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Gosto
de ti, ó chuva, nos beirados,
dizendo
coisas que ninguém entende!
da
tua cantilena se desprende
um
sonho de magia e de pecados.
Dos
teus pálidos dedos delicados
uma
alada canção palpita e ascende,
frases
que a nossa boca não aprende,
murmúrios
por caminhos desolados.
Pelo
meu rosto branco, sempre frio,
fazes
passar o lúgubre arrepio
das
sensações estranhas, dolorosas…
Talvez
um dia entenda o teu mistério…
Quando,
inerte, na paz do cemitério,
o
meu corpo matar a fome às rosas!
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O
Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores],
Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ;
Florbela D'Alma da Conceição Lobo Espanca (1894 — 1930), portuguesa de Vila Viçosa,
Alentejo, estudou no Liceu André Gouveia, em Évora, e, depois, na Faculdade de Direito
da Universidade de Lisboa, sem no entanto concluir, foi poeta e contista; consta
de seus traços biográficos que o poema ‘A Vida e a Morte’, escrito aos sete anos,
tenha sido o primeiro de sua obra; colaborou na revista Modas e Bordados (suplemento
de O Século, de Lisboa) e no jornal Notícias de Évora; em vida escreveu e publicou
Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1923); após sua morte, publicaram-se
Reliquiae, Charneca em Flor e os contos As Máscaras do Destino e Dominó Negro (todos
em 1931); a poeta suicidou-se no dia de seu 36º aniversário de nascimento, 08 de
dezembro de 1930.








