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quinta-feira, 27 de abril de 2023

Schlegel: Todo homem inculto é a caricatura de si mesmo. [frag. 63] & outros fragmentos.


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [4] Para grande prejuízo da teoria dos gêneros poéticos frequentemente se negligenciam as subdivisões dos gêneros. Assim, a poesia-de-natureza se divide, por exemplo, em natural e artificial, e a poesia popular em poesia popular para o povo e poesia popular para os de boa condição e doutos.
          [29] Achados chistosos são os provérbios dos homens cultos.
          [52] Há um gênero particular de homens nos quais o entusiasmo do tédio é o primeiro excitamento da filosofia.
          [63] Todo homem inculto é a caricatura de si mesmo.
          [69] Já não temos as pantomimas dos antigos. Em compensação, agora toda a poesia é pantomímica.
          [79] A loucura só é diferente da sandice por ser arbitrária como a tolice. Se essa distinção não é válida, então é bastante injusto encarcerar alguns loucos, deixando outros fazer fortuna. Eles só diferem em grau, não em gênero.
          [94] Todo grande filósofo ainda tem explicado, muitas vezes sem intenção, seus predecessores de tal modo que parece que, antes dele, ninguém os entendeu.

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [4] Zum großen Nachteil der Theorie von den Dichtarten vernachlässigt man oft die Unterabteilungen der Gattungen. So teilt sich zum Beispiel die Naturpoesie in die natürliche und in die künstliche, und die Volkspoesie in die Volkspoesie für das Volk und in die Volkspoesie für Standespersonen und Gelehrte.
          [29] Witzige Einfälle sind die Sprüchwörter der gebildeten Menschen.
          [52] Es gibt eine eigne Gattung Menschen, bei denen die Begeistrung der Langenweile, die erste Regung der Philosophie ist.
          [63] Jeder ungebildete Mensch ist die Karikatur von sich selbst.
          [69] Die Pantomimen der Alten haben wir nicht mehr. Dagegen ist aber die ganze Poesie jetzt pantomimisch.
          [79] Die Narrheit ist bloß dadurch von der Tollheit verschieden, daß sie willkürlich ist wie die Dummheit. Soll dieser Unterschied nicht gelten, so ists sehr ungerecht einige Narren einzusperren, während man andre ihr Glück machen läßt. Beide sind dann nur dem Grade, nicht der Art nach verschieden.
          [94] Immer hat noch jeder große Philosoph seine Vorgänger, oft ohne seine Absicht, so erklärt, daß es schien, als habe man sie vor ihm gar nicht verstanden.

[Athenäums-Fragmente]
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Schlegel: Falso pudor é pretensão à inocência sem inocência. . . . [frag. 31] & outros fragmentos


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [7] Vocês sempre desejam novos pensamentos? Façam algo novo, e se poderá dizer algo novo a respeito. [A. W.]*
          [13] Se jovens de ambos os sexos sabem dançar uma música prazenteira, de modo algum lhes ocorre querer julgar sobre a arte musical. Por que as pessoas têm menos respeito pela poesia?
          [16] Se a essência do cinismo consiste em preferir a natureza à arte, a virtude à beleza e à ciência; em observar apenas o espírito, descuidando da letra a que rigorosamente se atém o estóico; em desprezar incondicionalmente todo valor econômico ou brilho político e em afirmar corajosamente os direitos do arbítrio autônomo; então o cristianismo outra coisa não poderia ser senão cinismo universal.
          [31] Falso pudor é pretensão à inocência sem inocência. As mulheres terão de continuar sendo falsamente pudicas enquanto os homens forem sentimentais, tolos e maus o bastante para delas exigir eterna inocência e falta de cultivo. Pois inocência é a única coisa que pode enobrecer a incultura.
          [36] Ninguém julga uma pintura decorativa e um retábulo, uma opereta e uma música sacra, um sermão e um tratado filosófico pelo mesmo critério. Então por que, à poesia retórica que existe apenas no palco, se fazem exigências que só podem ser preenchidas por uma arte dramática superior?
          [40] Notas a um poema são como aulas de anatomia sobre um assado. [A. W.]

