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Pálida, à luz da lâmpada sombria,
sobre o leito de flores reclinada,
como a lua por noite embalsamada,
entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando,
por ti — nos sonhos
morrerei sorrindo!
* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro
deste Verso e Conversa: Sergio Faraco, organizador deste 60 Poetas Trágicos,
registra acerca da morte de Álvares de Azevedo: “Com 20 anos veio a falecer, em
decorrência de perfuração intestinal em acidente cirúrgico. Outra versão indica
que era portador de tuberculose pulmonar e grave lesão na fossa ilíaca,
derivada de uma queda de cavalo. Foi o primeiro a morrer entre nossos
principais poetas românticos, inaugurando aquilo que alguém chamou ‘a escola de
morrer cedo’.”
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60
Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos
de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831 — 1852), paulista e
paulistano, estudou no Stoll e no Pedro II (ambos, colégios do Rio de Janeiro),
foi poeta, cronista e ensaísta, cursou a Faculdade de Direito de São Paulo (USP
— Largo São Francisco), mas teve seus estudos interrompidos ao contrair tuberculose,
doença que o levou ao falecimento aos vinte anos de idade, isso somado a uma queda
de cavalo quando em passeio pelas ruas do Rio e à descoberta de um tumor na fossa
ilíaca; devido a vinda prematura da morte, os textos do poeta só foram publicados
postumamente: Lira dos Vinte Anos (poesia, 1853), Obras (1855), Macário (peça de
teatro, 1855), A Noite na Taverna (1878), O Conde Lopo (1886) e outros textos; o
poeta foi patrono da Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras.








