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Esse teu lenço que possuo e aperto
De encontro ao peito, quando durmo, creio
Que hei-de um dia, mandar-to, pois roubei-o,
E foi meu crime, em breve, descoberto.
Luto, contudo, a procurar quem certo
Possa nisto servir-me de correio;
Tu nem calculas qual o meu receio,
Se, em caminho, te fosse o lenço aberto...
Porém, ó minha vívida quimera,
Fita as bandas que habito, fita e espera,
Que, enfim, verás em trêmulos adejos,
Em cada ponta um beija-flor pegando,
Ir o teu lenço pelo espaço voando
Pando, enfunado, côncavo de beijos!
(Versos de um simples — 1891)
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização
e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende,
1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (1867 — 1909), alagoano
de Maceió, foi jornalista e poeta; no Rio de Janeiro, trabalhou em diversos periódicos
da época (Gazeta da Tarde, Gazeta de Notícias, A Semana), e nas suas colunas publicava
crônicas e versos; muitas vezes também assinava seus textos com pseudônimos (Filadelfo,
Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio; produziu textos humorísticos para O Filhote,
textos esses reunidos no livro Pimentões (publicado em parceria com Olavo Bilac);
em sua estada em Buenos Aires, como exilado no governo Floriano, colaborou com os
jornais La Nación e La Prensa; escreveu e publicou Versos de um Simples (1891),
Hipnotismo (1900), Horas Mortas (1901), Dicionário de Rimas (com Olavo Bilac, 1905),
Tratado de Versificação (com Olavo Bilac, 1905); o poeta foi um dos fundadores da
Academia Brasileira de Letras.

