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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Emily Dickinson: O céu vai baixo, as nuvens mesquinhas

 
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[traduzido por Jorge Wanderley]

O céu vai baixo, as nuvens mesquinhas...
Um floco de neve, errante,
Entre celeiros, estradas,
Não sabe se segue adiante.

Por todo o dia, uma brisa franzina
Que alguém feriu, se lastima;
Às vezes, como nós, a natureza
É flagrada sem seu diadema.

Emily Dickinson

The sky is low, the clouds are mean

The sky is low, the clouds are mean,
A travelling flake of snow
Across a barn or through a rut
Debates if it will go.

A narrow wind complains all day
How some one treated him;
Nature, like us, is sometimes caught
Without her diadem.
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Do jeito delas: vozes femininas de língua inglesa [várias poetas], edição bilíngue, Organização/ensaios de Márcia Cavendish Wanderley, Carlos Eduardo Fialho e Sueli Cavendish, Nota Introdutória de Geraldo Carneiro, Tradução de Jorge Wanderley e Apresentação/orelhas do livro por Paulo Henriques Britto, 2008, Editora 7Letras, Rio de Janeiro — RJ; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas [ao todo, 1.775 poemas], e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890); Emily Dickinson, que ao tornar-se reclusa havia optado por um “suicídio em vida”, teve publicado seus poemas em edição completa e ordenada somente em 1954.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Emily Dickinson: Tive uma jóia nos meus dedos — . . . & Não sou Ninguém. Quem é você? . . .


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[traduzidos por Augusto de Campos}

Tive uma jóia nos meus dedos . . .

Tive uma jóia nos meus dedos 
E adormeci
Quente era o dia, tédio os ventos 
“É minha”, eu disse

Acordo e os meus honestos dedos
(Foi-se a Gema) censuro
Uma saudade de Ametista
É o que eu possuo

— o —

Não sou Ninguém. Quem é você? . . .

Não sou Ninguém. Quem é você?
Ninguém Também?
Então somos um par?
Não tente! Podem espalhar.

Que triste ser Alguém!
Que pública a Fama!
Dizer seu nome como a Rã
Para as palmas da Lama.

Emily Dickinson

I beld a Jewel in my fingers — . . . [245]

I held a Jewel in my fingers
And went to sleep
The day was warm, and winds were prosy
I said "'Twill keep"

I woke and chid my honest fingers,
The Gem was gone
And now, an Amethyst remembrance
Is all I own

— o —

I’m Nobody! Who are you? . . . [288]

I’m Nobody! Who are you?
Are you Nobody too?
Then there’s a pair of us!
Don't tell! they'd advertise you know!

How dreary to be Somebody!
How public like a Frog
To tell one’s name the livelong June
To an admiring Bog!
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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas [ao todo, 1.775 poemas], e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890); Emily Dickinson teve publicado seus poemas em edição completa e ordenada somente em 1954.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Carl Sandburg: Carta aberta a Emily Dickinson

 
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[traduzido por Carlos Drummond de Andrade]

Cinco rosinhas pediram
a Deus, que chegasse perto,
a Deus, que testemunhasse.

Chama e espinho estavam dentro
e em torno das cinco rosas,
chama inquieta, voz de espinho.

Do mar um pingo
colhe de sal;
daquela estrela,
algo de névoa;
o ai de prata
de um coração.

Larga, abandona
ao móbil azul
da sombra mais rara.

Larga, abandona
à calma dos gongos,
à força dos gongos.

Divide com as chamas,
teu espinho elege,
para que Deus chegue perto,
para que Deus testemunhe.

Carl Sandburg

Public Letter to Emily Dickinson

Five little roses spoke
for God to be near them,
for God to be the witness.

Flame and thorn were there
in and around five roses,
winding flame, speaking thorn.

Pour from the sea
one hand of salt.
Take from a star
one finger of mist.
Pick from a heart
one cry of silver.

Let be, give over
to the moving blue
of the chosen shadow.

Let be, give over
to the ease of gongs,
to the might of gongs.