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [7] Ihr verlangt immer neue Gedanken? Tut etwas Neues, so läßt sich etwas Neues darüber sagen. [A.W. Schlegel]
          [13] Wenn junge Personen beiderlei Geschlechts nach einer lustigen Musik zu tanzen wissen, so fällt es ihnen gar nicht ein, deshalb über die Tonkunst urteilen zu wollen. Warum haben die Leute weniger Respekt vor der Poesie?
          [16] Wenn das Wesen des Zynismus darin besteht, der Natur vor der Kunst, der Tugend vor der Schönheit und Wissenschaft den Vorzug zu geben; unbekümmert um den Buchstaben, auf den der Stoiker streng hält, nur auf den Geist zu sehen, allen ökonomischen Wert und politischen Glanz unbedingt zu verachten, und die Rechte der selbständigen Willkür tapfer zu behaupten: so dürfte der Christianismus wohl nichts anders sein, als universeller Zynismus.
          [31] Prüderie ist Prätension auf Unschuld, ohne Unschuld. Die Frauen müssen wohl prüde bleiben, so lange Männer sentimental, dumm und schlecht genug sind, ewige Unschuld und Mangel an Bildung von ihnen zu fodern. Denn Unschuld ist das einzige, was Bildungslosigkeit adeln kann.
          [36] Niemand beurteilt eine Dekorationsmalerei und ein Altarblatt, eine Operette und eine Kirchenmusik, eine Predigt und eine philosophische Abhandlung nach demselben Maßstabe. Warum macht man also an die rhetorische Poesie, welche nur auf der Bühne existiert, Foderungen, die nur durch höhere dramatische Kunst erfüllt werden können?
          [40] Noten zu einem Gedicht, sind wie anatomische Vorlesungen über einen Braten. [A.W. Schlegel]

[Athenäums-Fragmente]

* Nota do tradutor Márcio Suzuki: [A. W.] — August Wilhelm Schlegel [autor do fragmento, conforme registro na Athenaeum].
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Schlegel: O objeto da história é a efetivação de tudo aquilo que é praticamente necessário. [frag. 90] & outros fragmentos.


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [76] A intuição intelectual é o imperativo categórico da teoria.
          [90] O objeto da história é a efetivação de tudo aquilo que é praticamente necessário.
          [96] Quem não filosofa por amor à filosofia, mas usa a filosofia como meio, é um sofista.
          [101] Aquilo que acontece na poesia, ou não acontece nunca, ou acontece sempre. Do contrário, não é verdadeira poesia. Não se pode ser obrigado a acreditar que esteja efetivamente acontecendo agora.
          [106] A apreciação moral é inteiramente oposta à apreciação estética. Lá, a boa vontade é o valor de tudo; aqui, de absolutamente nada. A boa vontade de ser chistoso é, por exemplo, a virtude de um palhaço. No chiste, querer só pode consistir em suprimir as barreiras convencionais e em deixar o espírito livre. O mais chistoso seria, contudo, quem o fosse não apenas sem querer, mas também contra a sua vontade, assim como o bienfaisant bourru¹ é no fundo o mais benévolo dos caracteres. [A. W.]²
          [127] Klopstock³ é um poeta gramatical, e um gramático poético. [A. W.]

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [76] Die intellektuale Anschauung ist der kategorische Imperativ der Theorie.
          [90] Der Gegenstand der Historie ist das Wirklichwerden alles dessen, was praktisch notwendig ist.
          [96] Wer nicht um der Philosophie willen philosophiert, sondern die Philosophie als Mittel braucht, ist ein Sophist.
          [101] Was in der Poesie geschieht, geschieht nie, oder immer. Sonst ist es keine rechte Poesie. Man darf nicht glauben sollen, daß es jetzt wirklich geschehe.
          [106] Die moralische Würdigung ist der ästhetischen völlig entgegengesetzt. Dort gilt der gute Wille alles, hier gar nichts. Der gute Wille witzig zu sein, zum Beispiel, ist die Tugend eines Pagliaß. Das Wollen beim Witze darf nur darin bestehen, daß man die konventionellen Schranken aufhebt, und den Geist frei läßt. Am witzigsten aber müßte der sein, der es nicht nur ohne es zu wollen, sondern wider seinen Willen wäre, so wie der bienfaisant bourru eigentlich der allergutmütigste Charakter ist. [A.W. Schlegel]
          [127] Klopstock ist ein grammatischer Poet, und ein poetischer Grammatiker. [A.W. Schlegel]

