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Velhos mitos pagãos da Grécia das legendas!
Fantásticas ficções doiradas do Levante!
Perséfone fugiu do báratro distante,
E anda agora a correr outras estranhas sendas!
Tem vermelhos vulcões na túnica de rendas.
Chamas lambem-lhe os pés, sobem-lhe colo adiante.
Mudam-lhe o rosto em fogo e a cabeça, triunfante,
Conserva o resplendor das trevas e das lendas!
Não lhes faleis de amor, que o dela é cega e vários!
Perséfone fugiu dos diabos e do inferno
Para vos seduzir... Fechai-lhe vossos hinários!
Ela não pode amar... Plutão, por mal eterno,
Ao corpo ideal lhe deu as chamas por vestuários,
Mas na alma infiel lhe pôs toda a algidez do inverno!
(Poesias — 1914. Rio de Janeiro:
Jacintho
Ribeiro dos Santos, pp. 61—2.)
Ribeiro dos Santos, pp. 61—2.)
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Félix Pacheco — Série Essencial 55,
Academia Brasileira de Letras, Organização de Marcos Santarrita, 2012,
Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; José Félix Alves Pacheco (1879 —
1935), piauiense de Teresina, formado em Direito, foi jornalista, político,
poeta e tradutor; trabalhou nos jornais O Debate e Jornal do Commercio, no Rio
de Janeiro; como político, foi deputado, senador e ministro de estado; escreveu
e publicou Chicotadas, poesias revolucionárias (1897), Via Crucis (1900),
Mors-amor (1904), Luar de Amor (1906), Poesias (1914), Ignezita (1915), Tu, Só
Tu (1917), Lírios Brancos (1919), Em louvor de Paulo Barreto (1921), A ‘Canaã’
de Graça Aranha (1931) e outros títulos; traduziu Baudelaire.
