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sábado, 27 de agosto de 2016

Emiliana Delminda: Ontem e hoje

Resultado de imagem para coletânea de poetas paulistas Editora minerva enéas de moura
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Nos tempos que vão longe  amor era um segredo,
um sonho, que agitava o coração da gente:
Um aperto de mão furtivo, quase a medo,
um tímido sorriso, um olhar... simplesmente.

Hoje é bem outro o amor  um frívolo brinquedo,
uma febre exterior, que o coração não sente.
Não encerra o dulçor de afeto puro e ledo,
não traduz a emoção do amor de antigamente.

No amor já não existe o áureo pomo vedado
do paraíso ideal, tanto mais desejado
quanto mais proibido. É uma coisa banal...

Começa pelo fim. A abelha do desejo
queima as asas febris ma volúpia do beijo
e a flâmula do amor apaga-se, afinal.

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Coletânea de Poetas Paulistas Seleção, Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro RJ; Emiliana Delminda do Amaral (1865  1963?), paulista de Silveiras, foi romancista, poetisa e professora autodidata; durante anos deu aulas particulares; seus textos foram divulgados pela imprensa paulista (A Tribuna e Flama, de Santos, Clarim, de Matão, Nova Era, de Franca, e outros periódicos); escreveu e publicou Violetas (poesia, 1906), Miragens (poesia, 1908), Crepúsculo (poesia, 1914), Fragmentos d’Alma (poesia, 1918), Segredo Fatal (romance, 1925), Calvário do Amor (romance, 1935), Folhas Caídas (poesia, 1947); deixou inéditos Minúsculas (contos) O despertar da luz (poesia).

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Emiliana Delminda: Delirando

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Musa, deixa-me só. O ambiente que respiro
A custo, eivado está de lúgubres sinais:
Sobre minha cabeça, ao jeito de um vampiro
Paira a sombra da morte. Adeus! Não voltes mais!

Não! perdoa-me. Vem, num último suspiro
Ouvir-me o cavo som de concentrados ais.
Eu sofro; a dor crucia e bem vês que deliro
Sonhando o rosicler de auroras celestiais!

No azul esplende o sol e eu tenho tanto frio!
Pulsa-me acelerado o coração doentio
E o tédio de viver a mente me entorpece...

O momento supremo aguardo ansiosamente,
Não me abandones, vem piedosa e complacente
Trazer-me a extrema-unção na esmola de uma prece!
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Emiliana Delminda do Amaral (1865  1963?), paulista de Silveiras, foi poetisa, romancista e professora autodidata; durante anos deu aulas particulares; escreveu e publicou Violetas (poesia, 1906), Miragens (poesia, 1908), Crepúsculo (poesia, 1914), Fragmentos d’Alma (poesia, 1918), Segredo Fatal (romance, 1925), Calvário do Amor (romance, 1935), Folhas Caídas (poesia, 1947); seus textos foram divulgados pela imprensa paulista (A Tribuna e Flama, de Santos, Clarim, de Matão, Nova Era, de Franca, e outros periódicos); deixou inéditos Minúsculas (contos) e O despertar da luz (poesia).