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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Goethe: Canto copta *


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[traduzido por Pedro de Almeida Moura]

Deixai que eruditos disputem e clamem,
Que austeros mestres doutrinem e falem;
A mais sábia gente de todas as eras
Sorri e confirma o que vos declaro:
Nunca esperar que insensatos se emendem;
Eleitos do espírito, ó, tende os dementes,
Como dementes que são, e nada mais!

Merlino, o mago, na gruta radiosa,
Que enlevado eu ouvia, quando moço, falar,
Idêntico preceito timbrava a ensinar:
Nunca esperar que insensatos se emendem;
Eleitos do espírito, ó, tende os dementes,
Como dementes que são, e nada mais!

Lá nas alturas abruptas da Índia,
Bem como nas criptas profundas do Egito,
O verbo sagrado ouvi proclamar:
Nunca esperar que insensatos se emendem;
Eleitos do espírito, ó, tende os dementes,
Como dementes que são, e nada mais!

Goethe

Cophtisches Lied

Lasset Gelehrte sich zanken und streiten,
Streng und bedächtig die Lehrer auch sein!
Alle die Weisesten aller der Zeiten
Lächeln und winken und stimmen mit ein:
Töricht, auf Beßrung der Toren zu harren!
Kinder der Klugheit, o habet die Narren
Eben zum Narren auch, wie sich′s gehört!

Merlin der Alte, im leuchtenden Grabe,
Wo ich als Jüngling gesprochen ihn habe,
Hat mich mit ähnlicher Antwort belehrt:
Töricht, auf Beßrung der Toren zu harren!
Kinder der Klugheit, o habet die Narren
Eben zum Narren auch, wie sich′s gehört!

Und auf den Höhen der indischen Lüfte
Und in den Tiefen ägyptischer Grüfte
Hab′ ich das heilige Wort nur gehört:
Töricht, auf Beßrung der Toren zu harren!
Kinder der Klugheit, o habet die Narren
Eben zum Narren auch, wie sich′s gehört!

* Nota do Organizador Samuel Pfromm Netto: Canto copta (Cophtisches Lied). Musicado por Wolf. Copta refere-se tanto ao idioma egípcio como àqueles que mantiveram as características dos primitivos habitantes das terras egípcias.
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Goethe: Poesias escolhidas [múltiplos tradutores], Organização, Apresentação, Musicografia goetheana e Notas sobre poesias incluídas de Samuel Pfromm Netto e Biografia — A Vida de Goethe e Cronologia de Emil Schostal, 2005, 2ª edição, Editora Átomo e Edições PNA, São Paulo — SP; Johann Wolfgang von Goethe (1749 1832), alemão de Frankfurt am Main (no antigo Sacro Império Romano-Germânico), teve na infância educação de múltiplas faces, formou-se em Direito, polímata, foi poeta, romancista, dramaturgo, diretor teatral, teórico de arte, filósofo, diplomata e funcionário do governo; Goethe realizou suas primeiras obras poéticas (canções e odes) ainda jovem; obras: Die Laune des Verliebten (1768), Götz von Berlinchingen (1771 e 1773), Prometheus (1774), Os Sofrimentos do Jovem Werther (Die Leiden des jungen Werther, 1774), Clavigo (drama, 1774), Urfaust (Fausto Zero, 1775), Egmont (1775), Ifigênia em Táurides (Iphigenie auf Tauris [prosa] 1779 e 1786 [versos]), Torquato Tasso (1789), Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller, 1796), O Aprendiz de Feiticeiro (1797), Hermann e Dorothea (1798), Die natürliche Tochter (18011803), Fausto (parte I, 1806), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807), Teoria das Cores (Farbenlehre, 1810), Aus meinem Leben Dichtung und Wahreit (De minha vida. Poesia e verdade, autobiografia, 18111833), Viagem à Itália (relatos autobiográficos, 18131817), West-östlicher Divan (Divã Ocidento-Oriental, 1819, e versão ampliada em 1827), Fausto (parte II, publicação póstuma, 1832) e muitas outras publicações em poesia, prosa e para dramaturgia; o poeta fez parte de dois movimentos literários importantes na Alemanha, o romantismo e o expressionismo, e influenciou a literatura em todo o mundo; Goethe teve muito de sua poesia musicada por centenas de compositores, entre os quais Beethoven, Franz Schubert, Anna Amalia, Hermann Behn, Hector Berlioz, Arrigo Boito, Johannes Brahms, Luigi Dallapicola, Robert Franz, François Gounod, Franz Liszt, Johann Carl Gottfried Lowe, Gustav Mahler, Mozart, Robert Schumann, Tchaikovsky, Giuseppe Verdi, Richard Wagner...

