Mostrando postagens com marcador Adelino Fontoura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adelino Fontoura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Adelino Fontoura: Despedida

Resultado de imagem para Páginas de Ouro da Poesia Brasileira
____________________
Venho ensopar de lágrimas o lenço
No tristíssimo adeus da despedida;
Em breve a pátria vou deixar perdida
Além, na curva do horizonte imenso.

Em breve, sobre o mar profundo e extenso,
Adejará minh'alma dolorida,
Como a gaivota errante e foragida
Sem ter um ninho onde pousar, suspenso.

Então, senhora, hei de pensar, tristonho,
Revendo a vossa angélica bondade,
Neste ninho de amor, calmo e risonho.

E triste, sobre a triste imensidade.
Como quem despertou de um ledo sonho,
Hei de chorar o pranto da saudade.

____________________
Páginas de Ouro da Poesia Brasileira — Seleção e Prefácio de Alberto de Oliveira, H. Garnier, Livreiro Editor, 1911, Rio de Janeiro — RJ; Adelino Fontoura Chaves (1859 ?  1884), maranhense de Axixá, foi ator, jornalista e poeta; em Pernambuco, colaborou no periódico satírico Os Xênios, depois, no Rio de Janeiro, trabalhou nos periódicos A Folha NovaO CombateA Gazetinha (jornal fundado por Artur Azevedo) e Gazeta da Tarde, nos quais publicou seus textos em verso e prosa; antes de ir para o Rio, atuou em representações teatrais, no Pará, com o pseudônimo de ‘ator Fontoura’; pertenceu à Academia Brasileira de Letras e, não tendo publicado livros em vida, seus textos poéticos, dispersos, postumamente foram reunidos na Revista da Academia (números 93 e 117), e também em Autores e Livros, de Múcio Leão (volume 5, número 13, de 1943), no qual são apresentados cerca de 40 poemas e alguns textos em prosa.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Adelino Fontoura: Atração e Repulsão

Eu nada mais sonhava nem queria
Que de ti não viesse, ou não falasse;
E como a ti te amei, que alguém te amasse,
Coisa incrível até me parecia.

Uma estrela mais lúcida eu não via
Que nesta vida os passos me guiasse,
E tinha fé, cuidando que encontrasse,
Após tanta amargura, uma alegria.

Mas tão cedo extinguiste este risonho,
Este encantado e deleitoso engano,
Que o bem que achar supus, já não suponho.

Vejo, enfim, que és um peito desumano;
Se fui té junto a ti de sonho em sonho,
Voltei de desengano em desengano.

(Em Revista da Academia Brasileira de Letras,
 ano X, nº. 93, setembro de 1929, p. 49.)

____________________
Antologia dos Poetas Brasileiros — Poesia da fase parnasiana, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Adelino Fontoura Chaves (1859 ? 1884), maranhense de Axixá, foi ator, jornalista e poeta; em Pernambuco, colaborou no periódico satírico Os Xênios, depois, no Rio de Janeiro, trabalhou nos periódicos A Folha NovaO CombateA Gazetinha (jornal fundado por Artur Azevedo) e Gazeta da Tarde, nos quais publicou seus textos em verso e prosa; antes de ir para o Rio, atuou em representações teatrais, no Pará, com o pseudônimo de ‘ator Fontoura’; pertenceu à Academia Brasileira de Letras e, não tendo publicado livros em vida, seus textos poéticos, dispersos, postumamente foram reunidos na Revista da Academia (números 93 e 117), e também em Autores e Livros, de Múcio Leão (volume 5, número 13, de 1943), no qual são apresentados cerca de 40 poemas e alguns textos em prosa.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Adelino Fontoura: Fruto Proibido

____________________
Escravo dessa angélica meiguice
por uma lei fatal, como um castigo,
não abrigara tanta dor comigo,
se este afeto que sinto não sentisse.

Que te não doa, entanto, isto que digo
nem as magoadas falas que te disse.
Não tas dissera nunca, se não visse
que por dizê-las minha dor mitigo.

Longe de ti, sereno e resoluto,
irei morrer, misérrimo, esquecido,
mas hei de amar-te sempre, anjo impoluto.

És para mim o fruto proibido:
não pousarei meus lábios nesse fruto,
mas morrerei sem nunca ter vivido.

____________________
Poesia Parnasiana — Antologia (vários autores), Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Adelino Fontoura Chaves (1859 ?  1884), maranhense de Axixá, foi ator, jornalista e poeta; em Pernambuco, colaborou no periódico satírico Os Xênios, depois, no Rio de Janeiro, trabalhou nos periódicos A Folha Nova, O Combate, A Gazetinha (jornal fundado por Artur Azevedo) e Gazeta da Tarde, nos quais publicou seus textos em verso e prosa; antes de ir para o Rio, atuou em representações teatrais, no Pará, com o pseudônimo de ‘ator Fontoura’; pertenceu à Academia Brasileira de Letras e, não tendo publicado livros em vida, seus textos poéticos, dispersos, postumamente foram reunidos na Revista da Academia (números 93 e 117), e também em Autores e Livros, de Múcio Leão (volume 5, número 13, de 1943), no qual são apresentados cerca de 40 poemas e alguns textos em prosa.