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domingo, 11 de abril de 2021

Paul Éluard: E um sorriso

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[traduzido por Cláudia Longhi Farina]

A noite nunca está completa
Há sempre já que o digo
Já que o afirmo
No fim da tristeza uma janela aberta
Uma janela iluminada
Há sempre um sonho que vela
Desejo a satisfazer fome a saciar
Um coração generoso
Uma mão estendida uma mão aberta
Uns olhos atentos
Uma vida a vida a se partilhar.

Paul Éluard

Et un sourire

La nuit n’est jamais complète
Il y a toujours puisque je le dis
Puisque je l’affirme
Au bout du chagrin une fenêtre ouverte
Une fenêtre éclairée
Il y a toujours un rêve qui veille
Désir à combler faim à satisfaire
Un cœur généreux
Une main tendue une main ouverte
Des yeux attentifs
Une vie la vie à se partager.

(Le Phénix, 1951.)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; Paul Éluard (1895 1952), pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel, francês de Saint-Denis, foi poeta participante ativo do movimento dadaísta e um dos pilares do surrealismo; ainda com 16 anos de idade, ao contrair tuberculose, teve que interromper seus estudos; Paul Éluard manteve uma convivência intensa com os poetas André Breton e Louis Aragon e os artistas plásticos e pintores Picasso, De Chirico, Salvador Dalí, Magritte, Miró, Man Raye Chagall, atuantes na vida cultural francesa e européia da época; bibliografia: Premiers poèmes (1913), De Devoir (1916), Les Animaux et leurs hommes, les hommes et leurs animaux (1920), Répétitions (1922), L’Amoureuse (1923), Mourir de ne pas mourir (1924), Au défaut du silence (1925), La Dame de Carreau (1926), Capitale de la douleur (1926), L’Amour la Poésie (1930), À toute é preuve (1930), La Vie immédiate (1932), La Rose publique (1934), Facile (1935), L’Évidence Poétique Habitude de la Poésie (1937), Cours naturel (1938), La victoire de Guernica (1938), Le Livre ouvert (1941), Poésie et vérité (1942), Au rendez-vous allemand (1944), Le lit la table (1944), Poésie ininterrompue (1946), Ode à Staline (1950), Le Phénix (1951), Picasso (dessins, 1952) e outros títulos; o poeta lutou tanto na primeira quanto na segunda grande guerra mundial; filiou-se ao partido comunista francês, mas, sendo excluído depois, nunca deixou de apoiar revolucionários e revoluções; em 1942, seu poema ‘Une seule pensée’ (Um único pensamento) foi enviado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra e, ali, após ser traduzido para vários idiomas, foi distribuído como panfleto e lançado por aviões aliados nos céus de uma Europa conflagrada quem contrabandeou o poema de Éluard foi o pintor brasileiro e pernambucano Cícero Dias (1907 2003), que muito posteriormente recebeu condecoração do governo francês pela proeza realizada.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Paul Éluard: A alvorada dissolve os monstros

 
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[traduzido por Cláudia Longhi Farina]

Ignoravam
Que a beleza do homem é maior do que o homem

Viviam para pensar pensavam para calar-se
Viviam para morrer eles eram inúteis
Recobravam a inocência na morte

Tinham posto em ordem
Sob o nome de riqueza
Sua miséria sua bem-amada

Mascavam flores e sorrisos
Coração só encontravam na ponta dos seus fuzis

Não compreendiam as injúrias dos pobres
Dos pobres reunidos amanhã

Sonhos sem sol os tornavam eternos
Mas para que a nuvem virasse lama
Desciam não faziam mais frente ao céu

Toda noite deles sua morte sua bela sombra miséria
Miséria para os outros

Esqueceremos esses inimigos indiferentes
E logo uma multidão
Repetirá a chama clara com a voz bem doce
A chama para nós dois só para nós paciência
Para nós dois em toda a parte o beijo dos vivos.

Paul Éluard

L'aube dissout les monstres

Ils ignoraient
Que la beauté de l'homme est plus grande que l'homme

Ils vivaient pour penser ils pensaient pour se taire
Ils vivaient pour mourir ils étaient inutiles
Ils recouvraient leur innocence dans la mort

Ils avaient mis en ordre
Sous le nom de richesse
Leur misère leur bien-aimée

Ils mâchonnaient des fleurs et des sourires
Ils ne trouvaient de cœur qu'au bout de leur fusil

Ils ne comprenaient pas les injures des pauvres
Des pauvres sans soucis demain

Des rêves sans soleil les rendaient éternels
Mais pour que le nuage se changeât en boue
Ils descendaient ils ne faisaient plus tête au ciel

Toute leur nuit leur mort leur belle ombre misère
Misère pour les autres

Nous oublierons ces ennemis indifférents
Une foule bientôt
Répétera la claire flamme à voix très douce
La flamme pour nous deux pour nous seuls patience
Pour nous deux en tout lieu le baiser des vivants.

(Le lit la table — 1944)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; Paul Éluard (1895 1952), pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel, francês de Saint-Denis, foi poeta participante ativo do movimento dadaísta e um dos pilares do surrealismo; ainda com 16 anos de idade, ao contrair tuberculose, teve que interromper seus estudos; Paul Éluard manteve uma convivência intensa com os poetas André Breton e Louis Aragon e os artistas plásticos e pintores Picasso, De Chirico, Salvador Dalí, Magritte, Miró, Man Raye Chagall, atuantes na vida cultural francesa e européia da época; bibliografia: Premiers poèmes (1913), De Devoir (1916), Les Animaux et leurs hommes, les hommes et leurs animaux (1920), Répétitions (1922), L’Amoureuse (1923), Mourir de ne pas mourir (1924), Au défaut du silence (1925), La Dame de Carreau (1926), Capitale de la douleur (1926), L’Amour la Poésie (1930), À toute é preuve (1930), La Vie immédiate (1932), La Rose publique (1934), Facile (1935), L’Évidence Poétique Habitude de la Poésie (1937), Cours naturel (1938), La victoire de Guernica (1938), Le Livre ouvert (1941), Poésie et vérité (1942), Au rendez-vous allemand (1944), Le lit la table (1944), Poésie ininterrompue (1946), Ode à Staline (1950), Le Phénix (1951), Picasso (dessins, 1952) e outros títulos; o poeta lutou tanto na primeira quanto na segunda grande guerra mundial; filiou-se ao partido comunista francês, mas, sendo excluído depois, nunca deixou de apoiar revolucionários e revoluções; em 1942, seu poema ‘Une seule pensée’ (Um único pensamento) foi enviado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra e, ali, após ser traduzido para vários idiomas, foi distribuído como panfleto e lançado por aviões aliados nos céus de uma Europa conflagrada quem contrabandeou o poema de Éluard foi o pintor brasileiro e pernambucano Cícero Dias (1907 2003), que muito posteriormente recebeu condecoração do governo francês pela proeza realizada.