____________________
Quando, na beira azul do Oceano
infindo,
entre o coral e a concha nacarada,
pela primeira vez viste, sorrindo,
dos meus olhos a luz vaga e
magoada;
tua tranqüilidade foi fugindo;
ficavas pensativo na amurada
e eu, presa ao teu olhar, num sonho
lindo,
à meia voz cantava uma balada...
Depois, tu me esqueceste. E sobre a
praia,
quando, ante o Oceano esplêndido e
infinito,
vejo a espuma ligeira que se
espraia,
fico a cismar, no sonho que me
enleia,
que eu gravei o teu nome no
granito,
que escreveste o meu nome sobre a
areia...
____________________
O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco
de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987,
Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Maria Sabina de Albuquerque (1898 — 1991), mineira de Barbacena, doutora em
Letras Inglesas pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, foi professora, jornalista,
poetisa e feminista atuante; lecionou inglês, francês, literatura universal, arte
poética e oratória, escreveu e publicou, Na Penumbra do Sonho (poesia, 1921), Água
Dormente (poesia, 1925), Alma Tropical (contos, 1928), O País sem Caminhos (poesia,
1931), Entusiasmo (poesia, 1ª edição em 1938), Adolpho Lutz (biografia), e outros
títulos.
