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[traduzido por Pedro de Almeida Moura]
Era uma vez uma violeta
Nascida numa campina,
Curvada sobre si mesma, ignorada,
Uma violeta sem par!
Veio vindo uma pastora
Linda, meiga, jovial,
De airoso passo e bom coração,
Veio vindo, veio vindo,
Contente, cantarolando...
— Ai, geme a flor, pobre de mim,
Pudesse eu ser,
A mais formosa flor do mundo,
Por um momento só!
Até que viesse o meu amor
E me colhesse e, assim colhida,
Junto ao seu peito me apertasse,
Por um momento apenas,
Por um momento só!
Veio a pastore e, desastrosa,
Não percebendo a humilde flor,
Aos pés calcou a pobrezinha.
Tombou, coitada, agonizante,
Mas, assim mesmo, se alegrava:
— Porque se morro espezinhada
Ainda assim vale morrer,
Ainda assim feliz sou eu
Calcada aos pés da bem amada.
Das
Veilchen
Ein Veilchen auf der Wiese
stand,
Gebückt in sich und unbekannt,
Es war ein herzig’s Veilchen.
Da kam eine junge Schäferin
Mit leichtem Schritt und
munterm Sinn
Daher, daher,
Die Wiese her, und sang.
Ach! denkt das Veilchen, wär’
ich nur
Die schönste Blume der Natur,
Ach! nur ein kleines Weilchen,
Bis mich das Liebchen
abgepflückt
Und an dem Busen matt gedrückt!
Ach nur, ach nur
Ein Viertelstündchen lang!
Ach! aber ach! das Mädchen kam
Und nicht in acht das Veilchen
nahm,
Ertrat’s das arme Veilchen.
Es sank und starb und freut
sich noch:
Und sterb’ ich denn, so sterb
ich doch
Durch sie, durch sie.
Zu ihren Füssen doch.
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O Livro de Ouro da Poesia
Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã [diversos autores e tradutores],
Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, coleção Clássicos de
Bolso nº 82128, 1985[?], Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Wolfgang von
Goethe (1749 — 1832), alemão de Frankfurt am Main (no antigo Sacro Império
Romano-Germânico), teve na infância educação de múltiplas faces, formou-se em
Direito, polímata, foi poeta, romancista, dramaturgo, diretor teatral, teórico
de arte, filósofo, diplomata e funcionário do governo; Goethe realizou suas
primeiras obras poéticas (canções e odes) ainda jovem; obras: Die Laune des
Verliebten (1768), Götz von Berlinchingen (1771 e 1773), Prometheus (1774), Os
Sofrimentos do Jovem Werther (Die Leiden des jungen Werther, 1774), Clavigo
(drama, 1774), Urfaust (Fausto Zero, 1775), Egmont (1775), Ifigênia em Táurides
(Iphigenie auf Tauris [prosa] 1779 e 1786 [versos]), Torquato Tasso (1789),
Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller, 1796), O Aprendiz de Feiticeiro
(1797), Hermann e Dorothea (1798), Die natürliche Tochter (1801—1803), Fausto
(parte I, 1806), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807), Teoria das
Cores (Farbenlehre, 1810), Aus meinem Leben Dichtung und Wahreit (De minha
vida. Poesia e verdade, autobiografia, 1811—1833), Viagem à Itália (relatos
autobiográficos, 1813—1817), West-östlicher Divan (Divã Ocidento-Oriental,
1819, e versão ampliada em 1827), Fausto (parte II, publicação póstuma, 1832) e
muitas outras publicações em poesia, prosa e para dramaturgia; o poeta fez
parte de dois movimentos literários importantes na Alemanha, o romantismo e o
expressionismo, e influenciou a literatura em todo o mundo; Goethe teve muito
de sua poesia musicada por centenas de compositores, entre os quais Beethoven,
Franz Schubert, Anna Amalia, Hermann Behn, Hector Berlioz, Arrigo Boito,
Johannes Brahms, Luigi Dallapicola, Robert Franz, François Gounod, Franz Liszt,
Johann Carl Gottfried Lowe, Gustav Mahler, Mozart, Robert Schumann,
Tchaikovsky, Giuseppe Verdi, Richard Wagner...