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[traduzido por Jorge Wanderley]
E que vai fazer o menino agora,
Agora que perdeu a bola? Eu vi
Quando ela desceu aos pulos a rua
E caiu finalmente ali na água...
Não adianta dizer: — há outras bolas...
Um último abalo fixa o menino
Enquanto olha rígido para baixo,
Seus olhos infantis indo com ele
Até o ancoradouro. E eu nada faço;
Uma moeda, uma outra bola — inúteis.
É a primeira vez que ele se encontra
Com o mundo da Posse. Muitas pessoas
Trarão bolas, todas se perderão,
Menino, e nunca se podem comprar
Bolas de volta. O dinheiro é externo.
Ele aprende por trás do olhar em pânico
A epistemologia da perda
E a reagir ao que um dia acontece
(E às vezes em mais de um dia); a reagir.
E a luz retorna aos poucos para a rua;
Um assobio; já não vejo a bola...
Em breve uma parte de mim irá
Sondar o ancoradouro... Em toda parte
Estou, me comovo, alma e coração
Comovem-se também, como ante as águas,
Ante assobios. E eu já não sou menino.
The ball poem
Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; nascido John Allyn Smith Jr., depois renomeado John Allyn McAlpin Berryman (1914 — 1972), estadunidense de McAlester, Oklahoma, estudou na Universidade Columbia, lecionou em Harward, Princenton e Minnesotta, foi contista e poeta; bibliografia: Poems (1942), The Dispossessed (1948), Stephen Crane (biografia, 1950), Homage to Mistress Bradstreet (1956), 77 Dream Songs (1964, ganhador do Prêmio Pulitzer) e outros títulos; recebeu premiações por sua obra; o poeta Berryman, que aos 11 anos perdera o pai por suicídio, levou uma vida turbulenta, abusou do álcool, lutou contra depressão e também acabou se suicidando aos 57 anos, saltando da ponte da Avenida Washington, sobre o rio Mississipi em Minneapolis.
[traduzido por Jorge Wanderley]
E que vai fazer o menino agora,
Agora que perdeu a bola? Eu vi
Quando ela desceu aos pulos a rua
E caiu finalmente ali na água...
Não adianta dizer: — há outras bolas...
Um último abalo fixa o menino
Enquanto olha rígido para baixo,
Seus olhos infantis indo com ele
Até o ancoradouro. E eu nada faço;
Uma moeda, uma outra bola — inúteis.
É a primeira vez que ele se encontra
Com o mundo da Posse. Muitas pessoas
Trarão bolas, todas se perderão,
Menino, e nunca se podem comprar
Bolas de volta. O dinheiro é externo.
Ele aprende por trás do olhar em pânico
A epistemologia da perda
E a reagir ao que um dia acontece
(E às vezes em mais de um dia); a reagir.
E a luz retorna aos poucos para a rua;
Um assobio; já não vejo a bola...
Em breve uma parte de mim irá
Sondar o ancoradouro... Em toda parte
Estou, me comovo, alma e coração
Comovem-se também, como ante as águas,
Ante assobios. E eu já não sou menino.
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| John Berryman |
The ball poem
What is the boy now,
who has lost his ball.
What, what is he to
do? I saw it go
Merrily bouncing,
down the street, and then
Merrily over — there
it is in the water!
No use to say “O
there are other balls”:
An ultimate shaking
grief fixes the boy
As he stands rigid,
trembling, staring down
All his young days
into the harbour where
His ball went. I
would not intrude on him,
A dime, another ball,
is worthless. Now
He senses first
responsibility
In a world of
possessions. People will take balls,
Balls will be lost
always, little boy,
And no one buys a
ball back. Money is external.
He is learning, well
behind his desperate eyes,
The epistemology of
loss, how to stand up
Knowing what every
man must one day know
And most know many
days, how to stand up.
And gradually light
returns to the street,
A whistle blows, the
ball is out of sight,
Soon part of me will
explore the deep and dark
Floor of the harbour...
I am everywhere,
I suffer and move, my
mind and my heart move
With all that move
me, under the water
Or whistling, I am
not a little boy.
____________________Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; nascido John Allyn Smith Jr., depois renomeado John Allyn McAlpin Berryman (1914 — 1972), estadunidense de McAlester, Oklahoma, estudou na Universidade Columbia, lecionou em Harward, Princenton e Minnesotta, foi contista e poeta; bibliografia: Poems (1942), The Dispossessed (1948), Stephen Crane (biografia, 1950), Homage to Mistress Bradstreet (1956), 77 Dream Songs (1964, ganhador do Prêmio Pulitzer) e outros títulos; recebeu premiações por sua obra; o poeta Berryman, que aos 11 anos perdera o pai por suicídio, levou uma vida turbulenta, abusou do álcool, lutou contra depressão e também acabou se suicidando aos 57 anos, saltando da ponte da Avenida Washington, sobre o rio Mississipi em Minneapolis.
