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Alvorecera
um dia luminoso,
De
límpida e suave transparência;
— Tranquilo
como um sonho venturoso,
Alegre
como o riso da inocência.
Do céu
azul sereno e fulgurante,
Por sobre
o verde cafezal extenso,
Caía o
sol, de um brilho deslumbrante,
Dourando
a plantação, cálido, intenso...
Um velho
escravo, trêmulo e alquebrado,
A custo
erguendo o baço olhar magoado,
Contempla
ao longe a alcantilada serra;
E os
lábios entre-abrindo, vagamente,
Murmura: —
Quem me dera, ó Deus clemente!
Tornar a
ver o céu da minha terra.
O Coração — 1893
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Zalina Rolim — Arruda Dantas
[biografia e poemas], Apresentação [Prefácio], Organização de dados biográficos
e Posfácio “Post Scriptum” de Arruda Dantas, 1983, Editora Pannartz, São Paulo —
SP; Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo (1869 — 1961), paulista de Botucatu, foi
professora alfabetizadora, educadora, poeta e uma das precursoras na difusão de
poesias para crianças no país; passou parte de sua infância em Itapetininga,
terra de seus familiares, mas também morou em Itapeva [ex Faxina], Araraquara,
São Roque, Sorocaba e Itu, todas cidades do interior paulista, sempre acompanhando
o pai, então juiz de Direito e nomeado para estas localidades; em 1893, a
educadora e poeta mudou-se para a capital, São Paulo, quando o pai veio a
assumir cargo no Tribunal de Justiça estadual; Zalina Rolim só frequentou
regularmente uma escola em Itapeva, aos sete anos de idade e por um breve
período, e ali também aprendeu português, francês, italiano e inglês em aulas
ministradas por João Kopke [educador e escritor, 1852 — 1926]; no mais, todo
seu aprendizado cultural se deu em casa e sob a orientação direta do pai; na
capital paulista, foi pioneira na formação educacional do primeiro Jardim da Infância
de São Paulo, anexo à Escola Normal da Capital [depois, Escola Normal Caetano
de Campos, hoje Edifício Caetano de Campos, da Secretaria de Educação de São
Paulo, na Praça da República]; traduziu obras dos idiomas inglês e italiano,
colaborou com a Revista do Jardim da Infância, além de ter participado com adaptações
e produções originais de pedagogia, ficção e poesia; escreveu para a revista feminina
A Mensageira (1897 — 1900) e para os jornais O Itapetininga, Correio Paulistano,
A Província de São Paulo e A Cidade de Itu; suas obras: O Coração (poesias, 1893), Livro
das Crianças (poesias, 1897) e Livro da Saudade (organizado em 1903 para publicação póstuma
e se extraviou); a poeta e educadora, mesmo sem formação acadêmica oficial,
exerceu funções pedagógicas como auxiliar de diretoria na criação deste
primeiro Jardim de Infância paulistano; hoje há na cidade de São Paulo duas
instituições com seu nome: Escola Estadual Dona Zalina Rolim [Rua Luís Carlos,
740 — Vila Aricanduva] e... isto é, havia... pois em pesquisa googleana, o
atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa descobriu, através
de página da prefeitura de São Paulo, que o Espaço de Leitura Zalina Rolim [Rua
Corredeira, 26 — Vila Mariana] encontra-se permanentemente desativado [notícia
de fevereiro de 2023].