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domingo, 17 de abril de 2022

Jorge Guillén: Galo do Amanhecer

 
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[traduzido por Henriqueta Lisboa]

Meia sombra. Pouca cena.
Arrogante1 irrompe2 o galo.
Eu.
          Eu.
               Eu.
                    Não, não me calo!

E resplendendo ressoa,
tartamelo3
de uma véspera festiva:
Sim.
            Sim.
                  Sim.
                         Quiquiriqui!

Ai!
     Voz ou cor de carmim4,
     eleva-te à luz por mim,
     canta, brilha,
     desafoga-me esta pena.

E diante da aurora pálida
levanta-se a crista: Sim!
(Aberto o céu. Tudo é cena.)


Gallo del amanhecer

(Sombras aún. Poca escena.)
Arrogante irrumpe el gallo.
Yo.
          Yo.
               Yo.
                    ¡No, no me callo!

Y alumbrándose resuena,
Guirigay
De una súbita verbena:
Sí.
         Sí.
             Sí.
                ¡Quiquiriquí!

¡Ay!
Voz o color carmesí,
Álzate a más luz por mi,
Canta, brilla,
Arrincóname la pena.

Y ante la aurora amarilla
La cresta se yergue: ¡Sí!
(Hay cielo. Todo es escena.)

Notas da edição:
1. arrogante: atrevido
2. irrompe: fala
3. tartamelo: tagarela
4. carmim: vermelho
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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Jorge Guillén Álvarez (1893 1984), espanhol de Valladolid, estudou Filosofia, formou-se na Universidade de Granada, doutorou-se na Universidade de Madri, foi professor universitário, poeta, crítico literário e cronista; participante ativo da revista literária Verso y Prosa, teve seus textos críticos e poemas publicados em jornais e revistas: La Libertad, Index, La Verdad, Espanha, La Pluma, El Norte de Castilla, entre outros periódicos; desde 1919 e até 1928 publicou poesias na Revista do Occidente, o que se tornaria a primeira edição de Cântico; em 1936, início da Guerra Civil Espanhola, sofre perseguição, é processado, preso e depois segue para o exílio; obras: Cântico (poesia, 1ª edição em 1928 e outras três edições sempre acrescidas de novos e muitos poemas), Clamor. Maremagnum (poesia, 1957), Linguagem e poesia (prosa, 1962), Rise of the Circumstances (poesia, 1963), Tributo (poesia, 1967), O enredo da obra (prosa, 1969), Y otros poemas (1973), Final (poesia, 1981) etc.; recebeu premiações por sua obra.