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Trôpego, cansado, mal bistido,
U mendigu caminha rua a fora.
Nu seu ulhar mortiço i dulurido
Bislumbres há duns vons tempos
d´oitrora.
In certo ponto pára i ulhando u
céu,
Clama cum amargura a sua disgraça:
“Deus que mi bêdes andar assim ao
léu,
Vevi du fel da vida intãira a
taça!
Tende piedade! Balei-me! Binde a
mim!
Qui debo eu fazer pra não sufrer
assim,
Si assim eu bibo dês que bim ao
mundo?...”
I oubiu-se, intão, u´a bóz, mãiga,
amurosa,
A lhi dizer, suabe i querinhosa:
“Bá pegar na inxada, vagabundo!...”

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232 Poetas
Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968,
Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Gino Cortopassi ou Zé Fidélis
(1910 — 1985), paulista e paulistano, formado contador pelo Mackenzie College (atual Universidade Mackenzie — São Paulo), foi
cantor, compositor, radialista, humorista e poeta; adotando o pseudônimo Zé Fidélis, estreou no rádio em 1930, e por este nome artístico ficou conhecido; escreveu
e publicou História do mundo, Binho, mulata e vacalhau, Teatro maluco, Meningite
aguda, Lira arreventada, Sarravulho, Muito sangue e pouca areia, Bérsos a Gasugênio,
A ópera pela tripa, Seleção Canalhinha; gravou também uma extensa discografia
com paródias, anedotas, humorismo, marchas e xotes.