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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Charles Bukowski: agora, se você tivesse que ensinar escrita criativa, ele perguntou, o que você lhes diria?

O Amor É Um Cão Dos Diabos | Amazon.com.br
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[traduzido por Pedro Gonzaga]

eu lhes diria para ter um caso de amor
fracassado, hemorróidas, dentes podres
e beber vinho barato,
para evitarem a ópera e o golfe e o xadrez,
seguirem trocando a guarda de suas
camas de parede em parede
e depois eu lhes diria para terem
outro caso de amor fracassado
e nunca usar uma fita de seda na máquina
de escrever,
evitar os piqueniques em família
ou serem fotografados em um jardim coberto de
rosas;
para lerem Hemingway apenas uma vez,
pularem Faulkner
ignorarem Gogol
olharem fixo para as fotos de Gertrude Stein
e ler Sherwood Anderson na cama
comendo biscoitos Ritz água e sal,
perceberem que as pessoas que não param
de falar sobre liberação sexual
na verdade estão mais assustadas do que vocês.
para ouvirem E. Power Biggs debulhar o
orgão no rádio enquanto estão
fumando um Bull Durham no escuro
numa cidade estranha
restando apenas um dia pago de aluguel
após terem desistido de tudo
amigos, parentes e empregos.
jamais se considerem superiores e/
ou dentro da média
nem nunca tentem sê-lo.
tenham um outro caso de amor fracassado.
observem uma mosca sobre uma cortina de verão.
jamais tentem ter sucesso.
não joguem sinuca.
deixem que uma fúria legítima tome conta de vocês
quando seus carros estiverem com pneu no chão.
tomem vitaminas mas não levantem pesos nem corram.

então depois disso tudo
revertam o processo.
tenham um bom caso de amor.
e a coisa
que talvez aprendam
é que ninguém sabe nada 
nem o Estado, nem os ratos
nem a mangueira no jardim nem a Estrela Polar.
e se por acaso vocês me pegarem
ensinando numa classe de escrita criativa
e me lerem este poema
eu lhe darei um A com louvor
bem no olho
do cu.

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Charles Bukowski

now, if you were teaching creative writing, he asked, what would you tell them?

I'd tell them to have an unhappy love
affair, hemorrhoids, bad teeth
and to drink cheap wine,
avoid opera and golf and chess,
to keep switching the head of their
bed from wall to wall
and then I'd tell them to have
another unhappy love affair
and never to use a silk typewriter
ribbon,
avoid family picnics
or being photographed in a rose
garden;
read Hemingway only once,
skip Faulkner
ignore Gogol
stare at photos of Gertrude Stein
and read Sherwood Anderson in bed
while eating Ritz crackers,
realize that people who keep
talking about sexual liberation
are more frightened than you are.
listen to E. Power Biggs work the
organ on your radio while you're
rolling Bull Durham in the dark
in a strange town
with one day left on the rent
after having given up
friends, relatives and jobs.
never consider yourself superior and/
or fair
and never try to be.
have another unhappy love affair.
watch a fly on a summer curtain.
never try to succeed.
don't shoot pool.
be righteously angry when you
find your car has a flat tire.
take vitamins but don't lift weights or jog.

then after all this
reverse the procedure.
have a good love affair.
and the thing
you might learn
is that nobody knows anything 
not the State, nor the mice
the garden hose or the North Star.
and if you ever catch me
teaching a creative writing class
and you read this back to me
I'll give you a straight A
right up the pickle
barrel.
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O amor é um cão dos diabos — Charles Bukowski, Tradução de Pedro Gonzaga, 2015, reimpressão L&PM Pocket Volume 888, L&PM Editores, Porto Alegre — RS;  Henry Charles Bukowski Jr. (1920 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts  (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Charles Bukowski: ameixas geladas

O Amor É Um Cão Dos Diabos | Amazon.com.br
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[traduzido por Pedro Gonzaga]

comendo ameixas geladas na cama
ela me contou sobre o alemão
que era dono de toda quadra
exceto da loja de tecidos
e de como ele tentou comprar
a loja de tecidos
mas as garotas disseram, não.
o alemão tinha a melhor mercearia em
Pasadena, suas carnes eram caras
mas valiam o preço
e suas frutas e verduras eram
muito baratas e
ele também vendia flores. as pessoas vinham
de toda Pasadena para ir à sua
loja
mas ele queria comprar a loja de tecidos
e as garotas seguiam dizendo, não.
certa noite alguém foi visto saindo
a correr pela porta dos fundos da loja de tecidos
e então o fogo se ergueu
e quase tudo foi destruído 
elas fizeram um tremendo inventário
tentaram salvar tudo o que tinha sobrado
fizeram uma liquidação de incêndio
mas não funcionou
elas tiveram que vender, por fim,
e então o alemão comprou a loja de tecido
mas a deixou lá, vazia,
a esposa do alemão tentou reerguer o negócio
tentou vender pequenas cestas e outras quinquilharias
mas não funcionou.

terminamos as ameixas.
“é uma história triste”, eu lhe disse.
então ela se inclinou e começou a me chupar.
as janelas estavam abertas e meus gritos
podiam ser ouvidos por toda vizinhança
às 5h30 de um fim de tarde.

