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Uma cobra de três cabeças
com qual delas vai comer
o sapo gordo e distraído
na tarde de domingo?
A cabeça esquerda está mais perto.
É ela que vi dar o bote — acredito.
— Que nada! É com a direita —
diz meu vizinho com voz de pato.
Veja. Três cabeças se mexendo
para atacar o bofe do sapo…
— A do meio vai conseguir —
Alguém aposta e grita.
Mas olha lá — rápido!
O sapo está saltando — Vupt!
Fugiu e deixou a pergunta no ar.
E a cobra? Chora arrependida.
Três cabeças que não se entendem
passam fome de tanto pensar.
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Varal de Poesia — Fernando Paixão,
Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes e Mário Quintana, Ilustrações de Alex Cerveny,
2008, 1ª edição, 8ª impressão, Editora Ática, São Paulo — SP; Fernando Augusto Magalhães
Paixão, nascido em 1955, português da aldeia de Beselga — Penedono, mudou-se para
São Paulo — SP em 1961, formado em jornalismo pela USP, com mestrado pela Unicamp,
Campinas — SP (Estudo sobre a poesia do poeta português Mário de Sá-Carneiro) e
doutorado pela PUC—SP (tese sobre o gênero do poema em prosa), é editor, professor
e poeta; obras: Rosa dos Tempos (1980), O Que É Poesia? — coleção Primeiros
Passos (1982), Fogo dos Rios (1989), 25 Azulejos (1994), Poesia a Gente Inventa
(literatura infantil, 1996), Poeira (2001) e outros; professor de literatura pelo
IEB-USP-SP, colabora com jornais e revistas na área de literatura e temas afins;
foi professor visitante pela Universidade de Berkeley e Universidade da Califórnia
em Los Angeles — UCLA, ambas nos Estados Unidos, e na Universidade Nova de Lisboa,
Portugal; por mais de 30 anos Fernando Paixão atuou profissionalmente na área editorial;
recebeu premiações por sua obra.




