Mostrando postagens com marcador #contemporânea2023. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #contemporânea2023. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

genésio dos santos: elogio ao puta-que-o-pariu & outros poemas


____________________
elogio ao puta-que-o-pariu

na poesia há que ter espaço para xingamentos e sinônimos.
não por recomendação dos cânones mas porque o poeta assim o quer.
há momentos hediondos durante os quais já não adianta mais burilar o
verso.
é tascar logo um puta-que-o-pariu e permanecer à espreita de que
disso ocorra algum resultado...
talvez o verso dê um sacolejo, se aprume e siga seu destino.

já não importa agora se ele (o verso) é bom ou ruim, se útil ou inútil;
se for necessário, que se escafeda do dicionário, esse sarcófago
aprisionador de palavras,
que rompa essa maldita bolha e não se limite tão somente ao uso e
ao desuso humano.

são paulo, 2023

o

lichia

lichia
lascívia
luxúria

morango manga já não explicam nada
além do sabor próprio e peculiar
já não carregam os prazeres exóticos
de sexualizada libidinagem

são paulo, 2023

o

não quero tirar férias de mim

na real eu quero tirar férias de mim
[jaque alves, em corpor’ação 
pilares: raízes espelhadas]

não quero tirar férias de mim
se isso eu fizer, sucumbo
aí já não serei eu, mas outro qualquer outro

e deixando de ser eu, já não me vale a pena a existência
cansado ou não minha meta é prosseguir
para onde não sei

caminhar... caminhar...

são paulo, 2023

o

metapoesia onde [melhor] lhe aprouver

metapoesia onde lhe aprouver
antes porém tente compreendê-la
pra quê ela surge quando surge se é que surge...

e quando vai embora vai a fim de quê?
o que planeja? o que sonha?
deixa saudades em quem não vai com ela...

e quem não foi com ela,
se optou por ficar no solo na multidão
que outras artes e manhas o acompanham neste enredo?

são paulo, 2023

____________________
genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

genésio dos santos: ambígua idade

____________________
caminho partes partidas
parte de mim se esvai
outra parte permanece
partes que se coabitam
cultivo a que se mantém
escapo da que se vai

ardor tumulto enxurrada
êxtase langor placidez
vida viceja em ambas
da parte que permanece
revolvo constantemente
viço lição semente

da parte que apodrece
reciclo-a como adubo
pra futuras gerações
esta parte presunçosa
parece querer dizer
sem ela o todo perece

sobreviverá nos livros?
guiará desorientados
para além do diz-que-diz-que
da lembrança familiar?

da outra parte, silêncio 
faz de conta que não ouve
faz de conta que é conforme
faz de conta que se ajeita

pedaços que já não colam
rodeiam feito satélites
num corpo que se faz uno
mas sabe que são só cacos
unidos em uma gosma
a que hoje chamamos vida

e a parte presunçosa
que ora mira o futuro
aos poucos se esfumaça 
os olhos já não dão conta
o olfato já não dá conta
o tato já não dá conta
o corpo já não dá conta

e o todo, sem se dar conta,
insiste em querer sentir
insiste em querer pensar
insiste em querer propor
insiste em querer viver

o faro já não dá conta
o instinto já não dá conta...

contemplativo e silente
num presente sem urgências
partilho partes partidas

(2019—2023)

____________________
genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quinta-feira, 27 de julho de 2023

genésio dos santos: o perseguidor de sonhos


____________________
juntava os cacos que foi pela vida
mercadejava sonhos todo dia
não se exauria em criar acordes
num instrumento que trazia à pele

tinha um desejo quase obsessivo
queria a flauta que o encantava
num dia quase transportou-se à lua
e noutro quase mergulhou no abismo

manter-se íntegro até o fim dos dias
era um propósito que o atormentava
partiu em busca do colo da mãe
sentiu vontade de comer lasanha

tascou-lhe um beijo e um abraço forte
e num rompante quis voltar ao útero
notou no entanto já haver crescido
e além de tudo parte fenecia

razão não pode ser só castradora
poesia não há que ser só devaneio...
ao perceber que se despedaçava
colou os cacos e se fez inteiro

(poesia criada em 22.12.2021
e dada por concluída em 27.07.2023)

____________________
genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu: de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

sexta-feira, 9 de junho de 2023

setentão da silva: escasso repasto

____________________

NUM REPENTE
A SERPENTE
BOTA UM OVO
DE NOVO

MALGRADO
O UNGIDO
MUGIDO
DO GADO
FALTA REPASTO
E SOBRA PASTO

MAS NÃO
PARA TODOS

03.12.2022
____________________
setentão da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

genésio dos santos: bula-poema

____________________
          não bula com o poema
          deixe-o fluir sem contraindicação
          tanto faz se são versos livres ou metrificados e rimados, não os recuse.
          fora do poema metrificar o quê?
          se poesia não existir, rimar a vida com quê?
          e não esqueça que dança é poesia

          se dança é poesia, dance.
          se canto é poesia, cante.
          se mímica é poesia, gesticule. mas com ritmo, e intercale respiração pausada.
          o ritmo é você quem faz, a pausa também.
          se escultura é poesia, entalhe.

