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sábado, 22 de fevereiro de 2020

Bernardo Enoch Mota: Eu não

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Eu não odeio meu corpo.
Eu não nasci no corpo errado.
Não me venha falar que ele é inadequado.
Se eu mudo é para melhorar o que sinto
que possa ser melhorado.
Se eu mudo é porque mudança faz parte da vida
e eu não quero me sentir parado.
Cada forma.
Cada traço.
São todos pedaços
de quem eu sou.
Comecei só como um rabisco.
Agora estou transcendendo o padrão fabricado.
E ninguém tem nada com isso.
E não tem nada de errado.
Eu sou eterno rascunho da vida.
Nunca vou ser terminado.
Apaga.
Refaz.
Tira.
Acrescenta.
Só não deixa igual,
porque aí ninguém aguenta.
Eu não odeio meu corpo.
Eu não nasci no corpo errado.
Sou eterno rascunho da vida, estou aqui
para ser melhorado.
Na eterna busca do buscar por toda eternidade.
Rabisco
Rascunho
Desenho
Obra prima
Transbordando
Transcendendo
Transgredindo
Apenas sendo mais eu
Mais meu a cada dia.

Resultado de imagem para fotos bernoch
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Antologia Trans 30 poetas trans, travestis e não binários, Apresentação do espaço Aquilo que a nós veio, gerado do Cursinho Popular Transformação e do TRANSarau, texto-introdução-orelha de Linn da quebrada e Prefácio de Amara Moira, 2017, Editora Invisíveis Produções, São Paulo SP; sobre Bernardo Enoch Mota, assim como sobre todos os demais autor(e)s dos demais textos desta Antologia Trans, nenhum traço biobliográfico foi registrado pela edição; no entanto, em pesquisa ‘googleana’, o atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa encontrou que Bernardo Enoch Mota, ou Bernoch, é fotógrafo, poeta e vídeotuber quando dá vontade; a visitant(e)s e leitor(e)s deste blogue, fica a dica: quem encontrar alguma notícia referente a autor(e)s aqui editados, e quiser/puder compartilhar, o blogueiro-piloto desta página agradece.