Share with the flamewon,
choose from your thorns,
for God to be near you,
for God to be witness.
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Poesia Traduzida: Carlos Drummond de Andrade [várias autorias], edição bilíngue, Organização e Notas de Augusto Massi e Júlio Castañon Guimarães, Introdução de Júlio Castañon Guimarães, Coleção Ás de colete, 2011, Cosac Naify, São Paulo — SP e 7 Letras, Rio de Janeiro — RJ; Carl August Sandburg (1878 1967), estadunidense de Galesburg, Illinois, fez os primeiros estudos à “trouxe-mouxe [de forma desordenada e sem conclusão], foi jornalista, poeta, historiador, novelista e folclorista; de família pobre, começou a trabalhar aos treze anos num vagão de leite e, nos seis anos seguintes, foi porteiro de barbearia, trocador de cenários num teatro barato, motorista de caminhão em olaria, aprendiz de torneiro, lavador de pratos em hotéis, ajudante de ceifeiro em trigais; tais experiências decerto o habilitaram mais do que qualquer educação livresca feita em dois períodos intervalados no Lombard College, de Galesburg, sem conclusão; teve seus primeiros poemas divulgados em 1904 e transpôs o anonimato em 1914 quando a revista Poetry: A Magazine of Verse publicou vários de seus textos; suas obras: Chicago Poems (1916), Cornhuskers (poesias, 1918), Smoke and Steel (poesias, 1920), Slabs of the Sunburnt West (poesia, 1922), Selected Poems (1926), Good Morning, America (1928); The People, Yes (poesia, 1936), Abraham Lincoln: The War Years (biografia, vários volumes, 1939), Complete Poems (1950) e outros títulos; Sandburg recebeu três Prêmios Pulitzer, dois de Poesia (1919, por Cornhukers, e 1951, por Completes Poems) e outro de História (1940, pelos quatro volumes de Abraham Lincoln: The War Years); o poeta apoiou o Movimento dos Direitos Civis [Civil Rights Movement] e foi o primeiro homem branco a ser homenageado pela National Association for the Advancement of Colored People NAACP.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Emily Dickinson: Senti um Féretro em meu Cérebro . . .


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[traduzido por Augusto de Campos}

Senti um Féretro em meu Cérebro,
E Carpideiras indo e vindo
A pisar a pisar até eu sonhar
Meus sentidos fugindo

E quando tudo se sentou,
O Tambor de um Ofício
Bateu bateu até eu sentir
Inerte o meu Juízo

E eu os ouvi erguida a Tampa
Rangerem por minha Alma com
Todo o Chumbo dos pés, de novo,
E o Espaço dobrou,

Como se os Céus fossem um Sino
E o Ser apenas um Ouvido,
E eu e o Silêncio a estranha Raça
Só, naufragada, aqui

Partiu-se a Tábua em minha Mente
E eu fui cair de Chão em Chão
E em cada Chão achei um Mundo
E Terminei sabendo então

Emily Dickinson

I felt a Funeral, in my Brain, . . . [340]

I felt a Funeral, in my Brain,
And Mourners to and fro
Kept treading treading till it seemed
That Sense was breaking through

And when they all were seated,
A Service, like a Drum
Kept beating beating till I thought
My Mind was going numb

And then I heard them lift a Box
And creak across my Soul
With those same Boots of Lead, again,
Then Space began to toll,

As all the Heavens were a Bell,
And Being, but an Ear,
And I, and Silence, some strange Race,
Wrecked, solitary, here

And then a Plank in Reason, broke,
And I dropped down, and down
And hit a World, at every plunge,
And Finished knowing then
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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas [ao todo, 1.775 poemas], e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890); Emily Dickinson teve publicado seus poemas em edição completa e ordenada somente em 1954.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Emily Dickinson: O Sucesso é mais doce . . .


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[traduzido por Augusto de Campos]

[67]

O Sucesso é mais doce
A quem nunca sucede.
A compreensão do néctar
Requer severa sede.

Ninguém da Hoste ignara
Que hoje desfila em Glória
pode entender a clara
Derrota da Vitória.

Como esse moribundo
Em cujo ouvido o escasso
Eco oco do triunfo
Passa como um fracasso!

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 11.05.86

Emily Dickinson

67

Success is counted sweetest
By those who ne'er succeed.
To comprehend a nectar
Requires sorest need.

Not one of all the purple Host
Who took the Flag today
Can tell the definition
So clear of Victory

As he defeated dying
On whose forbidden ear
The distant strains of triumph
Burst agonized and clear!

[c. 1859]

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

sábado, 15 de julho de 2023

Emily Dickinson: Não há Fragata igual a um livro . . .

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[traduzido por Ana Cristina Cesar]

1263

Não há Fragata igual a um livro, que daqui
Nos distancie.
Nem Corcel que galope mais que um Verso
De Poesia
Não custa Pedágio ao pobre
Essa Travessia
Frugal é o Carro que nos leva
Nesta Via.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 06.11.83

Emily Dickinson

1263

There is no Frigate like a Book
To take us Lands away
Nor any Coursers like a Page
Of prancing Poetry —
This Traverse may the poorest take
Without oppress of Toll —
How frugal is the Chariot
That bears the Human Soul.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Emily Dickinson: Eu morri por beleza

 
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[traduzido por José Lino Grünewald]

Eu morri por beleza, mas fui mal
Colocada em minha tumba,
Quando um que estava morto por verdade
Foi posto numa câmara contígua.

Ele indagou cortês porque morri
“Por beleza”, respondi.
“E eu por verdade,  as duas só são uma;
Somos irmãos”, ele falou.

