Mostrando postagens com marcador Lara de Lemos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lara de Lemos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Lara de Lemos: Poema do insolúvel

Resultado de imagem para Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50
____________________
Viemos para morrer, amigo.

Fugazes que somos

mais que a nuvem ou o vento,
mais que a folha ou a sombra,
nada podemos dar que nos pertença
nem reter o voo transitório.

Viemos para morrer, amigo.

E o que nos angustia
é a sabermos implícita, no âmago de tudo.
Vê-la na face lívida dos pobres,
nos olhos dos que passam apressados,
sob o riso branco das crianças
ou mesmo, no mais alto do amor.

Viemos para morrer, amigo.

E se crês que te podes salvar
e se alguma coisa ainda te parece
válida ou sublime,
não me perguntes nada
que eu não saberia responder.

Viemos para morrer.

Poço de Águas Vivas  1957

Resultado de imagem para Lara Lemos
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção de Edla van Steen, primeira edição, 2007, Editora Global, São Paulo — SP; Lara Fallabrino Sanz Chibelli de Lemos (1923 —  2010), gaúcha de Porto Alegre, formada em História, Geografia, Pedagogia, Jornalismo e Direito, e especialização em Literatura Inglesa e Contemporânea, foi professora, tradutora, poeta e jornalista; no jornalismo, colaborou com os jornais gaúchos Correio do Povo e Zero Hora, os periódicos cariocas Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa, a Revista Diadorim, mineira,  e a Colóquio-Letras, revista portuguesa; bibliografia: Poço das Águas Vivas (poesia, 1957), Canto Breve (1962), História sem Amanhã (crônicas, 1963), Aura Amara  poesia (Prêmio Jorge de Lima, 1969), Para um Rei Surdo (poemas, 1973), Adaga Lavrada (em co-edição com Massao Ohno, 1983), Palavravara (1986), Hai Cais (1989), Águas da Memória  — poesias (Prêmio Nacional de Poesia Menotti Del Picchia, 1990), Dividendos do Tempo (Prêmio Açorianos de Literatura: melhor livro de poesia, 1995), Inventário do Medo (1997), Passo em Falso (2006), além de participação em diversas coletâneas; em 1961, junto com o ator Paulo César Peréio, compôs a letra do Hino da Legalidade em apoio à posse do vice-presidente João Goulart, que se encontrava na China quando da renúncia do então presidente Jânio Quadros em agosto daquele ano; a poeta lecionou História Geral no ensino público do Rio Grande do Sul, foi professora-assistente de Economia Política na Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro, e exerceu diversas funções enquanto funcionária do Ministério de Educação e Cultura, também no Rio, onde se aposentou.