Mostrando postagens com marcador Luciano Gualberto de Oliveira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luciano Gualberto de Oliveira. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Luciano Gualberto: Os mártires


____________________
Quem eram? Pouco importa. Uma idéia os guiava
De onde vinham? Porque se sorriam da fome?!
Teto todos os céus; leito a savana brava;
Fortuna, uma sotaina; a miséria por nome.

No gozo de sofrer cada qual se separava,
Porque a alma se faz luz se o corpo se consome;
Corpo, argila infeliz das ambições escrava...
Que o cilício te expurgue e a tortura te dome.

O pensamento em Deus, ninguém os demovia,
Nem os reis, nem a plebe, os alfanjes, as feras.
E só tinham às mãos uma cruz como guia.

E, para eles, a glória excelsa e verdadeira,
Eram, heróis da fé, grandes almas sinceras,
Os três fulcros da cruz e as chamas da fogueira.

[Poemas 1944]

____________________
Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; com apenas dezesseis anos iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis, e também n’O Bandolim, n’A Constelação, n’O Rabecão; daí vieram publicações n’A Estação e no Tagarela, ambos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; suas obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; também consta de seus traços biobibliográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Luciano Gualberto: O aeroplano


____________________
Idéia transformada em metal, transfundida
Em ação, equilíbrio, em movimento... Traço
De união entre o céu e a terra, nova vida
Na escalada de azul, na conquista do espaço!

Sonho de meus avós, ânsia eterna, incontida,
Que povoou nossa mente e alentou nosso passo.
És a consagração do fim de enorme lida,
Novo pássaro ideal de entranhas feitas de aço!

Num sorriso de glória, a vez primeira, quando
O homem, asas abrindo, empolgou o infinito,
Alongando ambições, distâncias encurtando,

Excelso pigmeu, riquíssimo mendigo,
Estranho semi-deus, apenas teve um grito:
Empolgara na mão seu sonho mais antigo.

[Poemas — 1944]

____________________
Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; com apenas dezesseis anos iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis, e também n’O Bandolim, n’A Constelação, n’O Rabecão; daí vieram publicações n’A Estação e no Tagarela, ambos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; suas obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; também consta de seus traços biobibliográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Luciano Gualberto: Gaivotas

____________________
Minh’alma é uma gaivota; as asas pandas solta
Pela planície azul de um mar de águas serenas!
Ora desce e a gritar molha de leve as penas,
Ora sobe, vai, vem, e novamente volta.

E quando o mar blasfema um uivo de revolta,
Ela, as asas sacode e o vôo eleva apenas...
Sobre esse mar jamais voaram, de gozo plenas,
Gaivotas bipartindo os azuis, em recolta.

Tua alma, outra gaivota, a voar por outros mares,
Caminha para mim, que a te buscar caminho,
Nos separem, embora, a distância e os pesares;

Até que chegue um dia, em paragens remotas,
Que a minha encontre a tua e vão buscar um ninho,
A voar, a voar, a voar desposadas gaivotas!

(Gôndola Azul, [poemas, previsto e não
publicado, pelo menos com este nome];
jornal Tagarela — semanário humorístico:
crítica, política, propaganda, comercial. Rio
de Janeiro, ano 2, nº 54, 5 mar. 1903, p.9)

____________________
Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; aos dezesseis anos de idade iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis; daí vieram publicações n’A Estação, no Tagarela e no Rua do Ouvidor, todos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; consta de seus traços biográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Luciano Gualberto: Retrospecto

____________________
Tirei da vida tudo quanto pude,
Ao lado da bondade e da justiça.
Por muita feita tive que ser rude,
Outras baixei a fronte submissa.

Tive a glória do sonho e da saúde,
Ardendo no desejo e na cobiça.
Toda a ilusão que a humanidade ilude,
Ainda hoje, n’alma me floresce e viça.

Descendo a encosta da existência, vejo
Que o mesmo sempre fui, sem ter mudança:
Justo com os maus, com os justos, benfazejo.

Do amor o sonho, a cada passo dado,
Trago comigo a bem aventurança,
Mas não remorsos de não ter pecado.

(Torre de Babel — 1948)

____________________
Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; aos dezesseis anos de idade iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis; daí vieram publicações n’A Estação, no Tagarela, no Rua do Ouvidor, todos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; consta de seus traços biográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Luciano Gualberto: Cigarra

____________________
Quando o mundo foi feito, em paz, sem algazarra,
Não sei porque processo e tão pouco em que dia,
Apareceu, também, nossa amiga, a cigarra,
Cantando uma canção de funda nostalgia.

Boemia extraordinária, hospedou-se no galho
De um jasmineiro em flor, a seu belo contento.
E disse: quem quiser, que viva de trabalho!
Não deve trabalhar quem tem alta e talento!

E cantou e viveu de sonhos, curta vida,
É verdade, porém consoante ao que auria...
Que ventura maior para um’alma incontida,
Ter tudo o que deseja, embora viva um dia.

Cantou e envelheceu, pois o inverno é a velhice
Da cigarra e, afinal, achou-se na miséria.
E cantou e sorriu... morreu, mas nada disse:
Que coisa é uma cigarra em face da matéria!

Rechinando, a cigarra é um símbolo e nos fala
De homens que, sem saber, dela são irmãos gêmeos.
E resume, tranquila e, perfeita propala
A epopeia genial de todos os boêmios!

(Torre de Babel  1948)

____________________
Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; aos dezesseis anos de idade iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis; daí vieram publicações n’A Estação, no Tagarela e no Rua do Ouvidor, todos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; suas obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; consta de seus traços biográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.