[Athenäums-Fragmente]

Notas do tradutor Márcio Suzuki:
1. Bienfaisant bourru (“bruto de bom coração”) está em francês no original;
2. [A. W.] — August Wilhelm Schlegel [autor do fragmento, conforme registro na Athenaeum].
3. Gottlieb Friedrich Klopstock (1724 — 1803), poeta, autor do poema épico O Messias. No número 1, volume 1, da revista Athenäum, August publica um texto intitulado As línguas. Uma conversa sobre as conversas gramáticas de Klopstock.
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Schlegel: Muitas obras dos antigos se tornaram fragmentos. . . . [frag. 24] & outros fragmentos


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [5] Aquilo que se chama de boa sociedade é no mais das vezes apenas um mosaico de caricaturas polidas.
          [12] De muito monarca se disse: teria sido um homem bem amável como pessoa privada, só não servia para rei. Não ocorre porventura o mesmo com a Bíblia? Não é também apenas um amável livro de uso privado, que só não deveria ser Bíblia?
          [15] O suicídio é habitualmente apenas uma ocasião, raramente uma ação. Se é uma ocasião, o autor sempre está errado, como a criança que quer se emancipar. Mas se é uma ação, não se trata absolutamente de direito, mas somente de conveniência. Pois apenas a ela está sujeito o arbítrio, que deve determinar tudo o que, como o aqui e o agora, não pode ser determinado nas puras leis, e pode determinar tudo o que não aniquila o arbítrio de outros e, com isso, a si mesmo. Nunca é injusto morrer voluntariamente, mas muitas vezes é indecoroso viver por mais tempo.
          [19] O meio mais seguro de ser ininteligível ou, antes, de ser mal entendido, é quando se usam as palavras, especialmente as das línguas antigas, em seu sentido original.
          [24] Muitas obras dos antigos se tornaram fragmentos. Muitas obras dos modernos já o são ao surgir.

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [5] Was gute Gesellschaft genannt wird, ist meistens nur eine Mosaik von geschliffnen Karikaturen.
          [12] Man hat von manchem Monarchen gesagt: er würde ein sehr liebenswürdiger Privatmann gewesen sein, nur zum Könige habe er nicht getaugt. Verhält es sich etwa mit der Bibel ebenso? Ist sie auch bloß ein liebenswürdiges Privatbuch, das nur nicht Bibel sein sollte?
          [15] Der Selbstmord ist gewöhnlich nur eine Begebenheit, selten eine Handlung. Ist es das erste, so hat der Täter immer Unrecht, wie ein Kind, das sich emanzipieren will. Ist es aber eine Handlung, so kann vom Recht gar nicht die Frage sein, sondern nur von der Schicklichkeit. Denn dieser allein ist die Willkür unterworfen, welche alles bestimmen soll was in den reinen Gesetzen nicht bestimmt werden kann, wie das Jetzt, und das Hier, und alles bestimmen darf, was nicht die Willkür andrer, und dadurch sie selbst vernichtet. Es ist nie unrecht, freiwillig zu sterben, aber oft unanständig, länger zu leben.
          [19] Das sicherste Mittel unverständlich oder vielmehr mißverständlich zu sein, ist, wenn man die Worte in ihrem ursprünglichen Sinne braucht; besonders Worte aus den alten Sprachen.
          [24] Viele Werke der Alten sind Fragmente geworden. Viele Werke der Neuern sind es gleich bei der Entstehung.