          burile a vida. não a rasgue de qualquer jeito ou a qualquer propósito, mas na medida certa,
          pois só assim pode ser (ou parecer) prazeroso.
          se gerar sofrimento, que seja tão somente o necessário para que ela (a vida) continue.
          é você quem decide sobre a dose do sofrer.

          se silêncio é poesia, cale-se.
          se pintura é poesia, pinte.
          misturar dança e versos metrificados, canto e versos compassados, mímica e versos silenciados, tudo isso é permitido.
          para a poesia não há contraindicação.

          se viver é sofrimento, alivie o sofrimento, não a vida;
          e se não houver remédio, experimente placebo.
          quem sabe funcione. isso não sei.
          só sei que poesia não traz contraindicação.

          (março/abril de 2023, são paulo sp)

____________________
Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

genésio dos santos: procedimento II


____________________
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
[Drummond, em Procura da poesia]

não faça versos com a palavra voo
se não souber flanar sobre o poema
frases dormidas deixe pra mais tarde
não há razão pra interromper-lhes o sono

pra cada peixe use o anzol preciso
há uma peneira pra cada fonema
não busque rimas, não insista nisso
se não quiser escalavrar o texto

palavras soltas, há que decantá-las
pince-as depois, ou não as pince nunca
palavras tortas não as endireite,
não há segredo para a sua arte

não utilize martelo e cinzel,
o verso pode perder o equilíbrio
se uma palavra persegue o poeta
jamais a esconda, deve haver motivo...

evite as flores que se apresentarem
e enrubescerem ao nascer do sol
remova as pedras que bloqueiam a estrofe
quer cabralinas quer drummondianas

elas, as flores, só emolduram o texto
estas, as pedras, só o enrijecem
esqueça os cânones, não há que segui-los
só os ausculte em caso de emergência

quem sabe o sonho de parir poemas
o faça grávido mais de uma vez

(2020—2023, são paulo — sp)

____________________
Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

setentão da silva: lula III

lula, governadores, ministros, etc., em brasília-df,
um dia após o vândaloterrorismo de 08.01.2023.
____________________
lulalá
sem medo de ser feliz
lula é o cara

lula não se integra
lula não se entrega
lula preso

lula não se desintegra
lula é salvação
lula solto

lula encanta
ainda bem que temos lula
lula vai nos redimir

lula é real

lula é utopia?
lula é o cara?

sp, janeiro de 2023
____________________
setentão da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

genésio dos santos: vítiguenstain

____________________
pela orelha ou pelo bico
pelo bico ou pela orelha
será o bico dum pato?
será orelha dum coelho?

é bom prestar atenção
melhor não confiar no espelho
talvez seja um coelhato
quem sabe só um patelho

alguém disse ornitorrinco?!
por que não? quem sabe, sim!
se o pegarmos pelas patas
e o bicho botar um ovo...

mas se for ovo de páscoa
não poderia ser coelho
nem mesmo um coelhato
jamais seria patelho

quadrinhas feitas nas patas
— tal qual se moldavam telhas!? 
talvez surja um poemato
quem sabe um poemetelho

e o poeta estupefato
procurando pelo em ovo
percebe que tudo empata 
declama a trova de novo:

— pela orelha ou pelo bico
pelo bico ou pela orelha
será o bico dum pato?
será orelha dum coelho?

[2020]

são paulo  sp

____________________
Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

genésio dos santos: poemanifesto ou o desespero do poeta


____________________
Ah, o que escrevi na mesa e no muro
Com coração de tolo e mão de tolo
Não deveria me ornar a mesa e o muro?...

Mas vocês dizem: “Mãos de tolo sujam —
E deve se limpar a mesa e o muro
Até que o último traço desapareça!”

Tolo em desespero [Narr in Verzweiflung,
Nietzschetraduzido por Paulo César de Souza]

          1.
          calem a poesia!
          ignorem-na, ela de nada serve.
          inútil poesia.

          tal qual uma gravura de magritte
          isto não é uma muleta.

