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Passam os cavalos do
tempo
a cavalo passam.
E tu és a viagem
que algum dia
alguém deixou de fazer,
não por perder o navio
mas por perder-se.
Tudo passa
mas tudo fica.
E se outra vez as
estações florescem
entre partir e chegar,
antes era o mar de teu
derramamento
tramado nas ramas de
annamar.
Estrela visceral,
alarga as velas de pouso,
alarga as avenidas,
alarga as alas-alamedas,
o coração é largo quando
é largo o pranto,
quem lavra a terra lavra
a dor.
Passam os cavalos do
tempo
a cavalo passam.
A idade absurda
onde não se colhe
o que se planta,
é o tempo que ilumina
e elimina.
As Annamárias, 1971
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Antologia Poética da Geração 60
— Organizadores: Álvaro Alves de Faria e Carlos Felipe Moisés, e, a título de Posfácio,
o texto ‘A Cidade, os Poetas, a Poesia’, de Cláudio Willer; 2000, Nankin Editorial,
São Paulo — SP; Lindolf Bell (1938
— 1998), catarinense de Timbó, filho de lavradores, formado pela Escola de Arte
Dramática de São Paulo, foi poeta, contador, professor e crítico de artes; liderou
o Movimento Catequese Poética, o qual tinha a iniciativa de conduzir poesia às ruas,
através de recitais e cantorias, o que o tornou reconhecido no Brasil e também no
exterior; obras: Os Póstumos e as Profecias (1962), Os Ciclos (1964), Convocação
(1965), Curta Primavera (1966), A Tarefa (1966), Antologia Poética de Lindolf Bell
(1967), Antologia da Catequese Poética (Lindolf Bell e outros poetas, 1968), As
Annamárias (1971/1979), Incorporação (1974), As Vivências Elementares (1980), O
Código das Águas (premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Artes — APCA,
1984), Setenário (1985), Texto e Imagem (1987), Iconographia (1993), Réquiem (1994);
o poeta teve textos editados em Angola — África, além de ter sido traduzido em edições
de revistas e antologias (italiano, belga, inglês e espanhol).









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