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sexta-feira, 11 de março de 2022

Púchkin: Quando esse esbelto corpo teu . . .

 
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[traduzido por José Casado]

Quando esse esbelto corpo teu
Entre meus braços aprisiono,
E às expressões deste amor meu,
Arrebatado, me abandono,
Das mãos prementes, sem um som,
O talhe airoso, sem detença,
Livras e me respondes com
Sorriso de funda descrença.
Lembrando com aplicação
Das mutações minha a história,
Pões-te a escutar-me, merencória,
Sem simpatia ou atenção.
Maldigo as proezas astuciosas
De minha juventude atroz
E as entrevistas amorosas
Nos jardins, nas noites sem voz.
Maldigo do oaristo os cicios,
Dos versos os encantos magos,
Das virgens simples os afagos,
O pranto e os queixumes tardios.

(1830)

Aleksandr Púchkin

Когда в объятия мои
Твой стройный стан я заключаю,
И речи нежные любви
Тебе с восторгом расточаю,
Безмолвна, от стесненных рук
Освобождая стан свой гибкой,
Ты отвечаешь, милый друг,
Мне недоверчивой улыбкой;
Прилежно в памяти храня
Измен печальные преданья,
Ты без участья и вниманья
Уныло слушаешь меня…
Кляну коварные старанья
Преступной юности моей
И встреч условных ожиданья
В садах, в безмолвии ночей.
Кляну речей любовный шопот,
Стихов таинственный напев,
И ласки легковерных дев,
И слезы их, и поздний ропот.

(1830)
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc. além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Púchkin: Um corvo seu voo alçou . . .

 
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[traduzido por José Casado]

Um corvo seu voo alçou
Direto a outro, e gritou:
“Irmão! onde almoçaremos?
Como a isto proveremos?”

O outro lhe respondeu:
“Que almoçaremos, sei-o eu;
No campo, sob o salgueiro,
Está, sem vida, um guerreiro.

Quem o matou, e a razão,
Sabe-o apenas seu falcão,
Sabe-o sua égua corvina
E a mulher quase menina.”

Ao bosque a ave se abalou,
A égua o inimigo montou,
E a mulher aguarda o amado,
Não o sem vida: o animado.

(1828)


Ворон к ворону летит,
Ворон ворону кричит:
“Ворон! где б нам отобедать?
Как бы нам о том проведать?”

Ворон ворону в ответ:
“Знаю, будет нам обед;
В чистом поле под ракитой
Богатырь лежит убитый.

Кем убит и отчего,
Знает сокол лишь его,
Да кобылка вороная,
Да хозяйка молодая”.

Сокол в рощу улетел,
На кобылку недруг сел,
А хозяйка ждет мило́го,
Не убитого, живого.

[1828]
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc. além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Púchkin: O Prisioneiro

 
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[traduzido por José Casado]

Estou trás as grades de úmida prisão.
Águia jovem criada nesta servidão,
Triste companheiro meu, a asa a agitar,
Sangrenta ração se dispõe a bicar.

Mas logo a rejeita, e olha através do vão
Qual se a meditar em minha solidão.
Atrai com a olhada e o grito peculiar
E quer proferir: “Ponhamo-nos a voar!

Livres somos nós; é hora, é hora, irmão!
Ao cimo que alveja trás o nimbo, então,
Ao ponto em que o azul aos mares se estendeu,
Ao em que passeamos, sós, o vento… e eu!”

(1822)

Púchkin

Узник

Сижу за решеткой в темнице сырой.
Вскормленный в неволе орел молодой,
Мой грустный товарищ, махая крылом,
Кровавую пищу клюет под окном,

Клюет, и бросает, и смотрит в окно,
Как будто со мною задумал одно;
Зовет меня взглядом и криком своим
И вымолвить хочет: «Давай улетим!

Мы вольные птицы; пора, брат, пора!
Туда, где за тучей белеет гора,
Туда, где синеют морские края,
Туда, где гуляем лишь ветер… да я!..»

[1822 г.]
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc. além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

sábado, 27 de novembro de 2021

Púchkin: A carta incinerada

 
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[traduzido por José Casado]

Adeus, carta de amor, adeus; assim quis ela…
Muito procrastinei, muito à chama da vela
Meu regozijo eu não me decidi a opor!...
Basta, o instante chegou: arde, carta de amor.
Minha alma (pronto estou) outro ato não concebe.
As páginas, voraz, o calor já recebe…
Inflamaram-se após instante… e a fumaçar,
Sobem, perdem-se com minhas súplicas no ar.
A esvair-se a impressão fiel do anel-sinete
Ó Providência , o lacre, em brasa já, derrete…
Cada folha se enrola, então cor de carvão.
Era fatal! Na cinza a oculta e alma expressão
Branqueja…O peito meu contrai-se. Cinza amada,
Refrigério infeliz de sorte desgraçada,
Serás sempre sobre este aflito coração.