          2.
          poetas de todo mundo, uni-vos! uma onda avassaladora percorre os rincões da terra.
          de que adiantaram odes, epigramas, epitalâmios e epístolas que bardos e aedos de antanho recitaram nos ajuntamentos das ágoras e das tribunas para seus ouvintes e degustadores de ocasião? acalmaram angústias pelo menos? reposicionaram desejos?
          ainda agorinha, aqui mesmo na modernidade dos anos vinte do último século do segundo milênio d.c., a já centenaríssima semana de vinte e dois a que veio? o que trouxe com seus saraus e sua exposição em teatro municipal? o que consolidou como benefício? marcava-se ali a criação prioritária de uma arte nacional, mas a mando de quem e de qual elite?
          e hoje, nesta cataléptica pós-modernidade de dois mil e vinte e dois d.c., a que se prestam páginas e páginas internéticas ora ocupadas e visitadas por versos livres ou mesmo sonetos? ou até mesmo por cordéis, repentes e outras canções, tudo devidamente monitorado e chancelado pelos zuquerbérgues nativos e/ou alienígenas... como escapar desta terrível bolharmadilha?

          3.
          “a poesia está morta, mas juro que não fui eu”, manifestou o poeta.
          não, josé paulo paes, nenhuma poesia morreu!
          é certo, contudo, que à luz de vela os versos bruxuleiam cambaleantes, vítimas que são do apagão que nos coloca em atroz escuridão.
          sem novidade no campo literário, protegido pela solidão e em penumbra forçada, o poeta se concentra com uma taça de vinho à mão. e lê, e escreve, e declama.
          quem sabe ele careça da escuridão pra declamar e louvar a réstia de luz, assim como o médico se dedica ao doente e o pastor ao seu rebanho.
          sem doente, pra quê médico? sem rebanho, pra quê pastor?
          e há doente e há rebanho e há escuridão.

          4.
          do mundo real do hoje a poesia não tem nada a dizer ou não quer dizer nada? nem falo do silêncio da pintura, da escultura, da dança, da mímica...
          no entanto, se a poesia, aquela exclusiva que se utiliza da palavra escrita ou falada, não cuidar de tais temas nem deles enviar notícias, então pra que ela serve?
          pra aliviar as dores do narcísico poeta? pra acarinhar alguém ressentido pela ausência de bens materiais?
          quem sabe, ao contrário do que possa afirmar nossa vã suposição, sirva a alguém empanturrado de tantos bens materiais... sei lá! talvez sirva a algum bajulador dos donos do dinheiro.

          5.
          qual o lado da poesia neste ambiente a nós apresentado? nesta pátria dinheiril de arenga democrática, o que a poesia pensa e diz sobre os algoritmos e outros ritmos que nos regem? isso é questão nanúscula ou questão nenhuma para o fazer e o refazer de nossos textos?
          o que palavras pensam e dizem acerca do aquecimento global, do derretimento das cada vez menores calotas polares a cada dia que passa? e sobre o uso dos combustíveis fósseis? o que elas, as palavras, nos revelam sobre o capitalismo selvagem ou vá lá!? , domesticado e bem longe de ser tão somente ocidental e muito menos acidental? já são fatos consumados e irreversíveis?
          com mais acuidade ainda, neste nanocosmo, o que a palavra doce palavra! tem a dizer sobre desgovernos? e o que já se disse sobre governos e desgovernos de ontem ou de antanho? poemas não deram jeito nisso. há poesia que a isso dê jeito?
          aliás, o que é desgoverno? e governo?

          hoje agorinha, e já encaminhado para um qualquercosmo, que ruídos sonantes e/ou dissonantes são ouvidos acerca deste novíssimo e contaminante momento de vento pandêmico que infesta esta bolhaterra? com uma conta na casa de vários milhões de mortos e sequelados, a que veio tal pandemia?
          mas e acerca de todas as mortes de todas as guerras de todos os tempos? só cabe o silêncio?
          o que a poesia declama sobre a china e a cochinchina? e sobre a américa latina?
          ah! o que dizer sobre os que vestem fardas, todas as fardas de todas as cores e para todo propósito? nada há a ser dito?

          6.
          inútil poesia
          não uive para o lado escuro da lua
          não há mais lua
          esqueça a lua

          7.
          o poeta tem algo a dizer sobre a utopia?
          descendo do pedestal para onde foi catapultado e onde ora se posiciona, o que ele nos informa acerca das muletas quaisquer muletas! , a religião, a arte, a bebedeira, o socialismo utópico?
          existe socialismo utópico? não sendo utópico, pode-se arguir sobre algum socialismo real? há magia que dê jeito a isso?

          8.
          a morte ronda perversa. e se a vida for tão somente um paliativo para em vão tentar driblá-la no que há devir, há placebo que nos alivie e nos conforme?
          não, não é preciso calar a poesia. ela já anda calada. por inútil, já não serve pra nada mesmo.

          [ou, sem pretensão alguma e tampouco movidos por intenções terceiras, a cultivemos e a deixemos funcionar, talvez!, mesmo que sem função definida...]

____________________
Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

domingo, 8 de janeiro de 2023

setentão da silva: criativa idade

____________________

MERGULHO
NO ENTULHO
DÁ ENGULHO

ME EMBRULHO
O ORGULHO
ENGULO

CRIA
A TI
VAIDADE!

03.12.2022
____________________
setentão da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.