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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nidoval Tomé Reis: Eu sou aquele que, às mãos vazias, . . . [soneto]

232 Poetas Paulistas - Antologia Pedro De Alcântara Worms
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Eu sou aquele que, às mãos vazias,
Lírico, louco, encontraram pelas
Ruas do mundo, pobre de alegrias,
Tecendo sonhos, semeando estrelas...

Eu sou aquele que, nas noites frias,
Sonhou amadas e, pensando tê-las,
Compôs as mais pungentes elegias
Na antevisão tristonha de perdê-las.

Eu sou aquele que, vagando a esmo,
Busca encontrar na alma de si mesmo
O elementar princípio do Não Ser...

Eu sou, fim, o doido visionário
Que traz em si o sonho milenário
De ser feliz à sombra do sofrer.
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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Nidoval Tomé Reis (1922 1985), paulista do distrito de Laranjeiras, Barretos (atual município de Colômbia), cursou apenas o primário e largou os estudos; exerceu o ofício de tipógrafo a partir dos 14 anos e cujo emprego deixou aos 17, por ter contraído tuberculose; entre as muitas internações para tratamento da doença, cantou em rádio e também trabalhou como pintor e tintureiro, tendo também trabalhado nos sanatórios por onde passou; já livre das internações, foi redator, repórter, diretor de rádio e correspondente em várias cidades (Americana, Rio de Janeiro, São Paulo, Amparo, Barretos, Belo Horizonte); em Bauru, foi diretor de relações públicas no Jornal Globo e Delegado Regional da Cultura; o poeta e jornalista Nidoval Reis, conhecido não só nos meios literários do Brasil, mas também em solo africano e em terra lusa, teve o seu poema ‘A morte será assim’ eternizado no portão do cemitério de Coimbra Portugal; publicou quatro livros de poesias, entre os quais Sob a Sombra da Desgraça (Editora Pongetti).