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E por vezes as noites duram
meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que
apertamos
nunca mais são os mesmos. E
por vezes
encontramos de nós em poucos
meses
o que a noite nos fez em
muitos anos
E por vezes fingimos que
lembramos
E por vezes lembramos que por
vezes
ao tomarmos o gosto aos
oceanos
só o sarro das noites não dos
meses
lá no fundo dos copos
encontramos
E por vezes sorrimos ou
choramos
E por vezes por vezes ah por
vezes
num segundo se evolam tantos
anos.
[Matura Idade — 1973]
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Poesia portuguesa contemporânea
[várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos
por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP;
David de Jesus Mourão-Ferreira (1927 — 1996), português lisboeta, licenciado em
Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, foi professor universitário, dramaturgo,
jornalista, poeta, romancista, crítico literário e ensaísta; o poeta foi um dos
fundadores das folhas de poesia — revista Távola Redonda, redator da revista
Graal, diretor da Colóquio/Letras e do periódico A Capital, e diretor-adjunto
do jornal O Dia, colaborou no Diário Popular e na revista Seara Nova; foi autor
e ator teatral, manteve programas
radiofônicos e televisivos, escreveu textos para fados de Amália Rodrigues; suas
obras: em poesia: Tempestade de Verão (1954), Os Quatro Cantos do Tempo (1958),
In Memoriam Memoriae (1962), Infinito Pessoal (1962), Do Tempo ao Coração (1966),
A Arte de Amar (reunião das obras anteriores, 1967), Lira de Bolso (1969), Cancioneiro
de Natal (1971), Matura Idade (1973), Sonetos do Cativo (1974), As Lições do Fogo
(1976), Os Ramos e os Remos (1985), Música de Cama (antologia erótica com um livro
inédito, 1994) ..., em prosa: Gaivotas em Terra (novelas, 1959), Os Amantes (contos,
1968), As Quatro Estações (1980), Um Amor Feliz (romance, 1986), Vinte poetas contemporâneos
(ensaios, 1960), Motim Literário (ensaio, 1962), Hospital das Letras (ensaio, 1966),
Discurso Direto (ensaio, 1969), Tópicos de Crítica e de História Literária (ensaios,
1969), Sobre Viventes (ensaio, 1876), Presença da ‘Presença’ (ensaios, 1977), para
teatro: Isolda (1948), Contrabando (1950) e O Irmão (1965); obteve premiações por
suas obras.