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[traduzido por José Paulo Paes]
Quando, à meia-noite, de súbito escutares
um tiaso invisível a passar
com músicas esplêndidas, com vozes
a tua Fortuna que se rende, as tuas obras
que malograram, os planos de tua vida
que se mostraram mentirosos, não os chores em vão.
Como se pronto há muito tempo, corajoso,
diz adeus à Alexandria que de ti se afasta.
E sobretudo não te iludas, alegando
que tudo foi um sonho, que teu ouvido te enganou.
Como se pronto há muito tempo, corajoso,
como cumpre a quem mereceu uma cidade assim,
acerca-te com firmeza da janela
e ouve com emoção, mas ouve sem
as lamentações ou as súplicas dos fracos,
num derradeiro prazer, os sons que passam,
os raros instrumentos do místico tiaso,
e diz adeus à Alexandria que ora perdes.
[suplemento
dominical de cultura] Folhetim*, 16.05.82
ΑΠΟΛΕΊΠΕΙΝ
Ο ΘΕΌΣ ΑΝΤΏΝΙΟΝ
Σαν έξαφνα, ώρα μεσάνυχτ’, ακούσθει
αόρατος θίασος να περνά
με μουσικές εξαίσιες, με φωνές —
την τύχη σου που ενδίδει πιά, τα έργα σου
που απέτυχαν, τα σχέδια της ζωής σου
που βγήκαν όλα πλάνες, μη ανοφέλετα θρηνήσεις.
Σαν έτοιμος από καιρό, σα θαρραλέος,
αποχαιρέτα την, την Αλεξάνδρεια που φεύγει.
Προ πάντων να μη γελασθείς, μην πεις πως ήταν
ένα όνειρο, πως απατήθηκεν η ακοή σου·
μάταιες ελπίδες τέτοιες μην καταδεχθείς.
Σαν έτοιμος από καιρό, σα θαρραλέος,
σαν που ταιριάζει σε που αξιώθηκες μιά τέτοια πόλι,
πλησίασε σταθερά προς το παράθυρο,
κι άκουσε με συγκίνησιν, αλλ’ όχι
με των δειλών τα παρακάλια και παράπονα,
ως τελευταία απόλαυσι τους ήχους,
τα εξαίσια όργανα του μυστικού θιάσου,
κι αποχαιρέτα την, την Αλεξάνδρεια που χάνεις.
[1911]
* Nota do blogue Verso e
Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que
Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo;
criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um
“caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada
através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro
também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de
Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987,
Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 — 1933),
greco-otomano de Alexandria — Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em
sua primeira infância Kaváfis e família se mudaram para Liverpool, no Reino Unido
e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos
em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida,
o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes
(folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais
a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig,
e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas,
e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos
e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154
poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma
coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos
outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da
edição de 1935.

















