____________________
[traduzido por Augusto de Campos]
E
a morte não terá domínio.
Nus, os mortos hão de ser um.
Com o homem ao léu e a lua em declínio.
Quando os ossos são só ossos que se vão,
Estrelas
nos cotovelos e nos pés;
Mesmo
se loucos, hão de ser sãos,
Do
fundo do mar ressuscitarão
Amantes podem ir, o amor não.
E a morte não terá domínio.
E
a morte não terá domínio.
Sob os turvos torvelinhos do mar
Os
que jazem já não morrerão ao vento,
Torcendo-se
nos ganchos, nervos a desfiar,
Presos
a uma roda, não se quebrarão,
A
fé em suas mãos dobrará de alento,
E
os males do unicórnio perderão o fascínio,
Esquartejados
não se racharão.
E a morte não terá domínio.
E
a morte não terá domínio.
Os gritos das gaivotas não mais se ouvirão
Nem
as ondas altas quebrarão nas praias.
Onde uma flor brotou não poderá outra flor
Levantar
a cabeça às lufadas da chuva;
Embora
sejam loucas e mortas como pregos,
Testas
tenazes martelarão entre margaridas:
Irromperão
ao sol até que o sol se rompa,
E
a morte não terá domínio.
 |
| Dylan Thomas |
and death shall have no dominion
And death shall have no dominion.
Dead man naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean
and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give
way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan’t crack;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no
more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.
____________________
poesia
da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos
e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo volume 42, 2006, Editora Perspectiva,
São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 — 1952), nascido em Swansea — País
de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos
tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia
aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da
irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933
publica no New English Weekly publica seu primeiro poema fora do País de Gales
e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner;
Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua
inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B.
Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado
poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma
vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade,
vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; bibliografia: 18 Poems (1934),
25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted
Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.