[Athenäums-Fragmente]
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Schlegel: A filosofia é a verdadeira pátria da ironia, . . . [fragmento] L 42

 
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[traduzido por Victor-Pierre Stirnimann]

          L 42 A filosofia é a verdadeira pátria da ironia, que se poderia definir como beleza lógica: pois sempre que não se filosofa de maneira inteiramente sistemática, seja em linguagem escrita ou falada, devemos exigir a ironia e aceitá-la; mesmo os estóicos consideravam a urbanidade uma virtude. É verdade que existe também uma ironia retórica, que produz excelente efeito quando empregada com parcimônia, especialmente na polêmica; mas ela está para a sublime urbanidade da musa socrática assim como o fausto da mais brilhante retórica está para uma antiga tragédia em grande estilo. Somente a poesia consegue elevar-se desse plano até a altura da filosofia e não é fundada em bases irônicas, como a retórica. Existem poemas antigos e modernos que respiram inteiramente, em todas as suas partes, do divino sopro da ironia. Neles vive uma bufonaria realmente transcendental. No interior, a disposição que tudo abrange e se eleva infinitamente para além de todo o condicionamento, para além até mesmo de sua própria arte, virtude ou genialidade; no exterior, na execução, o estilo mímico de um bufão italiano competente.*

Friedrich Schlegel

          L 42 Die Philosophie ist die eigentliche Heimat der Ironie, welche man logische Schönheit definieren möchte: denn überall wo in mündlichen oder geschriebenen Gesprächen, und nur nicht ganz systematisch philosophiert wird, soll man Ironie leisten und fordern; und sogar die Stoiker hielten die Urbanität für eine Tugend. Freilich gibts auch eine rhetorische Ironie, welche sparsam gebraucht vortreffliche Wirkung tut, besonders im Polemischen; doch ist sie gegen die erhabne Urbanität der sokratischen Muse, was die Pracht der glänzendsten Kunstrede gegen eine alte Tragödie in hohem Styl. Die Poesie allein kann sich auch von dieser Seite bis zur Höhe der Philosophie erheben, und ist nicht auf ironische Stellen begründet, wie die Rhetorik. Es gibt alte und moderne Gedichte, die durchgängig im Ganzen und überall den göttlichen Hauch der Ironie atmen. Es lebt in ihnen eine wirklich transzendentale Buffonerie. Im Innern, die Stimmung, welche alles übersieht, und sich über alles Bedingte unendlich erhebt, auch über eigne Kunst, Tugend, oder Genialität: im Äußern, in der Ausführung die mimische Manier eines gewöhnlichen guten italiänischen Buffo.

(Kritische Fragmente, [Lyceums-Fragmente])

Friedrich Schlegel

* Nota do tradutor Victor-Pierre Stirnimann: Fragmento atribuído a [Friedrich] Schleiermacher [1768 —1834].
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Schlegel  — Conversa sobre a Poesia e outros fragmentos, Tradução, Prefácio e Notas de Victor-Pierre Stirnimann [seleção de fragmentos em edição bilíngue] e Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1994, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Schlegel: Todo autor honesto escreve para todos ou para ninguém. [frag.] L 85 & outros fragmentos


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[traduzido por Victor-Pierre Stirnimann]

          L 47 Quem quer algo de infinito não sabe o que quer. Mas não se pode inverter a afirmação.
          L 55 Um homem autenticamente livre e cultivado teria de poder se afinar à vontade com o filosófico ou o filológico, o crítico ou o poético, o histórico ou o retórico, o antigo ou o moderno, de maneira totalmente arbitrária, como se afina um instrumento, em qualquer tempo e em qualquer grau.
          L 61 A rigor, o conceito de um poema científico é tão contraditório quanto o de uma ciência poética.
          L 73 O que de hábito se perde em traduções boas, ou mesmo ótimas, é justamente o melhor.*
          L 75 Notas são epigramas filológicos; traduções são mímicas filológicas; muitos comentários, em que o texto é apenas o não–eu, um pretexto inicial, são idílios filológicos.
          L 85 Todo autor honesto escreve para todos ou para ninguém. Quem escreve para que este ou aquele o leia merece não ser lido.

