bauru, foi diretor de relações públicas
no Jornal Globo e Delegado Regional da Cultura; o poeta e jornalista Nidoval
Reis, conhecido não só nos meios literários do Brasil, mas também em solo africano e em terra
lusa, teve o seu poema ‘A morte será assim’ eternizado no portão do cemitério
de Coimbra — Portugal; publicou quatro livros de poesias, entre os quais Sob a
Sombra da Desgraça (Editora Pongetti).