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domingo, 24 de janeiro de 2021

genésio dos santos: fazer sonetos! *

 
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metrificar não é estranha lida
pra este cujo ofício é escrever
sem nem ao dicionário recorrer
pois busco o metro e a rima pela vida.

se a frase já vier pronta, de saída
tudo fica mais simples, reconheço,
e mesmo que ocorra algum tropeço,
confesso, não desisto da investida.

assim vou rabiscando os meus versos
que vêm aos borbotões ou bem dispersos
mas plenos de armadilhas e segredos.

palavras são tão dóceis de domar,
nem bem as acomodo no lugar
silabo uma a uma com os dedos.


* Notas deste aprendiz de blogueiro: este ‘fazer sonetos!’, gestado em 12 de janeiro de 2007, recebeu alteração deste atrevido poeta neste janeiro de 2021  o primeiro verso da primeira estrofe, ‘metrificar não é inglória lida’, passa para ‘metrificar não é estranha lida’; já o ‘Apartheid soneto’, poema visual que ilustra esta página, é de autoria do poeta concreto Avelino de Araújo (* 1963); é isso...
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983  1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Ricardo Aleixo: corpo—casa

Ciclo do Bem - edição set/2019, 275
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já tenho
bem menos
coisas
com que me
preocupar
no caso
de o meu
corpocasa
algum dia
querer que
a gente
vá morar
noutro lugar

Resultado de imagem para ricardo aleixo poeta
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Revista E — Sesc São Paulo, setembro de 2019, nº 3, ano 26; Ricardo Aleixo, nascido em 1960, mineiro de Belo Horizonte, autodidata, é poeta, músico, artista visual/sonoro, artista plástico, editor, produtor cultural, performer e pesquisador de poéticas intermídia; seus textos dialogam por excelência com o concretismo e a etnopoesia; Ricardo Aleixo é editor da revista Roda — Arte e Cultura do Atlântico Negro, pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte; bibliografia: Festim (1992), A Roda do Mundo (em colaboração com Edimilson de Almeida Pereira, 1996), Quem faz o quê? (1999), Trívio (2001), a aranha Ariadne (2003), Máquina Zero (2004), Real irreal (vídeo-poema, 2008), Modelos Vivos (2010), Antiboi (2017), Pesado Demais para a Ventania (antologia poética, 2018), Diário da Encruza (a ser editado, 2019) e outros.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Ricardo Aleixo: [só ex is te mt ri lh as] *

Ciclo do Bem - edição set/2019, 275
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       só     ex     is     te

  mt     ri     lh     as

            na     fl     or     es

ta     po     rq     ue

      ne     mt     od     as

              em     en     te     vi

ra     ár     vo     re

Resultado de imagem para ricardo aleixo poeta


* Nota deste Verso e Conversa: o atrevido aprendiz de blogueiro destas páginas deu título ao poema apenas com o intuito de facilitar sua busca no blogue.
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Revista E — Sesc São Paulo, setembro de 2019, nº 3, ano 26; Ricardo Aleixo, nascido em 1960, mineiro de Belo Horizonte, autodidata, é poeta, músico, artista visual/sonoro, artista plástico, editor, produtor cultural, performer e pesquisador de poéticas intermídia; seus textos dialogam por excelência com o concretismo e a etnopoesia; Ricardo Aleixo é editor da revista Roda — Arte e Cultura do Atlântico Negro, pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte; bibliografia: Festim (1992), A Roda do Mundo (em colaboração com Edimilson de Almeida Pereira, 1996), Quem faz o quê? (1999), Trívio (2001), a aranha Ariadne (2003), Máquina Zero (2004), Real irreal (vídeo-poema, 2008), Modelos Vivos (2010), Antiboi (2017), Pesado Demais para a Ventania (antologia poética, 2018), Diário da Encruza (a ser editado, 2019) e outros.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ricardo Aleixo: Diário da Encruza

Ciclo do Bem - edição set/2019, 275
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Eu penso negro, torto,
esquerdo. Escrevo
do mesmo jeito, e é
assim, também, que vivo.
Na encruzilhada. No meio
do redemunho. Negro.
Torto. Esquerdo. Vivo.

