
Venho ensopar de lágrimas o lenço
No tristíssimo adeus da despedida;
Em breve a pátria vou deixar perdida
Além, na curva do horizonte imenso.
No tristíssimo adeus da despedida;
Em breve a pátria vou deixar perdida
Além, na curva do horizonte imenso.
Em breve, sobre o mar profundo e
extenso,
Adejará minh'alma dolorida,
Como a gaivota errante e foragida
Sem ter um ninho onde pousar, suspenso.
Adejará minh'alma dolorida,
Como a gaivota errante e foragida
Sem ter um ninho onde pousar, suspenso.
Então, senhora, hei de pensar,
tristonho,
Revendo a vossa angélica bondade,
Neste ninho de amor, calmo e risonho.
Revendo a vossa angélica bondade,
Neste ninho de amor, calmo e risonho.
E triste, sobre a triste
imensidade.
Como quem despertou de um ledo sonho,
Hei de chorar o pranto da saudade.
Hei de chorar o pranto da saudade.

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Páginas de Ouro da Poesia
Brasileira — Seleção e Prefácio de Alberto de Oliveira, H. Garnier,
Livreiro Editor, 1911, Rio de Janeiro — RJ; Adelino
Fontoura Chaves (1859 ? — 1884), maranhense de Axixá, foi
ator, jornalista e poeta; em Pernambuco, colaborou no periódico
satírico Os Xênios, depois, no Rio de Janeiro, trabalhou nos
periódicos A Folha Nova, O Combate, A Gazetinha (jornal
fundado por Artur Azevedo) e Gazeta da Tarde, nos quais publicou seus
textos em verso e prosa; antes de ir para o Rio, atuou em representações
teatrais, no Pará, com o pseudônimo de ‘ator Fontoura’; pertenceu à Academia
Brasileira de Letras e, não tendo publicado livros em vida, seus textos
poéticos, dispersos, postumamente foram reunidos na Revista da
Academia (números 93 e 117), e também em Autores e Livros, de
Múcio Leão (volume 5, número 13, de 1943), no qual são apresentados
cerca de 40 poemas e alguns textos em prosa.

