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Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto
[A Teus Pés —
1982]
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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa
Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Ana
Cristina Cruz Cesar (1952 — 1983), ou Ana C., carioca, formada em Letras pela PUCRJ
— Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com mestrado em comunicação
pela UFRJ — Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi escritora, tradutora, professora,
crítica literária e poetisa; ainda criança, aos sete anos de idade, teve poemas
publicados no jornal Tribuna da Imprensa, depois, antes de ingressar na faculdade
de Letras, como participante de um programa de intercâmbio estudou na Richmond School
for Girls, em Londres; na Inglaterra, também cursou Teoria Prática da Tradução Literária
na Universidade de Essex, seu segundo mestrado; foi professora do ensino médio e
em escolas de idiomas, escreveu para os periódicos Jornal do Brasil, Folha de
São Paulo e foi analista de textos da TV Globo; obras publicadas: poesias: Cenas
de abril (1979), Correspondência completa (1979), Luvas de pelica (1980), A Teus
Pés (1982), Inéditos e Dispersos (1985), Novas Seletas (póstumo, organizado por
Armando Freitas Filho), Poética (obra completa, 2013), crítica literária: Literatura
não é documento (1980), Crítica e Tradução (1999); foi colaboradora do Jornal Opinião,
um semanário da chamada imprensa alternativa que fazia oposição à ditadura militar
iniciada em 1964; suicidou-se em 29 de outubro de 1983, atirando-se pela janela
do apartamento dos pais, no sétimo andar de um edifício no bairro de
Copacabana, Rio de Janeiro; é considerada um dos principais nomes da geração
mimeógrafo — também conhecida como poesia marginal da década de 1970.