Resultado de imagem para ricardo aleixo
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Revista E — Sesc São Paulo, setembro de 2019, nº 3, ano 26; Ricardo Aleixo, nascido em 1960, mineiro de Belo Horizonte, autodidata, é poeta, músico, artista visual/sonoro, artista plástico, editor, produtor cultural, performer e pesquisador de poéticas intermídia; seus textos dialogam por excelência com o concretismo e a etnopoesia; Ricardo Aleixo é editor da revista Roda — Arte e Cultura do Atlântico Negro, pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte; bibliografia: Festim (1992), A Roda do Mundo (em colaboração com Edimilson de Almeida Pereira, 1996), Quem faz o quê? (1999), Trívio (2001), a aranha Ariadne (2003), Máquina Zero (2004), Real irreal (vídeo-poema, 2008), Modelos Vivos (2010), Antiboi (2017), Pesado Demais para a Ventania (antologia poética, 2018), Diário da Encruza (a ser editado, 2019) e outros.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Elson Fróes: Metábula

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Metábula oh ou
metal em trom
riga em croma
corpo de cronos
lumina em flama
lâminas de fogo

E cospe o assombro
ser semelhe ao ar
ser sem sombras
de dúvidas tecido
no invicto esquecer
insípido sentir

Excessivo ressente-se
esse ser recessos
esplende e esfuma
e espuma e fende-se
descende e pari-se

A metábula respira
torce energias tece
enigmas torna o ar
um oh de olhos e sol
enganos toma por
sonante e sonâmbulo

E engata a sonhar
metáforas na fábula

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Dimensão  Revista Internacional de Poesia  Editor: Guido Bilharinho, Ano XIX  Nº 28/29  1999, Uberaba/Brasil; Elson Fróes, nascido em 1963, paulista e paulistano, formado em Letras pela PUC  SP, é poeta, escritor, poeta-visual e tradutor; seus textos estão publicados em diversos jornais e revistas literárias, como 34 Letras, Bric-a-Brac, Poiésis, Medusa, A Cigarra, Dimensão e outros periódicos; elabora sua poesia-visual utilizando-se de inúmeros recursos gráficos, do artesanal ao eletrônico: bibliografia: Poemas Galegos e Poemas Traduzidos (e-books, 2000), Poemas Diversos (2008), Brinquedos Quebrados; como tradutor, verteu para o português textos de Blake, Cummings, Shakespeare, Sylvia Plath, Ungaretti, Girondo, MacLeish e outros; com o trabalho direcionado à pesquisa em semiótica visual, participou e participa de exposições de poesia visual no Brasil e no exterior; é editor e webmaster do site Popbox.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Anastácio Ayres de Penhafiel: labirinto cúbico

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Ao Excelentíssimo Senhor Vasco Fernandes César de Meneses, Vice-Rei do Estado do Brasil


Nota da edição: A frase IN UTROQUE CESAR * lê-se nas beiras assim: na 1ª linha, de cima para baixo ou da esquerda para a direita; na última, de baixo para cima ou da direita para a esquerda. É possível lê-la a partir de cada I na diagonal: de cima para baixo, virando para a esquerda; de baixo para cima, virando para a direita; para a direita, virando para cima; para a esquerda, virando para baixo. É possível, também, ler em ziguezague, vindo p. ex. de cima para baixo, virando à esquerda, descendo outra vez, virando à esquerda de novo, etc. É mesmo um verdadeiro labirinto.

* Nota deste aprendiz de blogueiro: IN UTROQUE CESAR, frase latina, pode-se traduzir como “há um outro césar” ou “de ambos os lados um césar” (Jayro Luna, em Caderno de Anotações  2005) 
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Poesia Barroca, Antologia — Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Anastácio Ayres de Penhafiel, poeta do Barroco baiano, consta como tendo participado da Academia Brasílica dos Esquecidos, cuja duração foi curta, com sua 18ª e última conferência realizada em 4 de fevereiro de 1725, seu primeiro e único ano social; assinala Péricles Eugênio nos traços biobibliográficos sobre o ‘Labirinto Cúbico’: “Segundo se lê nos próprios Códices dos Esquecidos, trata-se de um anagrama. Pedro Calmon não registra a circunstância, nem se conhece tentativa de identificação do poeta, que assina um labirinto cúbico baseado na expressão in utroque cesar e era dos acadêmicos mais bem dotados.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Genésio dos Santos: poderpodre