Friedrich Schlegel

          L 47 Wer etwas Unendliches will, der weiß nicht was er will. Aber umkehren läßt sich dieser Satz nicht.
          L 55 Ein recht freier und gebildeter Mensch müßte sich selbst nach Belieben philosophisch oder philologisch, kritisch oder poetisch, historisch oder rhetorisch, antik oder modern stimmen können, ganz willkürlich, wie man ein Instrument stimmt, zu jeder Zeit, und in jedem Grade.
          L 61 Streng genommen ist der Begriff eines wissenschaftlichen Gedichts wohl so widersinnig, wie der einer dichterischen Wissenschaft.
          L 73 Was in gewöhnlichen guten oder vortrefflichen Übersetzungen verloren geht, ist grade das Beste.
          L 75 Noten sind philologische Epigramme; Übersetzungen philologische Mimen; manche Kommentare, wo der Text nur Anstoß oder Nicht-Ich ist, philologische Idyllen.
          L 85 Jeder rechtliche Autor schreibt für niemand, oder für alle. Wer schreibt, damit ihn diese und jene lesen mögen, verdient, daß er nicht gelesen werde.

* Nota do tradutor Victor-Pierre Stirnimann: Fragmento atribuído a [Friedrich] Schleiermacher [1768 —1834].
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Schlegel  — Conversa sobre a Poesia e outros fragmentos, Tradução, Prefácio e Notas de Victor-Pierre Stirnimann [seleção de fragmentos em edição bilíngue] e Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1994, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Schlegel: O historiador é um profeta voltado para o passado. [frag. 80] & outros fragmentos


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [62] Imprimir está para o pensar, assim como a recuperação após parto está para o primeiro beijo.
          [66] Quando não tem mais nada que responder ao crítico, o autor gosta de lhe dizer: Você não pode fazer melhor. Isso é o mesmo que se um filósofo dogmático quisesse censurar o cético por este não poder inventar um sistema.
          [70] Onde um promotor público deve entrar em cena, já tem de estar presente um juiz público.
          [72] Panoramas do todo, como agora estão em moda, surgem quando alguém passa por alto* cada particularidade e depois faz a soma.
          [80] O historiador é um profeta voltado para o passado.
          [92] Enquanto os filósofos não se tornarem gramáticos ou os gramáticos filósofos, a gramática não será o que foi entre os antigos, uma ciência pragmática e uma parte da lógica, nem se tornará uma ciência em geral.
          [97] Como estado passageiro, o ceticismo é insurreição lógica; como sistema, é anarquia. Portanto, método cético seria algo mais ou menos como um governo insurgente.

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [62] Das Druckenlassen verhält sich zum Denken, wie eine Wochenstube zum ersten Kuß.
          [66] Wenn der Autor dem Kritiker gar nichts mehr zu antworten weiß, so sagt er ihm gern: Du kannst es doch nicht besser machen. Das ist eben, als wenn ein dogmatischer Philosoph dem Skeptiker vorwerfen wollte, daß er kein System erfinden könne.
          [70] Wo ein öffentlicher Ankläger auftreten soll, muß schon ein öffentlicher Richter vorhanden sein.
          [72] Übersichten des Ganzen, wie sie jetzt Mode sind, entstehen, wenn einer alles einzelne übersieht, und dann summiert.
          [80] Der Historiker ist ein rückwärts gekehrter Prophet.
          [92] Ehe nicht die Philosophen Grammatiker, oder die Grammatiker Philosophen werden, wird die Grammatik nicht, was sie bei den Alten war, eine pragmatische Wissenschaft und ein Teil der Logik, noch überhaupt eine Wissenschaft werden.
          [97] Als vorübergehender Zustand ist der Skeptizismus logische Insurrektion; als System ist er Anarchie. Skeptische Methode wäre also ungefähr wie insurgente Regierung.