(1825)

Aleksandr Púchkin

СОЖЖЕННОЕ ПИСЬМО

Прощай, письмо любви! прощай: она велела.
Как долго медлил я! как долго не хотела
Рука предать огню все радости мои!...
Но полно, час настал. Гори, письмо любви.
Готов я; ничему душа моя не внемлет.
Уж пламя жадное листы твои приемлет...
Минуту!... вспыхнули... пылают... легкий дым.
Виясь, теряется с молением моим.
Уж перстня верного утратя впечатленье,
Растопленный сургуч кипит... О провиденье!
Свершилось! Темные свернулися листы;
На легком пепле их заветные черты
Белеют... Грудь моя стеснилась. Пепел милый,
Отрада бедная в судьбе моей унылой,
Останься век со мной на горестной груди...

(1825)
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc. além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

sábado, 16 de outubro de 2021

Púchkin: O Demônio

 
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[traduzido por José Casado]

Quando era a cada meu sentido
Nova do ser toda expressão
 Da moça o olhar, do bosque o ruído
E do rouxinol a canção ,
E cada nobre sentimento
 A liberdade, a glória, o amor 
E o atuar do artístico talento
Davam ao sangue tanto ardor;
As de gozo e fé, de repente,
Fazendo horas de depressão,
Gênio do mal, secretamente,
A visitar-me entrou então.
Tristes eram nossas conversas:
Seu sorriso, seu belo olhar
E as falas frias e perversas
Vinham minha alma envenenar,
A Providência ele infamava
A caluniar sem suspensão;
Para lindo sonho chamava;
Menosprezava a inspiração;
De liberdade e amor descria;
A vida olhava com desdém;
E da natura não queria
De coisa alguma dizer bem.

(1823)

Púchkin

ДЕМОН

В те дни, когда мне были новы
Все впечатленья бытия
И взоры дев, и шум дубровы,
И ночью пенье соловья,
Когда возвышенные чувства,
Свобода, слава и любовь
И вдохновенные искусства
Так сильно волновали кровь,
Часы надежд и наслаждений
Тоской внезапной осеня,
Тогда какой-то злобный гений
Стал тайно навещать меня.
Печальны были наши встречи:
Его улыбка, чудный взгляд,
Его язвительные речи
Вливали в душу хладный яд.
Неистощимой клеветою
Он провиденье искушал;
Он звал прекрасное мечтою;
Он вдохновенье презирал;
Не верил он любви, свободе;
На жизнь насмешливо глядел
И ничего во всей природе
Благословить он не хотел.

[1823]
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc. além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

sábado, 28 de agosto de 2021

Púchkin: O eco

 
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[traduzido por José Casado]

Se na floresta fera urrar,
Se guampa ouvir-se ou trovão soar,
Se moça além morro cantar,
A cada som
Tens ricochete no ermo ar,
Súbito e bom.

Atenção prestas ao fragor,
De onda e procela ao estridor,
Aos gritos de um e outro pastor,
O eco a atender;
Não há fugir… Poeta, cantor,
Tal é teu ser.

(1831)

Aleksandr Púchkin

ЭХО

Ревет ли зверь в лесу глухом,
Трубит ли рог, гремит ли гром,
Поет ли дева за холмом
На всякой звук
Свой отклик в воздухе пустом
Родишь ты вдруг.

Ты внемлешь грохоту громов
И гласу бури и валов,
И крику сельских пастухов
И шлешь ответ;
Тебе ж нет отзыва… Таков
И ты, поэт!

(1831)
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin — Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; suas obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc. além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Púchkin: Manhã de inverno

 
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[traduzido por José Casado]

Há frio e sol: que manhã linda!
Tu, meu primor, dormes ainda.
É tempo, ó bela, de acordar.
Desvenda o olhar que o torpor cerra,
Encara a aurora sobre a terra
Qual fosses novo astro polar!

À noite, neve e tempestade
Houve e, no céu, névoa, verdade?
A mancha lívida do luar
Nos nimbos era amarelada.
Tristonha estavas e sentada;
E ora... à janela vem olhar:

Ao claro azul do céu que esplende,
Tapete raro que se estende,
A neve jaz a fulgurar;
O bosque, só, sobressai, preto;
Verdeja, sob a geada, o abeto;
Sob gelo, eis a água a lucilar.

Faz-se ambarino o quarto inteiro.
Vem estalido prazenteiro
Do recém-aceso fogão.
Meditar perto dele é grato.
Mas dize: queres que, neste ato,
A poldra parda atrele, não?

A deslizar na neve, amada,
Dar-nos-emos à galopada
Do equino e sua agitação.
Iremos ver os nus e imensos
Campos, faz pouco inda tão densos,
E a praia de minha afeição.

