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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Figueiredo Pimentel: Desânimo

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Já nada tenho do que outrora tive,
e noutros tempos muita coisa eu tinha:
minh'Alma, agora, em desespero, vive,
vivendo sem viver, triste e sozinha.

Muito sorri e muita dor contive,
para que o Mundo vil não visse a minha
grande e profunda Mágoa. E assim estive,
a viver uma vida bem mesquinha.

Tudo perdi. Na noite do Passado,
apagou-se o fanal que me guiava,
no Céu do meu viver a fulgurar.

Agora, velho, trôpego, cansado,
espero, mas em vão, que d'Alma escrava,
venha a Morte os grilhões despedaçar.

(Livro Mau  1895, págs. 85-86, Carlos
 Morais & Cia. Editores, Rio de Janeiro .)
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Alberto Figueiredo Pimentel (1869 1914), fluminense de Macaé, foi jornalista, diplomata, tradutor, romancista, cronista, contista e poeta; redigiu, por algum tempo, uma seção sobre letras brasileiras para a Mercure de France, revista dos simbolistas franceses; no Rio, redigia crônicas para o Gazeta de Notícias, na coluna ’Binóculo’; escreveu e publicou Fototipias (poesia, 1893), O aborto, estudo naturalista (romance, 1893), Histórias da Carochinha, Livro mau (poesia, 1895), O terror dos maridos (romance, 1897), Suicida (romance, 1895), Um canalha (romance, 1895), etc.; recolheu, compilou, traduziu e editou contos clássicos da literatura universal (Perrault, Green, Andersen).