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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Mario García-Guillén: Não canto saudades

A Célia, minha irmã

Que importância tem?
Sei que hoje a poesia,
é mastro sem bandeira
leito sem rio,
praia sem areia.
como diz o profeta,
continua
sem deixar nada novo...
Sei e mesmo assim
canto os versos do impossível
fazendo uma ode
ao infortúnio.
Não é por melancolia
nem canto por saudade,
não.
Meu verso é triste
para fazer mais alegria.
Despertando tua revolta
quero ver se pôsto em movimento
ainda dás sinais de vida.
Quero ver se ressuscitas
ouvindo a poesia,
porque se estiveres morto,
último homem do universo,
se estiveres morto
em teu mundo eletrônico
e mecânico,
... que importância tem a poesia?

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Ensaio V: antologia poética — Grupo Poeco — Só Poesia (vários autores), Apresentação de Thereza Christina Rocque da Motta, 1981, Instituto Mackenzie, Biblioteca George Alexander, São Paulo — SP; Mario García-Guillén (1942 2007), espanhol madrilenho, radicado no Brasil, graduado em Estudos Sociais pela Universidade São Marcos, em São Paulo, e em História Econômica da América Latina e Literatura Espanhola pela USP, foi escritor, autor teatral, crítico literário e poeta; foi correspondente do jornal espanhol La Vanguardia, de Barcelona, e colaborou com jornais paulistas Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e A Tribuna; sua obra, escrita em português, espanhol e italiano, abrangeu prosa, poesia e ensaios históricos; escreveu e publicou Frente 313 (romance, 1969), O Fantasma de Segóvia (romance, 1970), Mar Vazio (poesias, 1970), Duas Horas para fugir (teatro, 1972), Falando de Teatro (1978), Paisagem Íntima (poesia, 1980), Último Encontro (contos, 1981), Viva Pasolini! (teatro, 1984), Concerto Poético (poesia, 1984), Cervantes Numância (teatro, 1990), Rio Tietê (infanto-juvenil, 1994), Evangelho da Quaresma (teatro, 1994), e outros títulos; viveu por mais de quatro décadas em São Paulo e em São Luis do Paraitinga  SP; recebeu prêmios por suas publicações.