(1829)

Aleksandr Púchkin

ЗИМНЕЕ УТРО

Мороз и солнце; день чудесный!
Еще ты дремлешь, друг прелестный
Пора, красавица, проснись:
Открой сомкнуты негой взоры
Навстречу северной Авроры,
Звездою севера явись!

Вечор, ты помнишь, вьюга злилась,
На мутном небе мгла носилась;
Луна, как бледное пятно,
Сквозь тучи мрачные желтела,
И ты печальная сидела
А нынче… погляди в окно:

Под голубыми небесами
Великолепными коврами,
Блестя на солнце, снег лежит;
Прозрачный лес один чернеет,
И ель сквозь иней зеленеет,
И речка подо льдом блестит.

Вся комната янтарным блеском
Озарена. Веселым треском
Трещит затопленная печь.
Приятно думать у лежанки.
Но знаешь: не велеть ли в санки
Кобылку бурую запречь?

Скользя по утреннему снегу,
Друг милый, предадимся бегу
Нетерпеливого коня
И навестим поля пустые,
Леса, недавно столь густые,
И берег, милый для меня.

(1829)
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin — Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; obras: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (18211822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguin (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) etc., além de contos de fadas e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; o poeta, desafiado por um contendor e desafeto a duelar, aceitou o desafio e, no dia 8 de fevereiro de 1837, foi ferido, vindo a morrer dois dias após; Púchkin nos deixou muitas obras inacabadas; é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.

terça-feira, 24 de março de 2020

Púchkin: Versos compostos durante uma noite de insônia

Resultado de imagem para editora nova fronteira púchkin
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[traduzido por José Casado]

Tudo é sono e escuridão;
Não há luz, nem meu ser dorme.
Perto de mim, uniforme,
Só o som do carrilhão,
Da parca o senil gaguejo,
Da noite dormente o adejo,
Da vida de rato a ação…
Por que me inquietas, então?
Que expressas, ruído aborrido?
Repreensão? ou gemido
Por todo meu dia vão?
O que de mim ora exiges?
Convocas-me? Algo predizes?
Gostaria de captar
Teu sentido, e o hei de achar.

(1830)

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Aleksandr Púchkin

СТИХИ, СОЧИНЕННЫЕ НОЧЬЮ ВО ВРЕМЯ БЕССОННИЦЫ

Мне не спится, нет огня;
Всюду мрак и сон докучный.
Ход часов лишь однозвучный
Раздается близ меня,
Парки бабье лепетанье,
Спящей ночи трепетанье,
Жизни мышья беготня…
Что тревожишь ты меня?
Что ты значишь, скучный шепот?
Укоризна или ропот
Мной утраченного дня?
От меня чего ты хочешь?
Ты зовешь или пророчишь?
Я понять тебя хочу,
Смысла я в тебе ищу…

(1830)
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Poesia de Todos os Tempos: Púchkin — Poesias escolhidas, edição bilíngue, Seleção, Tradução do russo, Prefácio, Traços biobliográficos, Notas e Apêndice (Olavo Bilac, tradutor de Púchkin) de José Casado, 1992, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 1837), russo de Moscou, foi poeta, romancista e dramaturgo; de família nobre, educado desde o berço por preceptores vindos de Paris França e devido ter tido acesso à biblioteca paterna, quase toda de literatura francesa, aprendeu o francês antes mesmo de conhecer a língua dos pais; à época, os integrantes da nobreza russa conversavam com seus pares quase sempre em francês: o idioma russo era reservado para a comunicação com os servos; o poeta e escritor veio a aprender o russo com uma avó e com uma serva da família; em 1811, ingressou no Tsarskoye Selo Lyceum, recém-inaugurado e, a partir daí, começou a escrever e divulgar seus poemas; bibliografia: em poesia, Ruslan e Lyudmila (18171820), Prisioneiro do Cáucaso (18201821), Ladrões de irmãos (1821—1822), Ciganos (1824), Conde Nulin (primeira edição, 1825), Poltava (18281829), Uegene Oneguim (novela em verso, 18231832) etc, em dramaturgia, Boris Godunov (1825), O Cavaleiro Malvado, Mozart e Salieri, Convidado de pedra (todos de 1830) ..., em prosa, O conto do falecido Ivan Petrovich Belkin (1830), Dubrovsky (1833), A Rainha de Espadas, História de Pugachev (ambos em 1834), Noites egípcias (1835), Filha do Capitão (1836) e outros, além de contos de fadas e mais textos em verso, prosa e dramaturgia; desafiado por um desafeto contendor a duelar, o poeta aceitou e, em 8 de fevereiro de 1837, foi ferido gravemente, vindo a morrer dois dias após; Púchkin, que nos deixou muitas obras inacabadas, é considerado por seus contemporâneos como o maior dos poetas russos.