PODER
PODER
PODRE
PODRE
PODRE


São Paulo, Brasil  2017
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SPFolha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Augusto de Campos: contemporâneos


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Augusto Luís Browne de Campos, paulista e paulistano, nascido em 1931, poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário e de música, é reconhecido, desde 1952, quando lançou a revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, como um dos criadores, representantes e divulgadores do movimento internacional da Poesia Concreta; a maioria de seus poemas está reunida em Viva Vaia (1979) e Não (2003); obra poética: Antologia Noigandres (1962), Linguaviagem (1970), Equivocábulo (1970), Colidoouescapo (1971), Despoesia, 1979 — 1993 (1994), Poesia é Risco, antologia poéticomusical (cd  livro, 1995); o autor também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu outros autores, em voo solo ou em co-autoria com outros estudiosos da literatura, inclusos Haroldo de Campos e Décio Pignatari.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Da Costa e Silva: Madrigal de um Louco

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Lua!
Camélia
Que  flutua
No azul. Ofélia
Serene e dolente,
Fria,  vagando  pelas
Alturas,      serenamente,
Por entre os lírios das estrelas,
Santelmo aceso  para a Saudade,
Luz     etérea,    sinfônica,     perdida
Entre  os astros de ouro pela  imensidade
Esfinge  da  ilusão no  deserto da vida!...
Lâmpada do Sonho, lívida, suspensa...
Vaso espiritual dos meus cismares,
Sacrário pulcro de minha crença,
Ó rosa  mística  dos  ares! ...
Unge meu ser na apoteose
Da tua luz, e  eu  frua,
Cismando, a pureza
Da luz  e  goze
Toda  a tua
Tristeza,
Lua!
. .
.


Sangue  1908

DA COSTA E SILVA


Nota do Organizador: Os "poemas figurados" (technopaígnia, carmina figurata), já eram usados na Antiguidade e na Idade Média. No Brasil citam-se diversos exemplos a partir da cruz de Fagundes Varela, como o coração de Soares de Souza Júnior, a pirâmide de Mário de Lima e a taça de Hermes Fontes (v. Alberto Faria, Aérides, 1918, Rio, Jacinto Ribeiro dos Santos, págs. 257 — 258).
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Poesia Simbolista, Antologia — Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1965, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885  1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, foi poeta assentado em dois períodos literários  o Simbolismo e o Parnasianismo, e teve seus primeiros poemas divulgados desde 1901; obra poética: Sangue (1908), Zodíaco (1917), Verhaeren (1917), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); consta que nos seus últimos 17 anos de vida teve a mente perturbada.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cassiano Ricardo: Translação

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[Jeremias sem-chorar  1964]


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Roteiro da Poesia Brasileira — Modernismo, Seleção e Prefácio de Walnice Nogueira Galvão, Direção de Edla Van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo — SP; Cassiano Ricardo Leite (1895  1974), paulista de São José dos Campos, foi poeta, ensaísta e jornalista; publicou Borrões de Verde e Amarelo (1926), Vamos Caçar Papagaios (1926), Martim Cererê (1927), Deixa Estar, Jacaré (1931), A Academia e a poesia moderna (ensaio, 1939), O Sangue das Horas (1943), Um Dia Depois do Outro (1947), A Face Perdida (1950), Poemas Murais (1951), O Arranha-céu de Vidro (1956), João Torto e a Fábula (1956), 22 e a poesia de hoje (ensaio, 1962), O Indianismo de Gonçalves Dias (ensaio, 1964), Jeremias sem-chorar (1964), Os sobreviventes (1971), entre tantos outros títulos.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

laboratório: soneto especulativo

[escalada]


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São Paulo, maio de 2015

Minha foto
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, ativista da palavra e aprendiz de blogueiro, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) CincoPoeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SPFolha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991  1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo.