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Na plena solidão de um amplo
descampado,
penso em ti e que tu pensas em mim suponho;
tenho toda a feição de um arbusto isolado,
abstrato o olhar, entregue à delícia de um sonho.
penso em ti e que tu pensas em mim suponho;
tenho toda a feição de um arbusto isolado,
abstrato o olhar, entregue à delícia de um sonho.
O Vento, sob o céu de brumas
carregado,
passa, ora langoroso, ora forte, medonho!
e tanto penso em ti, ó meu ausente amado!
que te sinto no Vento e a ele, feliz, me exponho.
passa, ora langoroso, ora forte, medonho!
e tanto penso em ti, ó meu ausente amado!
que te sinto no Vento e a ele, feliz, me exponho.
Com carícias brutais e com
carícias mansas,
cuido que tu me vens, julgo-me toda tua...
— sou árvore a oscilar, meus cabelos são franças...
cuido que tu me vens, julgo-me toda tua...
— sou árvore a oscilar, meus cabelos são franças...
E não podes saber do meu gozo
violento,
quando me fico assim, neste ermo, toda nua,
completamente exposta à Volúpia do Vento!
quando me fico assim, neste ermo, toda nua,
completamente exposta à Volúpia do Vento!

Nota do Organizador:
Dizia Medeiros e Albuquerque que
em Gilka Machado “o que predomina é essa
nota de sensualidade clamada e proclamada de verso em verso”.
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Poesia Simbolista, Antologia — Introdução,
Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1965, Edições
Melhoramentos, São Paulo — SP; Gilka da Costa Melo Machado (1893 — 1980), nascida no Rio de Janeiro — RJ, vinda de uma família de artistas, também
trazia a arte nas veias: desde criança fazia versos; escreveu e publicou Cristais Partidos (1915), A revelação dos perfumes (1916), Estados
de Alma (1917), Mulher Nua (1922), Meu Glorioso Pecado (1928), Poesia
(1929), Sublimação (1938), Carne e Alma (1938), Meu Rosto (1947),
Velha poesia (1965) e Poesias Completas (1987); foi premiada por
sua obra (Revista O Malho, 1933, e Academia Brasileira de Letras, Prêmio
Machado de Assis, 1979).