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Charles Bukowski

cold plums

eating cold plums in bed
she told me about the German
who owned everything on the block
except the custom drapery shop
and he tried to buy
the custom drapery shop
but the girls said, no.
the German had the best grocery store in
Pasadena, his meats were high
but worth the price
and his vegetables and produce were
very cheap and
he also sold flowers. people came
from all over Pasadena to go to his
store
but he wanted to buy the custom drapery shop
and the girls kept saying, no.
one night somebody was seen running
out the back door of the drapery shop
and there was a fire
and almost everything was destroyed 
they'd had a tremendous inventory,
they tried to save what was left
had a fire sale
but it didn't work
they had to sell, finally,
and then the German owned the drapery shop
but it just sits there, vacant,
the German's wife tried to make a go of it
she tried to sell little baskets and things
but it didn't work.

we finished the plums.
"that was a sad story," I told her.
then she bent down and began sucking me off.
the windows were open and you could hear me
hollering all over the neighborhood
at 5:30 in the evening.
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O amor é um cão dos diabos — Charles Bukowski, Tradução de Pedro Gonzaga, 2015, reimpressão L&PM Pocket Volume 888, L&PM Editores, Porto Alegre — RS;  Henry  Charles Bukowski Jr. (1920  1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960),  It Catches My Heart in its Hands  (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts  (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971),  Factótum  (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977),  Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Charles Bukowski: penicos

O Amor É Um Cão Dos Diabos | Amazon.com.br
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[traduzido por Pedro Gonzaga]

nos hospitais em que estive
você vê as cruzes nas paredes
com as finas folhas de palma atrás delas
amareladas e escurecidas

é o sinal para aceitar o inevitável

mas o que realmente machuca
são os penicos
duros debaixo de sua  bunda
você está à beira da morte
e tem que dar um jeito de sentar sobre essa
coisa impossível
e urinar e
defecar

enquanto isso na cama
ao lado da sua
uma família de 5 traz mensagens de esperança
para um casal incurável
de doença cardíaca
câncer
ou putrefação generalizada.

o penico é uma pedra impiedosa
uma horrorosa zombaria
porque ninguém quer arrastar seu corpo agonizante
até o banheiro e voltar.

você se arrasta
mas eles mantêm as barras erguidas
você está no seu leito
seu minúsculo leito de morte
e quando a enfermeira volta
uma hora e meia depois
e não há nada no penico
ela o encara com seu mais
imoderado olhar

como se à beira da morte
alguém estivesse apto a fazer
as coisas mais comuns
vez após vez.

mas se você pensa que isso é ruim
apenas relaxe
e deixe a coisa vir
toda
nos lençóis

então você ouvirá
não só da enfermeira
mas também
de todos outros pacientes...

a parte mais complicada de morrer
é que eles esperam que você
se vá
como um disparo em direção ao
céu noturno

algumas vezes isso pode ser feito

mas quando você precisar da bala na espingarda
olhará
e descobrirá
que os fios sobre sua cabeça
conectados anos atrás
ao botão
foram cortados
retalhados
eliminados
transformados
em algo
tão inútil quanto
o penico.

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Charles Bulowski

bedpans

in the hospitals I've been in
you see the crosses on the walls
with the thin palm leaves behind them
yellowed and browned

it is the signal to accept the inevitable

but what really hurts
are the bedpans
hard under your ass
you're dying
and you're supposed to sit up on this
impossible thing
and urinate and
defecate

while in the bed
next to yours
a family of 5 brings good cheer
to an incurable
heart-case
cancer-case
or a case of general rot.

the bedpan is a merciless rock
a horrible mockery
because nobody wants to drag your failing body
to the crapper and back.

you'd drag it
but they've got the bars up:
you're in your crib
your tiny death-crib
and when the nurse comes back
an hour and a half later
and there's nothing in the bedpan
she gives you a most
intemperate look

as if when nearing death
one should be able to do
the common common things
again and again.

but if you think that's bad
just relax
and let it go
all of it
into the sheets

then you'll hear it
not only from the nurse
but from
all the other patients...

the hardest part of dying
is that they expect you
to go out
like a rocket shot into the
night sky.

