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sexta-feira, 6 de junho de 2014

A. L. do Bom-Successo: O Vento e a Poeira


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           O vento sem ter medo,
           Levanta em turbilhão
           O pó, que estava quedo,
No seu canto dormindo em feio chão.

            E lá pelas alturas
            O pó julga-se um rei;
            Fazendo diabruras
Governa a todos com austera lei.

            O vento, porém, cessa;
            O pó na terra lisa
            Caiu muito depressa;
O rico, e o pobre, tudo nele pisa.

            Pensei ser grande cousa,
            Diz ele tristemente.
            Agora assim repousa
Quem nos ares andou garbosamente!

            Aquele que se eleva
            Sem mérito real,
            Muitas horas não leva
Na bela posição que exerce mal;

            Pois logo que lhe falta
            A protetora mão,
            De posição bem alta
Vem, como deve, rastejar no chão!


Fábulas  Companhia Impressora  1895
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Antologia Brasileira — Coletânea em Prosa e Verso de Escritores Nacionais, por Eugênio Werneck, Trigésima Edição, 1959, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro  RJ; Anastácio Luiz do Bom-Successo  A. L. do Bom-Successo (1833  1899), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta, fabulista, professor e médico formado pela faculdade médica do Rio de Janeiro e bacharel pelo Colégio Pedro II; escreveu e publicou Versos de Cisnato Luzio (1881), Fábulas (edição completa, 1895), e outros trabalhos literários; redigiu a Biblioteca do Instituto dos Bacharéis em Letras, onde deixou registrado poesias e estudos críticos de sua autoria e de outros; do livro Fábulas, consta uma edição datada de 1860, uma coleção de apólogos originais em versos, publicada pela Typographia Brasiliense de Maximiano Gomes Ribeiro, Rio de Janeiro RJ.