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sábado, 19 de março de 2011

Renato Rovai: ...ou "a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar"...

Reproduzo texto assinado por Renato Rovai (Revista Forum) no qual o jornalista, a partir do desastre que ocorreu no Japão no último dia 11, com cidades inteiras sendo devastadas pelo terremoto seguido de tsunami e outras seqüelas decorrentes disso, inicia uma reflexão acerca do presente estágio da economia mundial, estágio este que tem a nação japonesa como "um dos países centrais do atual modelo de desenvolvimento capitalista", e que se impõe pela perversa lógica de mais produção, mais trabalho, mais consumo, que exige mais energia (nuclear!) para gerar mais produção, que deve gerar mais trabalho, mais consumo..., tudo isso num interminável movimento desta roda-viva chamada capitalismo. E arremata: "Sem trocadilhos, é o fim do mundo."
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O Japão e o capitalismo urubu




Já fiz algumas coberturas jornalísticas bastante duras, mas as cenas que chegam do Japão são de estremecer.
Não só as  imagéticas. Mas também aquelas que os relatos nos fazem imaginar.
Dia desses li que numa das cidades litorâneas os seres humanos arrastados pela Tsunami começavam a ser devolvidos pelo mar. Falava-se em mil corpos num só dia. Não vi a imagem, mas a imaginei…
É exagerado dizer que o que aconteceu guarda relação com o aquecimento global. Mas ao mesmo tempo não dá para não dizer que o homem não tem tratado a natureza e seus fenômenos com desdém.
Até teorias fraudulentas de que na verdade há esfriamento e não aquecimento são difundidas por pessoas sérias.
E isso acaba levando uma questão do nosso tempo a ser tratada de forma lateral e até certo ponto de maneira esquizofrênica. Todo mundo diz que ela é muito importante, mas a grande maioria não dá a menor importância a ela.
O fato é que o Japão é um dos países centrais do atual modelo de desenvolvimento capitalista. Daquele das inovações tecnológicas e do descartável.
No Japão tudo é feito para durar pouco, para que possa ser substituído por algo novo e faça girar a máquina do lucro. Independente do que isso vá gerar de custo energético e ambiental.
O Japão virou o Japão que conhecemos, nesta base.
Aceitou ser aliado dos EUA na Ásia e se beneficiou dessa parceria para entrar com tudo no esquema “se mate de trabalhar para poder consumir”. E consuma tudo que puder de forma mais rápida possível.
O Japão não é o único país que reproduz essa lógica. Ao contrário.
Quase todos os países parecem dispostos a aceitar esse padrão desde que seja possível do ponto de vista econômico.
Dane-se a questão ambiental.
No Brasil de hoje este enfrentamento também faz parte da agenda, mas todo o esforço que se faz é para que ele se resuma a algo menor.
Mas voltando ao Japão,  por incrível que pareça, no meio dessa devastação já há gente fazendo contas de quanto a economia de lá e também do resto do mundo pode vir a ganhar ou perder com a tragédia.
Mesmo que a catástrofe natural não tenha relação com isso – essa é uma questão pros cientistas debaterem – o caos que pode vir a matar milhares por conta das radiações da usinas nucleares têm.
O padrão de consumo imposto pela lógica deste capitalismo urubu nos obriga a ter de produzir cada vez mais energia para poder produzir cada vez mais bens de consumo.
E este debate não tem tido espaço na arena pública.
A pauta é contabilizar os mortos e discutir os impactos da tragédia na economia global.
Sem trocadilhos, é o fim do mundo.
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Genésio dos Santos é aprendiz de blogueiro e tem um lado; entorta, mas não verga pra direita.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Espelho SP: No fundo do poço - Satélio e o décimo-terceiro

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(O Espelho — Informativo dos funcionários do Banco do Brasil S/A — AGCEN-SP — Ano II — n° 19 — Novembro de 1981)

Satélio, ói eu aqui traveis...

O fim-de-ano vem chegando. E o Natal com ele. É época de dar presentes e de receber presentes da família. É época dos presentes da clientela, dos chaveirinhos, calendários e folhinhas. Época de consumir e de ser consumido. Época do décimo-terceiro.

Época de cumprimentar as pessoas, todas as pessoas. Até as desconhecidas e as inimigas que de repente se acercam de nós. De estourar champanha, de beber vinho, comer peru, leitão, carneiro, coelho e outros caviares. Época da missa-do-galo. Regurgite!

Época de contribuir com a LBA e com a TFP. Você sabia que a TFP é profissional em angariar comestíveis, bebestíveis e brinquedos para os flagelados deste país colosso? Agora não me pergunte o que ela faz o ano todo. Eu juro que não sei! Não me comprometa. Tem também a FASPG da primeira dama do Estado. Contribua e ganhe uma medalhinha do Maluf.

E você? Já aproveitou as oportunidades dos últimos meses? Em muitos jornais diários nos eram oferecidos descontos em diversas mercadorias. Cupons impressos no Estadão, na Folha, propagandeavam abatimentos na compra de caldo de galinha, lenços de papel, alvejantes, iogurte e maionese. Era só recortar e ir aos supermercados. E tá em tempo ainda, viu!

Ou, num fim-de-semana destes, dê um pulinho até uma concessionária GM e adquira um Opala zerinho, com oitenta mil de desconto. Pelo menos é o que eles estavam prometendo até estes dias atrás. Não é uma ótima oportunidade? Pois é...

Mas, boca-de-siri, companheirão!!! Não esparrame prá ninguém sobre estas ofertas, que se não você vai ter que aguentar fila. Por acaso já se esqueceu do ocorrido no ano passado, lá no Rio, quando os supermercados começaram a propagandear que tinham feijão preto mais barato? Foi aquela correria... Num piscar de zóio, a fila dobrava esquinas e morros de tão comprida. E houve até bordoada por causa do pretinho que satisfaz. De repente, tava todo mundo a fim. Êta feijoadinha, não!

E teve também aquela empresa pública que resolveu botar um anúncio no jornal dizendo que tinha umas vaguinhas, com salário de liquidação. Você não se lembra? Foi um deus nos acuda. Apareceu gente de tudo quanto é lado e também houve tumulto na fila. Por estas e outras, elimine seus concorrentes não esparramando tais oportunidades. Vá logo aos supermercados com os cupõezinhos e vá logo à GM. Aproveite a chance.

Depois, se sobrar alguns merréis (faça uma forcinha!), aplique no R.D.B. É jogo seguro, meu chapa! Nem o Bradesco oferece igual. Vá firme...

Um beijo irreverente do seu pervertido.

Nadinha pê da vida,

P. da Silva
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P. da Silva, Satélio e Genésio dos Santos são a mesma pessoa e, réus confessos, assumem a autoria desta crônica.