sometimes that can be done

but when you need the bullet and the gun
you'll look up
and find
that the wires above your head
connected to the button
years ago
have been cut
snipped
eliminated
been
made
useless as
the bedpan.
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O amor é um cão dos diabos — Charles Bukowski, Tradução de Pedro Gonzaga, 2015, reimpressão L&PM Pocket Volume 888, L&PM Editores, Porto Alegre — RS;  Henry Charles Bukowski Jr. (1920  1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960),  It Catches My Heart in its Hands  (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts  (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum  (romance,  1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977),  Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Charles Bukowski: minha tiete

O Amor É Um Cão Dos Diabos | Amazon.com.br
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[traduzido por Pedro Gonzaga]

fiz uma leitura no último sábado no
bosque para além de Santa Cruz
e estava a ¾ do final
quando escutei um grito longo e desesperado
e uma jovem bastante
veio correndo em minha direção
vestido longo & fogo divino nos olhos
e invadiu o palco
e gritou: “EU QUERO VOCÊ!
EU QUERO VOCÊ! ME LEVE! ME
LEVE!”
eu disse a ela: “olhe, fique longe
de mim”.
mas ela continuava agarrada às minhas
roupas e se esfregando em
mim.
“onde você estava”, eu lhe perguntei, “quando eu
vivia com apenas uma barra de doce por dia e
mandava meus contos para a
Atlantic Montly?”
ela agarrou minhas bolas e quase
as arrancou. seus beijos
tinham gosto de sopa de merda.
2 mulheres subiram no palco
e
a carregaram para dentro do
bosque.
eu ainda podia ouvir seus gritos
quando comecei o poema seguinte.

talvez, pensei, eu devesse
tê-la possuído naquele palco na frente
de todos aqueles olhos.
mas alguém nunca pode ter certeza
se isso é boa poesia ou
ácido de má qualidade.

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Charles Bukowski

My Groupie

I read last Saturday in the
redwoods outside of Santa Cruz
and I was about 3/4’s finished
when I heard a long high scream
and a quite attractive
young girl came running toward me
long gown & divine eyes of fire
and she leaped up on the stage
and screamed: “I WANT YOU!
I WANT YOU! TAKE ME! TAKE
ME!”
I told her, “look, get the hell
away from me.”
but she kept tearing at my
clothing and throwing herself
at me.
“where were you,” I
asked her, “when I was living
on one candy bar a day and
sending short stories to the
Atlantic Monthly?”
she grabbed my balls and almost
twisted them off. her kisses
tasted like shitsoup.
2 women jumped up on the stage
and
carried her off into the
woods.
I could still hear her screams
as I began the next poem.
mabye, I thought, I should have
taken her on stage in front
of all those eyes.
but one can never be sure
whether it’s good poetry or
bad acid.
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O amor é um cão dos diabos — Charles Bukowski, Tradução de Pedro Gonzaga, 2015, reimpressão L&PM Pocket, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr. (1920  1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, contista e romancista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Charles Bukowski: tão louco quanto sempre fui

O Amor É Um Cão Dos Diabos | Amazon.com.br
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[traduzido por Pedro Gonzaga]

bêbado e escrevendo poemas
às 3 da manhã.

o que importa agora
é mais uma
boceta
apertada

antes que a luz
se apague

bêbado e escrevendo poemas
às 3h15 da manhã.

algumas pessoas me dizem que sou
famoso.

o que estou fazendo sozinho
bêbado e escrevendo poemas às
3h18 da manhã?

sou tão louco quanto sempre fui
eles não entendem
que não parei de me pendurar pelos calcanhares
da janela do 4° andar 
eu ainda o faço
agora mesmo
aqui sentado

ao escrever estas linhas
estou pendurado pelos calcanhares
vários andares acima:
68, 72, 101,
a sensação é a
mesma:
implacável
banal e
necessária

aqui sentado
bêbado e escrevendo poemas
às 3h24 da manhã.

Imagem relacionada
Charles Bukowski

as crazy as I ever was

drunk and writing poems 
at 3 a.m.

what counts now
is one more
tight pussy

before the light
tilts out

drunk and writing poems
at 3:15 a.m.

some people tell me that I'm 
famous.

what am I doing alone
drunk and writing poems at
3:18 a.m.?

I'm as crazy as I ever was
they don't understand 
that I haven't stopped hanging out of 4th floor
windows by my heels 
I still do
right now
sitting here

writing this down
I am hanging by my heels
floors up:
68, 72, 101,
the feeling is the
same:
relentless
unheroic and
necessary

sitting here
drunk and writing poems
at 3:24 a.m.
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O amor é um cão dos diabos — Charles Bukowski, Tradução de Pedro Gonzaga, 2015, reimpressão L&PM Pocket, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr.  (1920  1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, contista e romancista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.