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A face calcinada,
O desespero
Do amargo desengano.
A alegria se foi.
Restou-me o canto,
Derradeiro refúgio
Último quarto
Da obscura morada.
Restou o canto
Ao pássaro,
Restou o canto,
O abecedário,
A palavra;
Inventário do homem.
Sobrou o que sobrou
O estilo na carne,
Sobrou o que sobrou,
O louco intérprete
Da alma de ninguém
Do coração de tudo.
Hoje o homem é a sombra
Do pássaro,
Hoje o homem é o canto
vivo
Da ramagem
A lembrança de fundas
cicatrizes.
Cicatrices
La face calcinée,
le désespoir
de l amère désilusion.
La joie s’en est allée.
Il m’est resté le chant,
dernier refuge
dernière chambre
de l’obscure demeure.
Il est resté le chant
à l’oiseau,
il est resté le chant,
l’abécédaire,
le mot;
inventaire de l’homme.
Il est resté ce qui a
excédé
le style dans la chair,
Il est resté ce qui a
excédé,
le fol interprète
de l’âme de personne
du coeur de tout.
Aujourd’hui l’homme est
l’ombre
de l’oiseau,
aujourd’hui l’homme est
le chant vif
de la ramure
le souvenir de profondes
cicatrices.
* Nota da edição: Poema compilado por Olga
Savary / Poème compilé par Olga Savary
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Chemins Scabreux — revue
littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion
de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores:
Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris
— França; Myriam Fraga (1937 — 2016), baiana de Salvador, foi poeta, biógrafa e
administradora cultural (diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, desde
a sua fundação em 1986); membro da Associação Baiana de Imprensa, foi colaboradora
de diversos jornais e revistas e, de 1984 a 2004, manteve coluna semanal no jornal
A Tarde, em Salvador; obras: Marinhas (1964), Sesmaria (1969, Prêmio Arthur
Salles), O livro de Adynata (1975), A ilha (1975), O risco na pele (1979), A cidade
(1979), As purificações ou O sinal de Talião (1981), A lenda do pássaro que roubou
o fogo (1983) entre outros títulos.



