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quarta-feira, 16 de março de 2022

Fernando Paixão: Três cabeças

 
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Uma cobra de três cabeças
com qual delas vai comer
o sapo gordo e distraído
na tarde de domingo?

A cabeça esquerda está mais perto.
É ela que vi dar o bote acredito.
Que nada! É com a direita
diz meu vizinho com voz de pato.

Veja. Três cabeças se mexendo
para atacar o bofe do sapo…
A do meio vai conseguir
Alguém aposta e grita.

Mas olha lá rápido!
O sapo está saltando Vupt!
Fugiu e deixou a pergunta no ar.

E a cobra? Chora arrependida.
Três cabeças que não se entendem
passam fome de tanto pensar.

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Varal de Poesia — Fernando Paixão, Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes e Mário Quintana, Ilustrações de Alex Cerveny, 2008, 1ª edição, 8ª impressão, Editora Ática, São Paulo — SP; Fernando Augusto Magalhães Paixão, nascido em 1955, português da aldeia de Beselga Penedono, mudou-se para São Paulo SP em 1961, formado em jornalismo pela USP, com mestrado pela Unicamp, Campinas SP (Estudo sobre a poesia do poeta português Mário de Sá-Carneiro) e doutorado pela PUCSP (tese sobre o gênero do poema em prosa), é editor, professor e poeta; obras: Rosa dos Tempos (1980), O Que É Poesia? — coleção Primeiros Passos (1982), Fogo dos Rios (1989), 25 Azulejos (1994), Poesia a Gente Inventa (literatura infantil, 1996), Poeira (2001) e outros; professor de literatura pelo IEB-USP-SP, colabora com jornais e revistas na área de literatura e temas afins; foi professor visitante pela Universidade de Berkeley e Universidade da Califórnia em Los Angeles UCLA, ambas nos Estados Unidos, e na Universidade Nova de Lisboa, Portugal; por mais de 30 anos Fernando Paixão atuou profissionalmente na área editorial; recebeu premiações por sua obra.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Fernando Paixão: Macacalho

 
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Tinha no campo um espantalho
Que há muito tempo achava chato
Ficar sempre parado
Plantado no meio do mato.

O macaco por sua vez
Corria sem nunca parar.
Subia e descia qualquer lugar
Com a mesma rapidez.
Mas na verdade chato também era
Ficar correndo a vida inteira.

Já cansado de tanto esforço
O macaco topou no buraco de um poço.
Ficou ali embatucado
Bem pertinho do espantalho.
Melhor coisa não podia acontecer
Para eles poderem se conhecer.

Minha vida não tem alegria
Reclamou triste o espantalho.
Vejo a mesma coisa todo o dia
Fico logo aporrinhado.
Para mim é diferente disse o outro.
Canso de pular de galho em galho.

Cada um com suas novidades
Eles muito conversaram.
Em pouco tempo ganharam amizade
Até que um dia se tocaram.
Deram um abraço tão bom e apertado
Que ambos se sentiram transformados.
Desse abraço surgiu macacalho
Mistura de macaco e espantalho.
Parava quando queria
Se quisesse também corria.
E como ficaram contentes.
Abraçados: eram diferentes.

Um bicho novo assim surgia
De dois amigos que se uniam.
Pois na floresta da amizade
O que vale é a imaginação.
Aqui os bichos se misturam à vontade:
Girafante, macacoruja, bufaleão.

E por que não um espantilo
Meio espantalho meio crocodilo?

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Varal de Poesia — Fernando Paixão, Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes e Mário Quintana, Ilustrações de Alex Cerveny, 2008, 1ª edição, 8ª impressão, Editora Ática, São Paulo — SP; Fernando Augusto Magalhães Paixão, nascido em 1955, português da aldeia de Beselga  Penedono, mudou-se para São Paulo  SP em 1961, formado em jornalismo pela USP, com mestrado pela Unicamp, Campinas  SP (Estudo sobre a poesia do poeta português Mário de Sá-Carneiro) e doutorado pela PUCSP (tese sobre o gênero do poema em prosa), é editor, professor e poeta; obras: Rosa dos Tempos (1980), O Que É Poesia? — coleção Primeiros Passos (1982), Fogo dos Rios (1989), 25 Azulejos (1994), Poesia a Gente Inventa (literatura infantil, 1996), Poeira (2001) e outros; professor de literatura pelo IEB-USP-SP, colabora com jornais e revistas na área de literatura e temas afins; foi professor visitante pela Universidade de Berkeley e Universidade da Califórnia em Los Angeles UCLA, ambas nos Estados Unidos, e na Universidade Nova de Lisboa, Portugal; por mais de 30 anos Fernando Paixão atuou profissionalmente na área editorial; recebeu premiações por sua obra.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Fernando Paixão: A menina e as asas

 
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Marcolina sabia muitas histórias.
Aquelas que mamãe contava
outras que lera nos livros
também as de sua imaginação.

Mas agora torce o nariz
quando percebe a repetição:
o cavalo de asas, o  peixinho de asas,
o burro de quatro asas
e até as asas de um herói grego
derretendo no calor do sol.

"Por que tantas histórias iguais?"
quer saber Marcolina
imaginando a bicharada voar sem direção.
"Se todos tivessem asas, que seria do céu?"

“Em que pedaço de nuvem dormiria o elefante?
Será que o leão, parecido com anjo,
deixaria em paz o veado voador?”
Ia ser uma grande confusão.
E os passarinhos, coitados,
teriam que andar no chão.

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Varal de Poesia — Fernando Paixão, Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes e Mário Quintana, Ilustrações de Alex Cerveny, 2008, 1ª edição, 8ª impressão, Editora Ática, São Paulo — SP; Fernando Augusto Magalhães Paixão, nascido em 1955, português da aldeia de Beselga Penedono, mudou-se para São Paulo SP em 1961, formado em jornalismo pela USP, com mestrado pela Unicamp, Campinas SP (Estudo sobre a poesia do poeta português Mário de Sá-Carneiro) e doutorado pela PUCSP (tese sobre o gênero do poema em prosa), é editor, professor e poeta; obras: Rosa dos Tempos (1980), O Que É Poesia? — coleção Primeiros Passos (1982), Fogo dos Rios (1989), 25 Azulejos (1994), Poesia a Gente Inventa (literatura infantil, 1996) e outros; professor de literatura pelo IEB-USP-SP, colabora com jornais e revistas na área de literatura e temas afins; foi professor visitante pela Universidade de Berkeley e Universidade da Califórnia em Los Angeles  UCLA, ambas nos Estados Unidos, e na Universidade Nova de Lisboa, Portugal; por mais de 30 anos Fernando Paixão atuou profissionalmente na área editorial; recebeu premiações por sua obra.