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quarta-feira, 24 de abril de 2024

Guimarães Passos: Teu lenço


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Esse teu lenço que possuo e aperto
De encontro ao peito, quando durmo, creio
Que hei-de um dia, mandar-to, pois roubei-o,
E foi meu crime, em breve, descoberto.

Luto, contudo, a procurar quem certo
Possa nisto servir-me de correio;
Tu nem calculas qual o meu receio,
Se, em caminho, te fosse o lenço aberto...

Porém, ó minha vívida quimera,
Fita as bandas que habito, fita e espera,
Que, enfim, verás em trêmulos adejos,

Em cada ponta um beija-flor pegando,
Ir o teu lenço pelo espaço voando
Pando, enfunado, côncavo de beijos!

(Versos de um simples — 1891)

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (1867 1909), alagoano de Maceió, foi jornalista e poeta; no Rio de Janeiro, trabalhou em diversos periódicos da época (Gazeta da Tarde, Gazeta de Notícias, A Semana), e nas suas colunas publicava crônicas e versos; muitas vezes também assinava seus textos com pseudônimos (Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio; produziu textos humorísticos para O Filhote, textos esses reunidos no livro Pimentões (publicado em parceria com Olavo Bilac); em sua estada em Buenos Aires, como exilado no governo Floriano, colaborou com os jornais La Nación e La Prensa; escreveu e publicou Versos de um Simples (1891), Hipnotismo (1900), Horas Mortas (1901), Dicionário de Rimas (com Olavo Bilac, 1905), Tratado de Versificação (com Olavo Bilac, 1905); o poeta foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Guimarães Passos: Eu pecador


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Nas tuas horas de arrependimento,
Pensando em mim, o próprio amor maldizes,
E revolvendo o peito nas raízes,
Falas até nas grades de um convento.

Do gozo, tiras o maior tormento,
Das dores, tiras as mais negras crises;
Nos dias em que nós somos felizes,
Eu leio tudo no teu pensamento.

Tu vês o inferno, quando eu vejo a aurora,
E nos teus olhos, onde a dor se imprime.
Deus nos acena, formosa pecadora.

Bradas ao céu de medo, e ao céu eu brado,
Tu, pedindo perdão para o teu crime,
Eu, pedindo que aumente o teu pecado.

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (1867 1909), alagoano de Maceió, foi jornalista e poeta; no Rio de Janeiro, trabalhou em diversos periódicos da época (Gazeta da Tarde, Gazeta de Notícias, A Semana), e nas suas colunas publicava crônicas e versos; muitas vezes também assinava seus textos com pseudônimos (Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio; produziu textos humorísticos para O Filhote, textos esses reunidos no livro Pimentões (publicado em parceria com Olavo Bilac); em sua estada em Buenos Aires, como exilado no governo Floriano, colaborou com os jornais La Nación e La Prensa; escreveu e publicou Versos de um Simples (1891), Hipnotismo (1900), Horas Mortas (1901), Dicionário de Rimas (com Olavo Bilac, 1905), Tratado de Versificação (com Olavo Bilac, 1905); o poeta foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Guimarães Passos: Na terra estava quando te queria . . . [soneto]

Na terra estava quando te queria
De todas as mulheres diferente,
E olhando a altura com o fervor dum crente
Em nuvem de ouro a tua imagem via.

Na asa encantada que a paixão me abria
Subi, para buscar-te unicamente,
E em cima estando vi-te, de repente,
Na terra, no lugar donde eu saía.

Olhos de amante, que de tal maneira
Andam cheios de lúcida loucura,
Que assim se perdem na maior cegueira.

E vendo aquilo que não há, decerto,
Sonham longe a ilusão de uma ventura
E não vêem a ventura que têm perto.

(Versos de um simples,
 Rio de Janeiro, 1891, p. 82  83.)

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Antologia dos Poetas Brasileiros — Poesia da fase parnasiana, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (1867 1909), alagoano de Maceió, foi jornalista e poeta; no Rio de Janeiro, trabalhou em diversos periódicos da época (Gazeta da Tarde, Gazeta de Notícias, A Semana), e nas suas colunas publicava crônicas e versos; muitas vezes também assinava seus textos com pseudônimos (Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio; produziu textos humorísticos para O Filhote, textos esses reunidos no livro Pimentões (publicado em parceria com Olavo Bilac);  em sua estada em Buenos Aires, como exilado no governo Floriano, colaborou com os jornais La Nación e La Prensa; escreveu e publicou Versos de um Simples (1891), Hipnotismo (1900), Horas Mortas (1901), Dicionário de Rimas (com Olavo Bilac, 1905), Tratado de Versificação (com Olavo Bilac, 1905); o poeta foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Guimarães Passos: Depois

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Para mim, pouco importa a recompensa
Dos meus carinhos, quando te procuro;
Dirão que tens um coração tão duro,
Que pedra alguma há que em rijeza o vença.

Dirão que a calculada indiferença
Com que tu me recebes, é seguro
Condão que tens de todo o meu futuro
Trocar, sorrindo, em desventura imensa.

Dirão... Que importa a mim? Dá-me o teu leito,
Dá-me o teu corpo, fecha-me nos braços,
Une os lábios aos meus, o peito ao peito,

Que eu nem saiba qual seja de nós dois...
Mentem teus beijos? Mentem teus abraços?
Seja tudo mentira... mas depois.

Buenos Aires,
Horas mortas  1901

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Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, Organização, Seleção, Prefácio e Notas de Manuel Bandeira, 1938, Edição do Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro — RJ; Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (1867 1909), alagoano de Maceió, foi jornalista e poeta; no Rio de Janeiro, trabalhou em diversos periódicos da época (Gazeta da Tarde, Gazeta de Notícias, A Semana), e nas suas colunas publicava crônicas e versos, muitas vezes também assinando seus textos com pseudônimos (Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio); produziu textos humorísticos para O Filhote, textos esses reunidos no livro Pimentões (publicado em parceria com Olavo Bilac); em sua estada em Buenos Aires, como exilado no governo Floriano, colaborou com os jornais La Nación e La Prensa; escreveu e publicou Versos de um Simples (1891), Hipnotismo (1900), Horas Mortas (1901), Dicionário de Rimas (com Olavo Bilac, 1905), Tratado de Versificação (com Olavo Bilac, 1905); o poeta foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.