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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Marina Sabina: Marinha

 
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Quando, na beira azul do Oceano infindo,
entre o coral e a concha nacarada,
pela primeira vez viste, sorrindo,
dos meus olhos a luz vaga e magoada;

tua tranqüilidade foi fugindo;
ficavas pensativo na amurada
e eu, presa ao teu olhar, num sonho lindo,
à meia voz cantava uma balada...

Depois, tu me esqueceste. E sobre a praia,
quando, ante o Oceano esplêndido e infinito,
vejo a espuma ligeira que se espraia,

fico a cismar, no sonho que me enleia,
que eu gravei o teu nome no granito,
que escreveste o meu nome sobre a areia...

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Maria Sabina de Albuquerque (1898 1991), mineira de Barbacena, doutora em Letras Inglesas pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, foi professora, jornalista, poetisa e feminista atuante; lecionou inglês, francês, literatura universal, arte poética e oratória, escreveu e publicou, Na Penumbra do Sonho (poesia, 1921), Água Dormente (poesia, 1925), Alma Tropical (contos, 1928), O País sem Caminhos (poesia, 1931), Entusiasmo (poesia, 1ª edição em 1938), Adolpho Lutz (biografia), e outros títulos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Maria Sabina: Eterno amor

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Não sei se o grande amor que hoje floresce
Nossa existência, embalsamando tanto,
Será da própria essência do que cresce
Dia a dia na vida, eterno e santo.

Dizem, que o afeto que hoje me enriquece
Será diluído em pérolas de pranto,
Porque o homem que adora, um dia esquece
Por outro amor o seu maior encanto...

Que importa? Viverei pela saudade,
Venturosa talvez, mesmo esquecida,
Pois meu amor contém a eternidade...

Amor forte demais para esquecê-lo,
Que passa além da Morte, porque a Vida
É pequena demais para contê-lo!
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª  edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Maria Sabina de Albuquerque (1898 1991), mineira de Barbacena, doutora em Letras Inglesas pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, foi professora, jornalista, poetisa e feminista atuante; lecionou inglês, francês, literatura universal, arte poética e oratória, escreveu e publicou Na Penumbra do Sonho (poesia, 1921), Água Dormente (poesia, 1925), Alma Tropical (contos, 1928), O País sem Caminhos (poesia, 1931), Entusiasmo (poesia, 1ª. edição em 1938), Adolpho Lutz (biografia), e outros títulos.