
[traduzido por Claudia Cavalcanti]
Não queremos poesia,
Queremos mágicas, artifícios,
Procuramos tapar na existência fatais vazios
E apesar de imenso esforço, uma atrofia.
Mas o que sabem vocês outros da secreta elevação,
Dos sagrados e histéricos soluços da garganta a chorar,
Quando, consumidos pelo haxixe da alma em imersão,
Beijamos o primeiro degrau, para além de cujo limiar
Os deuses moram?
(1915)
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| Wilhelm Klemm |
Programm
Wir wollen gar keine Poesie,
Wir wollen Taschenzauberkunststücke,
Wir suchen im Dasein eine fatale Lücke
Zu stopfen. Trotz krampfhafter Mühe gelingt es nie.
Aber was wißt ihr andern von den heimlichen
Elevationen,
Von dem selig hysterischen Schluchzen der Kehle,
Wenn wir die erste Stufe, über deren Äonen —
haften. Folge die Götter wohnen,
Küssen, ganz verzehrt von dem Haschisch innrer Seele?
(1915)
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Poesia Expressionista Alemã:
uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue
ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Wilhelm
Klemm (1881 — 1968), alemão de Leipzig, formou-se em Medicina estudando em várias escolas, foi
poeta e sempre exerceu a atividade de livreiro e editor; na Primeira Guerra,
serviu como médico no campo de batalha; teve seus poemas publicados nas
revistas literárias Der Jugend, Simplicissimus, e especialmente na
expressionista Die Aktion; após assumir uma editora de Alfred Kröner, seu
sogro, adquiriu a livraria de Dieterich e editou a Coleção Dieterich, uma série
de volumes filosóficos, culturais e literários; bibliografia: Gloria! Kriegsgedichte
aus dem Feld (poemas de guerra do campo, 1915), Verse und Bilder (1916),
Aufforderung (1917), Ergriffenheit (1919), Entfaltung (1919), Traumschutt
(1920), Verzauberte Ziele (1921) ...
