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[traduzido por Márcio Suzuki]
[4] Para grande prejuízo da
teoria dos gêneros poéticos frequentemente se negligenciam as subdivisões dos
gêneros. Assim, a poesia-de-natureza se divide, por exemplo, em natural e
artificial, e a poesia popular em poesia popular para o povo e poesia popular
para os de boa condição e doutos.
[29] Achados chistosos são os
provérbios dos homens cultos.
[52] Há um gênero particular
de homens nos quais o entusiasmo do tédio é o primeiro excitamento da
filosofia.
[63] Todo homem inculto é a
caricatura de si mesmo.
[69] Já não temos as
pantomimas dos antigos. Em compensação, agora toda a poesia é pantomímica.
[79] A loucura só é diferente
da sandice por ser arbitrária como a tolice. Se essa distinção não é válida,
então é bastante injusto encarcerar alguns loucos, deixando outros fazer
fortuna. Eles só diferem em grau, não em gênero.
[94] Todo grande filósofo
ainda tem explicado, muitas vezes sem intenção, seus predecessores de tal modo
que parece que, antes dele, ninguém os entendeu.
[Fragmentos Athenäum]
[4] Zum großen Nachteil der
Theorie von den Dichtarten vernachlässigt man oft die Unterabteilungen der
Gattungen. So teilt sich zum Beispiel die Naturpoesie in die natürliche und in
die künstliche, und die Volkspoesie in die Volkspoesie für das Volk und in die
Volkspoesie für Standespersonen und Gelehrte.
[29] Witzige Einfälle sind die
Sprüchwörter der gebildeten Menschen.
[52] Es gibt eine eigne
Gattung Menschen, bei denen die Begeistrung der Langenweile, die erste Regung
der Philosophie ist.
[63] Jeder ungebildete Mensch
ist die Karikatur von sich selbst.
[69] Die Pantomimen der Alten
haben wir nicht mehr. Dagegen ist aber die ganze Poesie jetzt pantomimisch.
[79] Die Narrheit ist bloß
dadurch von der Tollheit verschieden, daß sie willkürlich ist wie die Dummheit.
Soll dieser Unterschied nicht gelten, so ists sehr ungerecht einige Narren
einzusperren, während man andre ihr Glück machen läßt. Beide sind dann nur dem
Grade, nicht der Art nach verschieden.
[94] Immer hat noch jeder
große Philosoph seine Vorgänger, oft ohne seine Absicht, so erklärt, daß es
schien, als habe man sie vor ihm gar nicht verstanden.
[Athenäums-Fragmente]
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Schlegel — O dialeto dos
fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens
Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca
Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel
(1772 — 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi
filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte,
historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou
periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em
1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista
estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo
alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel,
de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se
iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums”
Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800),
Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808)
Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura
antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.
