Mostrando postagens com marcador Arturo Capdevila. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arturo Capdevila. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de março de 2016

Arturo Capdevila: Em vão

____________________
[traduzido por Mello Nóbrega]

Quanto verso de amor, cantado em vão!
Como minha alma está ficando velha
ao recordar a história em que se espelha
a insensatez dos tempos que se vão!

Quanto verso de amor, gemido em vão!
a princípio, o nectário e eu, a abelha...
Depois... Meu coração todo se engelha
na neve amarga em que se fez ancião.

Quanto verso de amor, perdido em vão!
- Minha janela em luzes se recorta...
Ainda vivo... que flores!... é verão...

Dá-me pena, entretanto, à minha porta,
como uma triste borboleta morta,
tanto verso de amor, chorado em vão!

Arturo Capdevila

En vano

¡Cuánto verso de amor, cantado en vano!
¡Oh!, cómo el alma se me torna vieja
cuando me doy a recordar la añeja
historia absurda del ayer lejano!

¡Cuánto verso de amor, gemido en vano!
primero, fue el nectario, y yo la abeja...
Después mi corazón halló en tu reja
la amarga nieve que lo ha vuelto anciano.

¡Cuánto verso de amor, perdido en vano!
Hoy están mis ventanas bien abiertas;
hoy soy... hay muchas flores, y es verano.

Pero da pena ver, junto a mis puertas,
en un montón de mariposas muertas
¡tanto verso de amor, llorado en vano!
____________________
O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Arturo Capdevila (1889 1967), argentino de Buenos Aires, formado em Direito pela Universidad Nacional de Córdoba, foi advogado, juiz, ensaísta, professor, historiador, dramaturgo, escritor e poeta; dirigiu a seção literária  do jornal La Prensa, de Buenos Aires; escreveu e publicou Jardines solos (poesia, 1911), Melpómene (poesia, 1912), El poema de Nenúfar (1915), La Sulamita (drama, 1916), El libro de la noche (poesia, 1917), El amor de Schehrazada (drama, 1918), La fiesta del mundo (poesia, 1921), La ciudad de los sueños (contos, 1925), La casa de los fantasmas (tragicomédia em três atos, crítica da burguesia portenha, 1926), El Divino Marqués (biografia dramatizada do Marquês de Sade, 1930), Arbaces, maestro de amor (novela, 1945), Consumación de Sigmund Freud (drama, 1946), Alfonsina: época, dolor y obra de la poetisa Alfonsina Storni (1948) e outros títulos em verso, prosa e para teatro.