[Athenäums-Fragmente]

* Nota do tradutor Márcio Suzuki: Jogo de palavras entre Übersicht (panorama, visão geral, sinóptica) e übersehen (ver por alto, não ver, não reparar).
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Schlegel: Muito daquilo que se imprime ficaria melhor se fosse apenas dito, . . . [fragmento 23]


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [23] Muito daquilo que se imprime ficaria melhor se fosse apenas dito, e por vezes se diz algo que seria mais conveniente se fosse impresso. Se os melhores pensamentos são os que se deixam ao mesmo tempo dizer e escrever, às vezes vale a pena examinar o que se pode escrever daquilo que foi dito, e o que se pode imprimir daquilo que foi escrito. É, sem dúvida, presunçoso ter pensamentos e os tornar conhecidos ainda em vida. Incomparavelmente mais modesto é escrever obras inteiras, porque estas bem podem ser meramente compostas a partir de outras obras e porque, no pior dos casos, resta ao pensamento o recurso de dar primazia ao assunto e se pôr humildemente de lado. Mas pensamentos, pensamentos isolados, estão compelidos a querer ter um valor por si e têm de ter pretensão a ser próprios e pensados. A única coisa que dá uma espécie de consolo quanto a isso é que nada pode ser mais presunçoso do que existir em geral, ou mesmo existir de uma maneira autônoma determinada. Como quer que a gente se posicione, é dessa presunção fundamental que derivam todas as outras.

[Fragmentos Críticos  Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [23] Es wird manches gedruckt, was besser nur gesagt würde, und zuweilen etwas gesagt, was schicklicher gedruckt wäre. Wenn die Gedanken die besten sind, die sich zugleich sagen und schreiben lassen, so ists wohl der Mühe wert, zuweilen nachzusehen, was sich von dem Gesprochnen schreiben, und was sich von dem Geschriebnen drucken läßt. Anmaßend ist es freilich, noch bei Lebzeiten Gedanken zu haben, ja bekannt zu machen. Ganze Werke zu schreiben ist ungleich bescheidner, weil sie ja wohl bloß aus andern Werken zusammengesetzt sein können, und weil dem Gedanken da auf den schlimmsten Fall die Zuflucht bleibt, der Sache den Vorrang zu lassen, und sich demütig in den Winkel zu stellen. Aber Gedanken, einzelne Gedanken sind gezwungen, einen Wert für sich haben zu wollen, und müssen Anspruch darauf machen, eigen und gedacht zu sein. Das einzige, was eine Art von Trost dagegen gibt, ist, daß nichts anmaßender sein kann, als überhaupt zu existieren, oder gar auf eine bestimmte selbständige Art zu existieren. Aus dieser ursprünglichen Grundanmaßung folgen nun doch einmal alle abgeleiteten, man stelle sich wie man auch will.

[Athenäums-Fragmente]
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; suas obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Schlegel: Os romanos sabiam que a espirituosidade é uma faculdade profética; eles a chamavam de faro. [frag.] L 126 & outros fragmentos


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[traduzido por Victor-Pierre Stirnimann]

          L 98 Os princípios universalmente válidos da comunicação literária são os seguintes: 1) devemos ter algo que precise ser comunicado; 2) devemos ter alguém a quem possamos comunicá-lo; 3) devemos realmente comunicar, partilhá-lo com esse alguém, e não apenas exprimir-nos a nós mesmos. Do contrário seria preferível calar.
          L 100 A poesia de um é chamada filosófica; a de outro, filológica; a de um terceiro, retórica, e assim por diante. Qual é, afinal, a poesia poética?
          L 101 A afetação nasce não tanto do esforço para ser novo quanto do receio de ser velho.*
          L 102 A vontade de tudo julgar é um grande deslize: ou um pequeno pecado.
          L 117 Poesia só pode ser criticada por poesia. Um juízo artístico que não é, ele próprio, uma obra de arte, seja em seu tema, enquanto exposição da impressão necessária em seu devir, seja por meio de uma bela forma e um tom liberal no espírito das velhas sátiras romanas, não tem, em absoluto, direito de cidadania no reino da arte.
          L 126 Os romanos sabiam que a espirituosidade é uma faculdade profética; eles a chamavam de faro.

