Mostrando postagens com marcador Lucinda Persona. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lucinda Persona. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de março de 2012

Lucinda Persona: Calabouço


Vida
lavrada na ata cotidiana
síntese do sentimento
das realidades perdidas
(e amadas inutilmente).

estou agora como gosto de estar

entre meus objetos e os escombros
do silêncio noturno. Aqui, nesta sala
neste universo com princípio e fim
onde nada se transforma
de uma hora para outra
e qualquer visita é impossível.

Não faz tempo (eu que estou
no imenso calabouço de uma noite)
tive uma assombração de sol
fui à cozinha e vi mamões maduros
adormecidos na fruteira.
Os mamões têm sementes negras
sementes negras e úmidas
em seu calabouço
e que amanhã poderão estar livres
dar novos mamoeiros
eu, não
               e o mundo é assim.
Sopa escaldante (2001)
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 90, Seleção e Prefácio de Paulo Ferraz, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2011, São Paulo  SP; Lucinda Persona, nascida em Arapongas  PR e vivente em Cuiabá  MT, além de poeta, é bióloga pela Universidade Federal do Mato Grosso e mestre em Histologia e Embriologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; foi professora da UFMT até aposentar-se e é professora de Histologia em cursos da área de saúde na Universidade de Cuiabá; publicou os livros de poesia Por imenso gosto (Massao Ohno, 1995), Ser cotidiano (7 Letras, 1998), Sopa escaldante (7 Letras, 2001), Leito de acaso (7 Letras, 2004) e Tempo comum (7 Letras, 2009); na literatura infantojuvenil publicou Ele era de outro mundo (Tempo Presente, 1997) e A cidade sem sol (Razão Cultural, 2000), além de ter participado de antologias de contos e de colaborar com jornais e revistas matogrossenses na produção de resenhas, crônicas e contos.