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domingo, 25 de fevereiro de 2024

Guerra Junqueiro: Mostrou-me a luz da crença-alva recém . . . [soneto]


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Mostrou-me a luz da crença-alva recém
Pálida virgem de luzentes tranças;
Dorme agora na campa das crianças,
Onde eu quisera repousar também.

A graça, as ilusões, o amor, a unção,
Doiradas catedrais do meu passado,
Tudo caiu desfeito, escalavrado,
Nos tremendos combates da razão.

Perdida a fé, esse imortal abrigo,
Fiquei sozinho, como herói antigo,
Batalhando sem elmo e sem escudo.

A implacável, a rígida ciência,
Deixou-me unicamente a Providência,
Mas, deixando-me Deus, deixou-me tudo!

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850 1923), português de Ligares Freixo de Espada à Cinta, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta; à sua época, bastante popular, é considerado o mais típico representante da chamada Escola Nova e, com sua poesia panfletária, contribuiu para formar o ambiente revolucionário que acabou por provocar a implantação da República portuguesa; passando a residir em Lisboa, a partir de 1875 colaborou em prosa e em verso com jornais políticos e artísticos, A Lanterna Mágica, O António Maria, Diário de Notícias, Atlântida, Branco e Negro, Brasil Portugal, A Crônica, A Illustração Portugueza, A Imprensa, A Leitura, A Mulher, O Occidente, Renascença, O Pantheon, A República Portugueza, Ribaltas e Gambiarras, Serões, Azulejos, Azeitonense, entre outros periódicos; suas obras: A Morte de D. João (1874), Contos para a Infância (1875), A Musa em Férias (1879), A Velhice do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892), Oração ao Pão (1902), Gritos da Alma (1912), Poesias Dispersas (1920), ...

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Guerra Junqueiro: O luar


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Ó luz! ó alma na amplidão suspensa,
Ó astros puros, ó luar, ó sol!
E em noites tristes de tristeza imensa,
Ó luz feita harmonia, ó rouxinol!

E como eu quero ainda! E como é triste
Sentir a vossa doce claridade,
Esse bater de ondas da saudade,
Sobre a imagem dum bem que não existe!

Lá vem a luz, a Ofélia desmaiada,
Pela amplidão da abóbada azulada,
A grinalda de estrelas desfolhando...

Sonâmbula d’amor, com mãos piedosas
Entorna as longas tranças luminosas
Por sobre os corações que estão chorando.

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850 1923), português de Ligares Freixo de Espada à Cinta, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta; à sua época, bastante popular, é considerado o mais típico representante da chamada Escola Nova e, com sua poesia panfletária, contribuiu para formar o ambiente revolucionário que acabou por provocar a implantação da República portuguesa; passando a residir em Lisboa, a partir de 1875 colaborou em prosa e em verso com jornais políticos e artísticos, A Lanterna Mágica, O António Maria, Diário de Notícias, Atlântida, Branco e Negro, Brasil Portugal, A Crônica, A Illustração Portugueza, A Imprensa, A Leitura, A Mulher, O Occidente, Renascença, O Pantheon, A República Portugueza, Ribaltas e Gambiarras, Serões, Azulejos, Azeitonense, entre outros periódicos; suas obras: A Morte de D. João (1874), Contos para a Infância (1875), A Musa em Férias (1879), A Velhice do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892), Oração ao Pão (1902), Gritos da Alma (1912), Poesias Dispersas (1920), ...