Friedrich Schlegel

          L 98 Folgendes sind allgemeingültige Grundgesetze der schriftstellerischen Mitteilung: 1) Man muß etwas haben, was mitgeteilt werden soll; 2) man muß jemand haben, dem man's mitteilen wollen darf; 3) man muß es wirklich mitteilen, mit ihm teilen können, nicht bloß sich äußern, allein; sonst wäre es treffender, zu schweigen.
          L 100 Die Poesie des einen heißt die philosophische; die des andern die philologische; die des dritten die rhetorische, u.s.w. Welches ist denn nun die poetische Poesie?
          L 101 Affektation entspringt nicht so wohl aus dem Bestreben, neu, als aus der Furcht, alt zu sein.
          L 102 Alles beurteilen zu wollen, ist eine große Verirrung oder eine kleine Sünde.
          L 117 Poesie kann nur durch Poesie kritisiert werden. Ein Kunsturteil, welches nicht selbst ein Kunstwerk ist, entweder im Stoff, als Darstellung des notwendigen Eindrucks in seinem Werden, oder durch eine schöne Form, und einen im Geist der alten römischen Satire liberalen Ton, hat gar kein Bürgerrecht im Reiche der Kunst.
          L 126 Die Römer wußten, daß der Witz ein prophetisches Vermögen ist; sie nannten ihn Nase.

* Nota do tradutor Victor-Pierre Stirnimann: Fragmento atribuído a [Friedrich] Schleiermacher [1768 —1834].
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Schlegel  — Conversa sobre a Poesia e outros fragmentos, Tradução, Prefácio e Notas de Victor-Pierre Stirnimann [seleção de fragmentos em edição bilíngue] e Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1994, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Schlegel: Um crítico é um leitor que rumina. [frag.] L 27 & outros fragmentos

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[traduzido por Victor-Pierre Stirnimann]

          L 4 Há tanta poesia, e no entanto nada é mais raro que um poema! E isto inclui a enorme quantidade de esboços poéticos, estudos, fragmentos, tendências, ruínas e materiais.
          L 9 Espirituosidade é espírito social incondicionado ou gênio fragmentário.
          L 12 Naquilo que chamamos de filosofia da arte costuma faltar um dos dois: a filosofia ou a arte.
          L 21 Assim como uma criança é na verdade alguém que se tornará um homem, um poema é apenas um produto da natureza que se tornará obra de arte.
          L 23 Em todo bom poema é preciso que tudo seja intenção e tudo instinto. Por isso ele se torna ideal.
          L 26 Os romances são os diálogos socráticos de nosso tempo. Nesta forma liberal a sabedoria de vida refugiou-se da sabedoria escolar.
          L 27 Um crítico é um leitor que rumina. Ele deve, portanto, ter mais de um estômago.

Friedrich Schlegel

          L 4 Es gibt so viel Poesie, und doch ist nichts seltner als ein Poem! Das macht die Menge von poetischen Skizzen, Studien, Fragmenten, Tendenzen, Ruinen, und Materialien.
          L 9 Witz ist unbedingt geselliger Geist, oder fragmentarische Genialität.
          L 12 In dem, was man Philosophie der Kunst nennt, fehlt gewöhnlich eins von beiden; entweder die Philosophie oder die Kunst.
          L 21 Wie ein Kind eigentlich eine Sache ist, die ein Mensch werden will: so ist auch das Gedicht nur ein Naturding, welches ein Kunstwerk werden will.
          L 23 In jedem guten Gedicht muß alles Absicht, und alles Instinkt sein. Dadurch wird es idealisch.
          L 26 Die Romane sind die sokratischen Dialoge unserer Zeit. In diese liberale Form hat sich die Lebensweisheit vor der Schulweisheit geflüchtet.
          L 27 Ein Kritiker ist ein Leser, der wiederkäut. Er sollte also mehr als einen Magen haben.

(Kritische Fragmente, [Lyceums-Fragmente])
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Schlegel  — Conversa sobre a Poesia e outros fragmentos, Tradução, Prefácio e Notas de Victor-Pierre Stirnimann [seleção de fragmentos em edição bilíngue] e Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1994, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.