E assim como parentes vêem-se à noite,
Conversamos entre as câmaras,
Até que o musgo lá chegasse aos lábios
E cobrisse nossos nomes.

Emily Dickinson

I died for Beauty but was scarce
Adjusted in the Tomb
When One, who died for Truth, was lain
In an adjoining Room

He questioned softly “Why I failed?”
"For Beauty", I replied
"And I for Truth Themself are One
We Brethren are," He said

And so, as Kinsmen met a Night
We talked between the Rooms
Until the Moss had reached our lips
And covered up our names
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Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Emily Dickinson: A alma escolhe

Antologia da Nova Poesia Norte-Americana | Livro Editora ...
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[traduzido por Jorge Wanderley]

A alma escolhe sua companhia
E fecha os portais.
Em sua divina soberania
Não se entra mais.

Impassível, reconhece a carruagem
Parando à entrada;
Impassível, vê um rei que se ajoelha
No seu tapete.

Sei que escolheu de uma grande nação
Um só, a dedo.
Depois fechou as valvas da atenção
Como um rochedo.

Emily Dickinson

The soul selects her own society

The soul selects her own society
Then shuts the door
On her divine majority
Obtrude no more.

Unmoved, she notes the chariot’s pausing
At her low gate;
Unmoved, an emperor is kneeling
Upon her mat.

I've known her from an ample nation
Choose one;
Then close the valves of her attention
Like stone.
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Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

terça-feira, 28 de julho de 2020

Emily Dickinson: Partir

Antologia da Nova Poesia Norte-Americana | Livro Editora ...
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[traduzido por Jorge Wanderley]

Duas vezes morri, antes da morte;
Falta agora ver somente
Se a imortalidade me revela
Algum terceiro incidente

Inconcebível como os dois primeiros,
Que de lembrar me consterno.
Partir é tudo o que do céu sabemos
E desejamos do inferno.

Emily Dickinson

My life...

My life closed twice before its close;
It yet remains to see
If Immortality unveils
A third event to me,

So huge, so hopeless to conceive,
As these that twice befell.
Parting is all we know of heaven
And all we need of hell.
____________________
Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Emily Dickinson: A aranha traz uma bola de prata . . .

Resultado de imagem para Emily Dickinson poemas escolhidos LP&M
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[traduzido por Ivo Bender]

A aranha traz uma bola de prata
Nas mãos que não se veem
E ao dançar, leve e sozinha,
Desata seu perolado novelo.

Com artes imateriais,
De nada em nada vai tecendo;
Sua trama supera as nossas,
Na metade do tempo.

Rapidamente levanta
Territórios luzidios,
Pendentes depois de uma vassoura 
Seus limites, esquecidos.

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Emily Dickinson

The spider holds a Silver Ball
In unperceived Hands 
And dancing softly to Himself
His Yarn of Pearl  unwinds 

He plies from Nought to Nought 
In unsubstantial Trade 
Supplants our Tapestries with His 
In half the period 

An Hour to rear supreme
His Continents of Light 
Then dangle from the Housewife's Broom 
His Boundaries  forgot 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

sábado, 29 de dezembro de 2018

Emily Dickinson: À noite, como deve sentir-se solitário o vento . . .

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[traduzido por Ivo Bender]

À noite, como deve sentir-se solitário o vento
Quando todos apagam a luz
E quem possui um abrigo
Fecha a janela e vai dormir.

Ao meio-dia, como deve sentir-se imponente o vento
Ao pisar em incorpórea música,
Corrigindo erros do firmamento
E limpando a cena.

Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois.

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Emily Dickinson

How lonesome the Wind must feel Nights 
When people have put out the Lights
And everything that has an Inn
Closes the shutter and goes in 

How pompous the Wind must feel Noons
Stepping to incorporeal Tunes
Correcting errors of the sky
And clarifying scenery

How mighty the Wind must feel Morns
Encamping on a thousand dawns
Espousing each and spurning all
Then soaring to his Temple Tall 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Emily Dickinson: Banir a mim de mim mesma, . . .

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[traduzido por Ivo Bender]

Banir a mim de mim mesma,
Tivera eu esse dom!
Inexpugnável fosse a minha fortaleza,
Ante toda audácia.

Uma vez, porém, que eu mesma me assalto,
Como terei paz
A não ser sujeitando
A consciência?

E desde que somos monarcas um para o outro,
Como poderei alcançá-lo
A não ser abdicando
De mim mesma?

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Emily Dickinson

Me from Myself  to banish 
Had I Art 
Impregnable my Fortress
Unto All Heart 

But since Myself  assault Me 
How have I peace
Except by subjugating
Consciousness?

And since We’re mutual Monarch
How this be
Except by Abdication 
Me  of me?
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).