sábado, 28 de setembro de 2024

Goethe: À que está ausente *


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[traduzido por Pedro de Almeida Moura]

Será mesmo verdade que fugiste de mim?
Que tu, querida, me abandonaste?
Bem suave, ainda, em meus ouvidos soa
Cada palavra tua, a tua voz...

Bem como o olhar do viandante,
Em vão, pela manhã, o céu perscruta, e busca,
No alto, entre as nuvens, a cotovia perdida,
Assim meu angustiado olhar o teu procura.
E os meus cânticos todos te chamam:
Volta, para perto de mim, amada minha!

Goethe

An die Entfernte

So hab ich wirklich dich verloren,
Bist du, o Schöne, mir entflohn?
Noch klingt in den gewohnten Ohren
Ein jedes Wort, ein jeder Ton.

So wie des Wandrers Blick am Morgen
Vergebens in die Lüfte dringt,
Wenn, in dem blauen Raum verborgen,
Hoch über ihm die Lerche singt:

So dringet ängstlich hin und wieder
Durch Feld und Busch und Wald mein Blick;
Dich rufen alle meine Lieder;
O komm, Geliebte, mir zurück!

(c. 1778)

* Nota do Organizador Samuel Pfromm Netto: À que está ausente (An die Entfernte). Músicas de Schubert, Zelter, L. Berger, Reichardt, Tomasek. Esta poesia figura entre as “Lieder”, na obra de Goethe e foi escrita por volta de 1778, quando o poeta tinha 29 anos de idade.
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Goethe: Poesias escolhidas [múltiplos tradutores], Organização, Apresentação, Musicografia goetheana e Notas sobre poesias incluídas de Samuel Pfromm Netto e Biografia — A Vida de Goethe e Cronologia de Emil Schostal, 2005, 2ª edição, Editora Átomo e Edições PNA, São Paulo — SP; Johann Wolfgang von Goethe (1749 1832), alemão de Frankfurt am Main (no antigo Sacro Império Romano-Germânico), teve na infância educação de múltiplas faces, formou-se em Direito, polímata, foi poeta, romancista, dramaturgo, diretor teatral, teórico de arte, filósofo, diplomata e funcionário do governo; Goethe realizou suas primeiras obras poéticas (canções e odes) ainda jovem; obras: Die Laune des Verliebten (1768), Götz von Berlinchingen (1771 e 1773), Prometheus (1774), Os Sofrimentos do Jovem Werther (Die Leiden des jungen Werther, 1774), Clavigo (drama, 1774), Urfaust (Fausto Zero, 1775), Egmont (1775), Ifigênia em Táurides (Iphigenie auf Tauris [prosa] 1779 e 1786 [versos]), Torquato Tasso (1789), Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller, 1796), O Aprendiz de Feiticeiro (1797), Hermann e Dorothea (1798), Die natürliche Tochter (18011803), Fausto (parte I, 1806), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807), Teoria das Cores (Farbenlehre, 1810), Aus meinem Leben Dichtung und Wahreit (De minha vida. Poesia e verdade, autobiografia, 18111833), Viagem à Itália (relatos autobiográficos, 18131817), West-östlicher Divan (Divã Ocidento-Oriental, 1819, e versão ampliada em 1827), Fausto (parte II, publicação póstuma, 1832) e muitas outras publicações em poesia, prosa e para dramaturgia; o poeta fez parte de dois movimentos literários importantes na Alemanha, o romantismo e o expressionismo, e influenciou a literatura em todo o mundo; Goethe teve muito de sua poesia musicada por centenas de compositores, entre os quais Beethoven, Franz Schubert, Anna Amalia, Hermann Behn, Hector Berlioz, Arrigo Boito, Johannes Brahms, Luigi Dallapicola, Robert Franz, François Gounod, Franz Liszt, Johann Carl Gottfried Lowe, Gustav Mahler, Mozart, Robert Schumann, Tchaikovsky, Giuseppe Verdi, Richard Wagner...