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Meu ser evaporei na lida insana
Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava,
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim, quase imortal, a essência humana!
De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não doirava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus... ó Deus! quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube!
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim, quase imortal, a essência humana!
De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não doirava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus... ó Deus! quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube!

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Presença da Literatura Portuguesa II — Era
Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão Européia do Livro, São
Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 — 1805), nascido
em Setúbal — Portugal, foi poeta representante do arcadismo
lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa
a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa
na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí
seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para
Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar
sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da
academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino
(Elmano — anagrama de Manoel, e Sadino — homenagem ao Rio
Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e
de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas
prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de
1798; publicou mais duas novas séries de poesias, às quais também deu o
nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D.
Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor
Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...





















